Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mato Grosso do Sul

Pantanal em chamas: prejuízo causado pelo fogo no agronegócio de MS chega a R$ 1,2 bilhão

Ribeirinhos do Alto e Baixo Pantanal recebem missão com reforço no atendimento médico

Publicado em 18/09/2024 1:25 - José Câmara e Rafaela Moreira (G1MS) - Edição Semana On

Divulgação Foto: CPA-CBMMS / Mairinco de Pauda

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O fogo causou o prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão ao agronegócio de Mato Grosso do Sul, neste ano, conforme a Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Entre as cadeias produtivas mais impactadas pelos incêndios estão a pecuária de corte, o setor sucroenergético e a silvicultura.

Entre os meses de junho a agosto deste ano, a Famasul estima que mais de 500 propriedades rurais de Mato Grosso do Sul, no Pantanal, foram atingidas pelo fogo, que já devastou 12,7% de área do bioma, segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ).

“A estimativa de impacto econômico dos incêndios nas áreas destinadas à agropecuária está em torno de R$ 1,2 bilhão. As atividades mais impactadas no estado, são sobretudo as áreas de pastagem destinadas à pecuária de corte, cana-de-açúcar para produção de açúcar e etanol e eucalipto para produção de celulose”, diz a entidade.

De acordo com a Federação, o calculo do impacto econômico do fogo no setor leva em consideração a estimativa em relação ao mapeamento de focos de calor e os valores médios de receita bruta de produção por hectare atingido. O levantamento não considera os prejuízos causados na infraestrutura das propriedades.

Segundo especialistas, a seca severa e a falta de chuva têm potencializado a propagação das chamas na região do Pantanal.

“Fogo assassino”

“O fogo é assassino, vem sem controle nenhum e matou até animal aqui”. Esse é o relato de Khalil Ibrahim Zaher, que tem uma propriedade em Aquidauana (MS), cidade conhecida como portal do Pantanal. Os incêndios na região ameaçaram cerca de 500 animais do produtor rural.

Zaher relembra que o incêndio durou três dias, queimou cerca de 2 mil hectares e os próprios funcionários tiveram que combater as chamas. O prejuízo do produtor pode chegar a R$ 200 mil.

“O prejuízo maior foi com as cercas que foram todas danificadas. Só aqui na região eu vou ter um prejuízo de R$ 150 mil até R$ 200 mil pelas cerca destruídas. Tem maquinário que foi usado para apagar o fogo, o diesel, a hora/máquina, tudo isso vai aumentando o custo de produção”.

A expectativa do produtor é pelo fim do período de queimadas. “O que tem que fazer é tomar cuidado, não colocar fogo. Chegando a chuva tudo melhora, a nossa esperança é a chuva”.

SuperAção Pantanal

Para conter os estragos, a Famasul criou o “SuperAção Pantanal”, um programa de apoio e recuperação aos produtores rurais que tiveram suas propriedades afetadas pelos incêndios no bioma. O objetivo é minimizar os impactos produtivos e oferecer alternativas que reduzam os prejuízos enfrentados pelos pantaneiros.

Nos primeiros 10 dias de setembro, 736 focos de incêndio foram registrados, o dobro de setembro inteiro do ano passado (373 focos). Desde junho deste ano, 12 cidades do estado estão em situação de emergência por causa dos incêndios florestais.

A Famasul informou que cerca de 20 técnicos de campo estão empenhados em visitar as propriedades atingidas pelo fogo, propondo soluções de recuperação. Os profissionais atuarão pelo período de 60 dias para mapear e diagnosticar a situação das propriedades do estado.

“Nossa intenção é orientar os produtores em relação a ações e atividades em suas propriedades rurais, a curto, médio e longo prazo, para minimizar o impacto dos incêndios e da produção. Isso reflete na nossa economia pela importância que o Pantanal tem para o desenvolvimento econômico do estado”, afirmou o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni.

“Após o relatório, ficou evidente que uma unidade de educação precisa ser construída no Pantanal, para garantir que a qualificação profissional chegue aos moradores que, muitas vezes, são impedidos de estudar por causa da distância. Há regiões em que é preciso viajar muitas horas até a cidade mais próxima e nós precisamos ter um olhar atento para isso. O Senar/MS tem cursos de Formação Profissional Rural e Promoção Social que muito pode contribuir para essas pessoas e para o próprio bioma, como é o caso do curso de brigadista e de prevenção e combate ao fogo. Agora, o próximo passo é buscar um local adequado para essa construção”, afirma Bertoni.

Ajuda humanitária

Em meio aos incêndios florestais e estiagem que atingem o Pantanal em Mato Grosso do Sul, a Defesa Civil estadual realiza a segunda etapa da operação de assistência humanitária, desenvolvida pelo Governo do Estado às comunidades ribeirinhas do bioma levando desta vez atendimento médico e psicossocial, além da distribuição cestas básicas, água potável e serviços veterinários.

A equipe da Defesa Civil é composta por profissionais de saúde que se inscreveram na operação de forma voluntária. O coordenador da Operação Humanitária e chefe de Departamento de Riscos e Desastres da Defesa Civil, capitão Maxwelbe de Moura Fé, afirmou que cerca de 400 famílias das regiões do Alto e do Baixo Pantanal estão sendo recebidos por profissionais de saúde nesta nova etapa, desde o último domingo (15).

“Nesta etapa contamos com profissionais experientes neste tipo de ação e acostumados com o cenário de desastres naturais”, complementou.

Victor Florenzano é psicólogo clínico e social e está na sua primeira missão humanitária no Alto Pantanal. Para ele, o atendimento neste contexto de catástrofe climática tem um viés social.

“O trabalho na Psicologia visa promover integralmente a saúde, o acolhimento psicossocial e de escuta qualificada para agir com ações mais efetivas, partindo do princípio de ouvir as necessidades de quem vivencia o cenário de catástrofe e aplicar práticas que podem se tornar políticas públicas”, ressaltou.

A artesã Clarice Assunção, da Comunidade Domingos Ramos, destacou a importância da atividade. “A gente não tem condições de descer até a cidade, levar as crianças no médico, e a vinda deles facilita muito”, assegurou a ribeirinha.

Para a geriatra Monica Carvalho, o trabalho é uma forma de fortalecer a população pantaneira e reforçar a cultura destas comunidades, suas origens e seu modo de vida. “Assim podemos contribuir para que a população permaneça nesses locais e a saúde é um fator importante para essas pessoas se fixem na sua região”, afirmou.

O neurocirurgião Clemar Correa da Silva tem muitos anos de experiência em busca, salvamento e resgate no atendimento pré-hospitalar. “Estamos ouvindo a população. É a primeira vez que piso no Pantanal, vamos atender pessoas que estão precisando de médicos e vamos aplicar uma resolutividade parcial neste primeiro momento, mas que não deixa de ser importante”, acrescentou.

Nem os animais domésticos foram esquecidos. A veterinária Yandara Schettert participa pela segunda vez e pode constatar que os animais estão em boas condições de saúde. “Estão sendo bem tratados e alimentados, sem nenhum tipo de parasita. Também estamos analisando alguns parâmetros da água ofertada aos animais e pessoas, e seguindo com orientações”, descreveu.

A primeira missão, ocorrida em agosto, atendeu 230 famílias da região do Taquari. As operações em apoio à população ribeirinha no Pantanal acontecem até o final deste mês com o compromisso de garantir o bem-estar dessas comunidades e apoiar as equipes que atuam diretamente no combate aos incêndios no Pantanal.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *