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Mato Grosso do Sul

Ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e pode redesenhar logística rumo ao Pacífico

Corredor que liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile promete reduzir custos, encurtar prazos de exportação e transformar MS em eixo estratégico

Publicado em 22/05/2026 8:44 - Semana On

Divulgação Gov MS

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A construção da Ponte da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, entrou na fase decisiva. Restam apenas 21 metros para a conclusão da ligação física sobre o rio Paraguai, etapa simbólica de um empreendimento que integra um dos mais ambiciosos projetos logísticos da América do Sul.

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A estrutura faz parte do Corredor Bioceânico, rota internacional planejada para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de um sistema rodoviário que atravessa Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A proposta é criar uma alternativa terrestre mais curta para o escoamento de mercadorias em direção aos portos chilenos, aproximando produtos brasileiros dos mercados asiáticos e reduzindo a dependência de trajetos tradicionais, sobretudo os concentrados na região Sul do País.

Executada pelo Consórcio Binacional PYBRA, a ponte recebeu investimento de 684,6 bilhões de guaranis — cerca de R$ 500 milhões, segundo o governo paraguaio. Além do fechamento estrutural, equipes trabalham na instalação dos chamados “segmentos de fechamento”, peças finais de concreto que unem os blocos centrais da travessia, além da implantação de barreiras de segurança destinadas a veículos e pedestres.

O Paraguai também acelera as obras de acesso que integrarão a ponte à Rota PY15, principal eixo da Rota Bioceânica em território paraguaio. O trecho terá aproximadamente 3,8 quilômetros de pavimentação entre a estrutura e a rodovia. Pelo projeto, o acesso começará cerca de 4,5 quilômetros antes da área urbana de Carmelo Peralta, seguirá por 2,6 quilômetros ao norte e depois mais 1,2 quilômetro ao leste até alcançar a ponte.

As intervenções incluem ainda dragagem, drenagem, limpeza de áreas e instalação de cercas na avenida principal da cidade paraguaia. Para o governo do Paraguai, o empreendimento deve reposicionar a região do Chaco como novo corredor logístico continental.

Mais do que uma obra de infraestrutura, o corredor é tratado por especialistas e diplomatas como um potencial vetor de reorganização da logística brasileira. Estudos apresentados pelo diplomata João Carlos Parkinson, coordenador nacional dos Corredores Rodoviários e Ferroviários Bioceânicos do Itamaraty, indicam que a nova rota tende a deslocar parte significativa do transporte terrestre atualmente concentrado no Sul do País.

Os dados serão apresentados durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária, em Campo Grande. Segundo o levantamento, estados do Norte e Nordeste — entre eles Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Rondônia e Tocantins — exportaram, em 2025, cerca de US$ 1,1 bilhão para países vizinhos utilizando corredores rodoviários tradicionais localizados no Sul brasileiro.

O volume corresponde a 2,6% do total de US$ 43,1 bilhões exportados por vias terrestres no ano passado, segmento que respondeu por 26% do comércio exterior brasileiro. Atualmente, aproximadamente 60% das exportações terrestres do Brasil destinadas a países da América do Sul dependem de rotas concentradas na região Sul. São Borja (RS) responde sozinha por 29% desse fluxo, enquanto Uruguaiana (RS) concentra 27%. Foz do Iguaçu (PR) participa com 19%.

A expectativa é que o corredor reduza distâncias, custos e tempo de deslocamento. Segundo Parkinson, manter cargas do Norte e Nordeste trafegando até o extremo Sul para acessar mercados vizinhos deixará de fazer sentido econômico com a consolidação da rota bioceânica. A avaliação do diplomata é que o novo traçado aumenta a competitividade ao diminuir o percurso rodoviário e acelerar as entregas.

Em uma projeção apresentada pelo Itamaraty, uma carga originada na Bahia e destinada à Argentina poderia economizar entre dois e três dias de viagem em comparação às rotas atualmente utilizadas via Rio Grande do Sul. O trajeto seguiria em direção ao Centro-Oeste brasileiro, atravessaria a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta e avançaria por território paraguaio e argentino em um percurso mais curto até os mercados vizinhos.

O efeito, segundo os estudos, não se restringe ao Brasil. A expectativa é que produtores da Argentina, Paraguai e Chile também utilizem o corredor para ampliar o comércio com os estados do Norte e Nordeste brasileiros, criando uma nova dinâmica de integração regional.

As projeções associadas ao Corredor Bioceânico apontam redução entre 30% e 40% nos custos logísticos e economia de até 15 dias em relação a rotas marítimas tradicionais, como aquelas que dependem do Canal do Panamá. Nesse cenário, Mato Grosso do Sul tende a assumir papel estratégico como eixo de conexão entre o interior do continente e os portos do norte chileno, especialmente Antofagasta e Iquique.

O chamado Corredor Rodoviário de Capricórnio terá cerca de 2,3 mil quilômetros de extensão, conectando o Atlântico ao Pacífico por meio de uma malha que cruza os quatro países envolvidos no projeto.

Apesar do avanço físico das obras, a consolidação da rota ainda depende de negociações diplomáticas e regulatórias entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Questões alfandegárias, sanitárias, tributárias e de controle fronteiriço seguem em discussão e são consideradas fundamentais para garantir fluidez ao transporte internacional de cargas e viabilizar plenamente o corredor bioceânico.

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