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Mato Grosso do Sul

Para Riedel, troca do PSDB pelo PP não levará a reconfiguração no governo

Governador disse que enxugamento partidário exige legendas mais programáticas

Publicado em 22/08/2025 9:23 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, formalizou nesta semana sua saída do PSDB e se filiou ao Progressistas (PP), encerrando um ciclo histórico: ele era o último governador filiado ao PSDB no país. Em entrevista concedida à TV Morena na quinta-feira (21), Riedel afirmou que a mudança de partido não tem relação com a disputa à reeleição em 2026, nem trará alterações no funcionamento da administração estadual.

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“Estamos saindo daquela realidade de 35 partidos para um volume bem menor, o que é muito saudável”, declarou Riedel. Para o governador, o atual cenário de enxugamento partidário exige a consolidação de legendas com maior coerência programática. “Aquela sopa de letrinhas, com 35 partidos, não tem ideologia para tudo isso, não tem diretriz pública para tudo isso”, completou.

A filiação ao PP, já oficializada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reflete uma movimentação comum no atual contexto político brasileiro, de migração entre partidos de centro e centro-direita em busca de alianças mais sólidas diante das exigências da cláusula de barreira e do fim das coligações proporcionais. No caso de Riedel, a transição também evidencia o esvaziamento do PSDB, sigla que governou o Brasil por oito anos consecutivos (1995–2002) e foi protagonista de disputas presidenciais por décadas, mas que hoje vive um processo acelerado de perda de relevância.

Apesar da mudança, Riedel garantiu que a composição de seu governo permanece inalterada. “Desde o início do governo, eu sempre busquei a indicação de pessoas alinhadas com o nosso plano de governo, independentemente de partido. Essa foi a orientação central desde o início”, afirmou. A fala busca afastar especulações sobre possíveis acomodações de cargos ou reestruturações internas para atender à nova filiação partidária.

Contudo, o novo posicionamento do governador já provocou efeitos no tabuleiro político estadual. O diretório do PT em Mato Grosso do Sul anunciou a saída da base de apoio ao governo e declarou oficialmente sua posição de oposição. A decisão, ainda que não surpreendente, rompe um acordo de convivência institucional que vinha sendo mantido desde o início da gestão Riedel.

Questionado sobre o rompimento, o governador minimizou o impacto: “Continuamos trabalhando. Pelo fato do governo não ter todo esse vínculo partidário, a gente continua trabalhando para as pessoas, com diretriz e com monitoramento dos resultados alcançados.”

O movimento do PT se insere num ambiente de maior polarização nacional, e a mudança de Riedel para o PP — partido que integra a base do ex-presidente Jair Bolsonaro e se posiciona mais à direita do espectro político — tende a dificultar futuras alianças com a esquerda no estado. Ainda assim, o governador adota um discurso técnico e institucionalizado, enfatizando o foco na gestão e não em disputas ideológicas.

A troca de partido marca um momento simbólico para a política brasileira. O PSDB, que já teve oito governadores simultaneamente em 2002 e foi o maior partido do país em número de prefeituras, chega a 2025 sem qualquer chefe de Executivo estadual. Em Mato Grosso do Sul, a sigla também perdeu sua principal liderança, o que deve provocar rearranjos na estrutura partidária local.

Nos bastidores, a filiação ao PP é interpretada por analistas como um movimento preparatório para a disputa de 2026, ainda que Riedel insista em negar a intenção de reeleição no momento. O Progressistas, com forte presença no Congresso e nas alianças regionais, se consolida como uma das principais forças do centrão, e sua capilaridade pode oferecer respaldo estratégico para candidaturas majoritárias.

O cenário político em Mato Grosso do Sul entra, assim, numa nova fase, com um governador alinhado a um novo partido e com a oposição redesenhando sua estratégia diante do redesenho das alianças. Ao mesmo tempo, o enfraquecimento do PSDB acende o alerta sobre o esvaziamento de legendas tradicionais num sistema cada vez mais pragmático — e menos ideológico.

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