21/04/2024 - Edição 540

Mato Grosso do Sul

Para promover integração e turismo no Pantanal, Governo faz obra de acesso ao Forte Coimbra

Em seis meses, choveu mais que o esperado para o ano todo na região do Pantanal

Publicado em 06/07/2023 10:20 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Integração regional, desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Com estes conceitos bem definidos, o Governo do Estado está promovendo a obra de acesso ao Forte Coimbra, no coração do Pantanal, em Corumbá, na rodovia MS-454. Os trabalhos já estão com quase 40% das atividades prontas, em um investimento que chega a R$ 33 milhões.

A obra de revestimento primário e drenagem vai ser feita em 26,5 km desta região. As atividades começaram em dezembro do ano passado e 10 km já foram finalizados. As máquinas estão na pista com uma série de ações, entre elas limpeza de camada vegetal, terraplanagem, drenagem e obra de arte, além de implantação de cercas.

O objetivo é ligar a estrada (MS-454), do entroncamento da BR-262, em Corumbá, até o famoso destacamento militar do Forte Coimbra, às margens do Rio Paraguai. Os trabalhos neste momento se concentram no “lote 1”, que fica no meio deste caminho. As melhorias na estrada vão fortalecer o turismo, dar mais segurança para quem trafega no trecho e ajudar no escoamento da produção. Já a etapa final (que chega ao Forte) está na fase de projeto, sendo uma das prioridades do Estado.

“Uma obra de infraestrutura, de terraplanagem, implantação de revestimento primário e drenagem. Estamos com praticamente 40% da obra já concluída. Ela vai dar mais mobilidade para as pessoas que vivem aqui na região, teremos um ganho dos produtores rurais com o escoamento da produção local, além de possibilitar melhor condição de trânsito para todos”, explicou André Luiz Andreasi, engenheiro responsável pela obra.

Durante o percurso da estrada se encontram ao redor muitas propriedades rurais, tendo em maioria a criação de gado, que é típico da pecuária pantaneira. Os trabalhos do Governo seguem em sintonia com logística da região, tendo por exemplo a formação da pista com quatro metros de elevação, já que na época de cheia as águas sobem e alagam tudo em volta. Nas outras frentes segue a compactação do aterro, umedecimento da pista e carga e descarga de material.

Edmundo Ferreira trabalha há um ano em uma fazenda em frente a estrada. Ele destacou que a obra vai ajudar muito na locomoção e nas condições da região. “Sou boliviano de Puerto Suarez e cheguei aqui em novembro no Pantanal. A obra vai melhorar para quem precisa passar pela estrada todos os dias. Quando chove aqui não dá pra andar e nem sair da fazenda”, contou.

Potencial econômico

O governador Eduardo Riedel sempre destaca que em Mato Grosso do Sul a preservação do meio ambiente e o potencial econômico andam juntos, com um desenvolvimento sustentável. Esta marca da gestão estadual estará presente na região do Pantanal, com turismo contemplativo e integração entre os povoados.

Ao promover melhorias de acesso ao Forte Coimbra, a região poderá impulsionar o turismo local, com visitantes seguindo viagem de carro de Corumbá até as margens do Rio Paraguai neste local, que é sinônimo de cultura e história do Estado. O destacamento militar tem grandes belezas naturais ao seu redor, além de dispor de um vilarejo com os moradores locais.

“Essa é uma obra de acesso e integração, feita para atender a comunidade e o turismo. É um trabalho que respeita a natureza e desenvolve a região. O Governo do Estado tem pensado as cidades junto com as liderança locais para atender esse tipo de demanda”, destacou o secretário Hélio Peluffo, da Seilog (Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística).

A empresa que está tocando a obra no local conta com 100 funcionários neste projeto, sendo 70 diretos e 30 indiretos. Devido ao local inóspito e que chega a 100 km da cidade, no meio do Pantanal, os colaboradores passaram por cursos de primeiros socorros, para saberem agir em eventuais acidentes ou intercorrências.

Também existe um cuidado com o meio ambiente no canteiro de obras, tendo inclusive banheiros com coleta de dejetos, para não levar poluição ao local. Outras ações seguem no mesmo caminho.

O prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes, afirmou durante evento do PPA (Plano Plurianual) que as obras do Estado na infraestrutura das rodovias, estradas e pontes na região do Pantanal são prioridades. “Vão ajudar muito nos acessos e no fortalecimento do turismo, principalmente o de contemplação”, destacou.

A obra de acesso ao Forte Coimbra é mais uma ação do Governo do Estado para levar prosperidade e inclusão ao Pantanal, tendo todo o cuidado com o “verde”, com atividades sustentáveis. Os investimentos na região vão continuar para promover este desenvolvimento.

Em seis meses, choveu mais que o esperado para o ano todo na região do Pantanal

No primeiro semestre de 2023, o município de Corumbá, que abriga a maior parte do Pantanal sul-mato-grossense, registrou precipitação acumulada de 1.046 milímetros. Isso é 13% maior do que a média histórica anual, que é de 921 milímetros. Em Aquidauana e Miranda – municípios também localizados na planície pantaneira – a precipitação acumulada superou em muito a média para o semestre; e na região de São Gabriel do Oeste, Coxim, Rio Verde, que estão na borda e abrigam rios importantes subsidiários do Pantanal, igualmente as chuvas foram abundantes.

Os dados constam na Análise Meteorológica elaborada pela equipe técnica do Cemtec/MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), órgão vinculado à Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com informações registradas pelo Inpe (Instituto Nacional e Pesquisas Espaciais), Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e pelas estações meteorológicas da própria Semadesc.

Em todos os municípios monitorados a precipitação acumulada superou a média histórica para o semestre. Em Campo Grande o nível de chuva foi de 1.191,8 milímetros entre 1º de janeiro e 30 de junho, o que representa 47,5% acima da média histórica para o período. Em grande parte do Estado os acumulados de chuva ficaram entre 800 a 1.400 milímetros.

A inundação que se percebe no Pantanal tem ligação direta com a quantidade de chuvas ocorridas na região. Não se deve ao transbordamento do rio Paraguai, que ainda se mantém em sua calha natural, observa o professor Carlos Roberto Padovani, pesquisador da Embrapa Pantanal. “As chuvas que ocorrem no planalto, na região em que o rio Paraguai se encontra com o Cuiabá e o São Loureço, são as que influenciam a cheia no Pantanal causada pelo transbordamento do rio Paraguai”, salienta.

Segundo Padovani, o nível do rio Paraguai já está baixando na região do planalto, o que presume que não haverá transbordamento nesse ano. Mesmo assim, a cheia causada pelas chuvas interrompe um período crítico de poucas chuvas que teve, como principal consequência, os incêndios ocorridos em 2019 e 2020 quando o Pantanal ardeu em chamas e teve uma parcela substantiva de sua área consumida pelo fogo.

Nesse ano, apesar da estiagem que já começou e vai se estender por todo Inverno – com ocorrência esparsa de chuvas – o risco de ocorrer incêndios de grande magnitude no Pantanal é menor. “Os fatores meteorológicos podem atingir condições ideias em meados de julho para ocorrência dos incêndios, porém os fatores climáticos são desfavoráveis, como as chuvas acima da média que provocaram alagamento da planície”, pondera o pesquisador do Cemtec/MS, Vinicius Sperling.

Carlos Padovani traz outra preocupação ao debate. “Como as chuvas de janeiro até junho foram acima da média, favoreceu o crescimento da vegetação herbácea e arbustiva e a formação de biomassa, e isso acaba secando na estiagem anual dos meses de julho, agosto e setembro e favorece a queima com maior intensidade”, complementa.


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