25/02/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

Pedrossian apostou nas políticas de Estado para construir o Mato Grosso do Sul

Publicado em 22/08/2017 12:00 -

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“Embora não seja místico, sempre acreditei ter uma estrela para me definir a missão ou, pelo menos, me acompanhar nos momentos cruciais da vida”. As palavras definem um sonhador, e ao mesmo tempo um homem de ações. Definem Pedro Pedrossian, que em sua biografia descreveu-se com maestria.  O ex-governador de Mato Grosso do Sul, cujo nome está ligado a grandes marcos, faleceu na madrugada desta terça-feira (22), aos 89 anos, deixando como legado a imagem de um homem de Estado.

Pedro Pedrossian apostou em políticas de Estado em detrimento das ações de Governo, tão suscetíveis aos caprichos do momento. Foi um homem de decisões – nem sempre fáceis e compreensíveis, mas fincadas na construção de um Estado mais forte e desenvolvido. Foi um homem de ações, e por isso suas realizações são, hoje, referências para os sul-mato-grossenses.

Conhecido pelas obras emblemáticas, como o Parque dos Poderes (sede dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), o Parque das Nações Indígenas, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, projetos de integração viária, como o Apaporé, ligando a região Leste ao Sudoeste do Estado, e o programa Guatambu, de desenvolvimento da agropecuária por meio da assistência técnica e extensão rural, além de todas as saídas-acessos da Capital, Pedrossian deixa aos sul-mato-grossenses o legado de um homem visionário, repleto de coragem política e de ousadia.

“Mato Grosso do Sul perde um homem público de primeira grandeza. Sua trajetória foi marcada pela busca incessante da transformação, com administrações voltadas para execução de grandes projetos estruturais, rasgando estradas e, ao mesmo tempo, edificando obras que romperam o tempo e integram hoje patrimônio do povo sul-mato-grossense. Perde o nosso estado, o grande construtor de nossa história; perde todo o Centro-Oeste brasileiro um visionário incomparável; perde o país um homem público de primeira grandeza. E fica, para cada um de nós, o exemplo da dedicação, ousadia e destemor a nos inspirar no enfrentamento de tantos desafios”, declarou Reinaldo Azambuja”, afirmou o governador Reinaldo Azambuja, um dos muitos milhares de sul-mato-grossenses que cresceram sob a estrela de Pedro Pedrossian.

Em um país onde as ações do poder público são, muitas vezes, centralizadas, pouco transparentes e paliativas, é fundamental que se compreenda a formulação das políticas públicas, e a diferença entre Políticas de Governo e Políticas de Estado. A Política de Estado – que Pedrossian priorizou – é aquela que beneficia todos os espectros da sociedade, primando pelo seu desenvolvimento, independente de colorações partidárias ou ideológicas. As políticas de Governo, por sua vez, podem depender de objetivos imediatos deste ou daquele partido, e nem sempre observam resultados a longo prazo. O legado de Pedrossian fala por si, e representa o resultado de uma série de ações que olharam para o futuro do Mato Grosso do Sul.

O homem e o político

Pedrossian nasceu em Miranda, no então Estado de Mato Grosso, no dia 13 de agosto de 1928, filho de João Pedro Pedrossian e Rosa Mardini Pedrossian, ambos de origem armênia.

Após concluir os estudos secundários no Mato Grosso, o ex-governador decidiu se graduar em engenharia civil pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. Concluídos os estudos, voltou para o Mato Grosso, como engenheiro residente da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em Três Lagoas.

Após seguir carreira nas ferrovias de Campo Grande e de Bauru, foi eleito governador pelo então PSD, em 1965, para o Estado de Mato Grosso. Foi o candidato a governador mais votado em toda a história do Estado, com 109.905 votos.

Em 1980 renunciou ao mandato de senador para assumir o cargo de governador de Mato Grosso Sul, nomeado pelo ex-presidente João Batista de Figueiredo em 7 de novembro do mesmo ano. Em 15 de março de 1991 assumiu novamente o cargo de governador sul-mato-grossense — eleito em pleito direto ocorrido em 1990. Permaneceu no posto até 1º de janeiro de 1995. 

Foi casado por 69 anos com Maria Aparecida Pedrossian e deixa 6 filhos e 11 netos.


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