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Mato Grosso do Sul
Estrutura regionalizada concentra atendimentos nas UNACON e fortalece o acesso ao tratamento
Publicado em 30/12/2025 11:23 - Semana On
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A assistência oncológica integra o conjunto de ações mais complexas e estratégicas do SUS (Sistema Único de Saúde), por exigir serviços altamente especializados, organização em rede e articulação permanente entre os diferentes níveis de atenção. Em Mato Grosso do Sul, esse cuidado é estruturado e coordenado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) de forma regionalizada e integrada, com foco na ampliação do acesso, na continuidade do tratamento e na integralidade da atenção às pessoas com câncer, em consonância com as diretrizes da política nacional de saúde.
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No estado, a assistência oncológica é garantida por uma rede estadual composta, majoritariamente, por unidades habilitadas como UNACON (Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia), responsáveis pela realização dos principais procedimentos oncológicos no âmbito do SUS.
Dados oficiais dos sistemas SIA/SIH-SUS, referentes à produção ambulatorial e hospitalar em oncologia no ano de 2025, mostram que as UNACON concentram 99% de toda a produção oncológica registrada em Mato Grosso do Sul. Os demais hospitais respondem por apenas 1% do total, com atuação restrita à realização de algumas cirurgias oncológicas, o que evidencia o papel central das unidades especializadas na estrutura da rede estadual.
Entre as UNACON, o Hospital do Câncer de Campo Grande – Alfredo Abrão se destaca como a unidade com maior volume de atendimentos, com 17.325 procedimentos oncológicos realizados, o equivalente a 36% da produção estadual. Em seguida, aparece o Hospital Cassems – Unidade Dourados, responsável por 20% dos atendimentos. A Santa Casa de Campo Grande e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul concentram, cada um, 16% da produção. Já o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, de Três Lagoas, responde por 7% dos atendimentos, enquanto a Santa Casa de Corumbá representa 3% da produção oncológica no estado.
Os dados apresentados são parciais e correspondem ao período até outubro de 2025. As informações contemplam procedimentos dos subgrupos de tratamento em oncologia e cirurgia em oncologia, com base nas APACs (Autorizações de Procedimentos de Alta Complexidade) aprovadas, instrumento oficial do Ministério da Saúde utilizado para o monitoramento da produção oncológica no SUS.
Para a gerente de Atenção à Oncologia da SES, Michele Martins, os números refletem a consolidação de um modelo de cuidado baseado na organização em rede e na atuação integrada dos serviços especializados. “Quando analisamos a produção oncológica no estado, fica evidente o papel estratégico das UNACON na garantia do acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além da continuidade do cuidado ao longo de toda a linha de atenção. Esse trabalho articulado é fundamental para assegurar um atendimento mais resolutivo e humanizado à população”, destaca.
Os números evidenciam não apenas a relevância individual de cada unidade, mas, sobretudo, a importância da atuação articulada das UNACON na garantia do acesso aos serviços, na continuidade do cuidado e na integralidade da atenção oncológica à população sul-mato-grossense, reforçando o compromisso do Estado com o fortalecimento da rede e a transparência das informações em saúde.
Núcleo estadual qualifica assistência no SUS de MS
Criado em 2025, o NEGESP (Núcleo Estadual de Gestão e Estratégia de Segurança do Paciente) passou a integrar a estrutura da gestão estadual de saúde de Mato Grosso do Sul como uma instância estratégica dedicada ao fortalecimento da segurança do paciente no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde).
Instituído pela Resolução Conjunta SES/FUNSAU nº 02, de 17 de fevereiro de 2025, o núcleo atua como unidade de apoio à SES (Secretaria de Estado de Saúde), com foco na qualificação da tomada de decisões, na redução de riscos assistenciais e no fortalecimento da cultura de segurança em toda a RAS (Rede de Atenção à Saúde).
Desde sua criação, o NEGESP tem como missão aproximar a alta gestão, os serviços de saúde e os profissionais, promovendo práticas baseadas em evidências, monitoramento sistemático de indicadores e a melhoria contínua da qualidade assistencial. Entre suas atribuições estão a proposição de políticas e diretrizes, o apoio técnico em eventos críticos e emergenciais, a capacitação permanente das equipes, a implementação de ferramentas de gestão e a atuação preventiva na identificação e mitigação de riscos que possam comprometer a segurança do cuidado.
Ao longo de 2025, o núcleo consolidou sua atuação ao coordenar ações estratégicas voltadas à segurança do paciente, priorizando uma abordagem educativa, integrada e orientada à qualificação dos processos assistenciais. Essa atuação transversal contribuiu para fortalecer a segurança do paciente como componente estruturante das políticas públicas de saúde no estado.
Para a coordenadora do NEGESP, Eduarda Tebet, a criação do núcleo representa um avanço na organização da gestão da segurança do cuidado. “O NEGESP tem o papel de aproximar as decisões estratégicas da prática assistencial. A segurança do paciente é uma construção coletiva, que envolve gestão, profissionais, serviços, pacientes e familiares. O compartilhamento do conhecimento amplia a rede de proteção, fortalece o cuidado e contribui para a redução de eventos adversos”, destacou.
A atuação do NEGESP também teve espaço em debates nacionais. Em setembro, experiências desenvolvidas em Mato Grosso do Sul foram apresentadas durante reunião do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), em Brasília, que reuniu coordenadores de núcleos de segurança do paciente de diferentes estados. Na ocasião, foram discutidas estratégias para qualificar o cuidado materno e neonatal no SUS, com ênfase na integração entre regulação, atenção primária e vigilância em saúde.
Entre as ações estruturantes em desenvolvimento estão o apoio à criação e ao fortalecimento dos núcleos municipais de segurança do paciente, a publicação do regimento interno do NEGESP, a articulação de um plano unificado de educação permanente, o fomento às Casas da Gestante, Bebê e Puérpera e a participação nos comitês de mortalidade materno-infantil.
Ao final de seu primeiro ano de atuação, o NEGESP reafirma a segurança do paciente como eixo permanente da gestão pública de saúde. A experiência de Mato Grosso do Sul evidencia que a qualificação de processos, o monitoramento de indicadores, a capacitação contínua e a integração entre gestão, profissionais e usuários são elementos fundamentais para fortalecer o SUS e ampliar a segurança do cuidado à população sul-mato-grossense.
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