25/02/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

Policiais são suspeitos de serem ‘seguranças’ do jogo do bicho em Campo Grande, apura MP

Operação cumpriu mandados na casa do deputado Neno Razuk (PL-MS) e prendeu assessores diretos do político: grupo criminoso é investigado em meio a disputa pelo monopólio do jogo do bicho na capital.

Publicado em 06/12/2023 10:30 - Geisy Garnes, Dyego Queiroz, José Câmara – G1MS

Divulgação Imagem: portalguaira.com

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A segurança pública e esquemas criminosos, em Campo Grande, voltam ao centro das investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Operação deflagrada, na terça-feira (5), apura o envolvimento de policiais como “seguranças particulares” de chefes de organizações criminosas ligadas ao jogo do bicho.

Batizada de “Succesione”, a operação mira um grupo criminoso que tenta reassumir o controle dos jogos de azar em Campo Grande. A atuação do jogo do bicho foi enfraquecida na capital após a “Operação Omertà”, que prendeu chefes da milícia ligada à contravenção.

Nesta terça, mais de 10 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão foram cumpridos. Uma das casas que recebeu a visita dos agentes do Gaeco foi a do deputado estadual Neno Razuk (PL-MS). Em entrevista, o parlamentar negou envolvimento com o esquema criminoso.

Em nota, o Gaeco esclareceu o cerne principal da operação, que revelou “a atuação de uma organização criminosa responsável por diversos roubos praticados mediante o emprego de arma de fogo e em concurso de agentes, em plena luz do dia e na presença de outras pessoas, em Campo Grande/MS, no contexto de disputa pelo monopólio do jogo do bicho local”.

Ainda conforme o órgão de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), esta nova organização criminosa “tem grave penetração nos órgãos de segurança pública e conta com policiais para o desempenho das atividades”.

Prisões na operação

Além de Neno Razuk, assessores parlamentares do deputado foram incluídos na lista de presos. Apuração do G1MS aponta dois nomes entre os presos:

– Major reformado Gilberto Luiz dos Santos;

– Sargento reformado Manuel José Ribeiro.

As defesas não tiveram acesso ao processo de investigação do Gaeco. O G1MS também procurou a Polícia Militar para entender a situação dos militares investigados.

De acordo com a instituição, como os alvos estão na reserva remunerada, a investigação não tem relação a atividade deles como policiais. Por isso, até o momento, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul não foi notificada sobre as prisões. Os suspeitos vão ficar no Presídio Militar Estadual até uma nova decisão judicial.

Operação Succesione

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta terça-feira (5), a Operação Successione que investiga uma organização criminosa e a disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande. Entre os alvos está o deputado estadual Neno Razuk (PL).

A prisão do parlamentar também teria sido solicitada, mas a Justiça negou o pedido. Entre uma apuração e outra, o Ministério Público identificou o aluguel de veículos, inclusive em nome do deputado, que teriam sido usados nos assaltos.

Entre os presos na operação, está o major reformado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e assessor parlamentar do deputado Neno Razuk, Gilberto Luiz dos Santos. Há pouco mais de um mês, Gilberto estava em uma casa em que 700 máquinas usadas para apostas do jogo do bicho foram apreendidas pela Polícia Civil, na capital.

Gilberto poderia ser o mandante de um grupo suspeito de comandar as apostas do jogo do bicho em Campo Grande.


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