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Mato Grosso do Sul

O último tucano no poder

Riedel equilibra críticas a Lula, acenos a Bolsonaro e indefinição partidária

Publicado em 23/06/2025 11:33 - Semana On

Divulgação

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Último governador do PSDB no país, Eduardo Riedel, que comanda o Mato Grosso do Sul, vive uma encruzilhada política. A pouco mais de um ano do início da campanha eleitoral de 2026, o tucano acumula altos índices de aprovação – mais de 75%, segundo pesquisas recentes – enquanto ensaia movimentos que podem redesenhar seu futuro político e o próprio mapa da centro-direita brasileira.

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À frente de um estado cuja economia é impulsionada pelo agronegócio e pelo turismo, Riedel faz questão de exibir um discurso liberal na economia e pragmático na política. Crítico da política fiscal do governo Lula (PT), especialmente do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o governador defende que o país precisa, com urgência, de uma agenda de reformas estruturantes.

“O Brasil veio resolvendo seu problema fiscal em cima de aumento de tributos, e acredito que não há mais espaço para isso. Precisamos liderar uma agenda de reformas, de reestruturação do gasto, para poder resolver o problema fiscal”, afirmou Riedel em entrevista à revista Veja.

Economia estadual como vitrine

O governador usa Mato Grosso do Sul como exemplo. Mesmo com os efeitos da reforma tributária — que, segundo ele, prejudica estados cuja economia é baseada no consumo —, manteve a menor alíquota de ICMS do Brasil, fixada em 17%.

“Aqui, não aumentamos impostos. O caminho é enfrentar o problema pela gestão, pela melhoria da qualidade do gasto, sem penalizar o contribuinte”, disse.

Apesar das críticas contundentes à política econômica do governo federal, Riedel faz questão de separar os embates políticos da gestão administrativa. Ele tem participado ativamente de agendas com o governo Lula, incluindo cerimônias para lançamento de obras de reforma de aeroportos no estado, contratos do programa “Minha Casa, Minha Vida” e o Fórum Participativo “Diálogos para Construção da Estratégia Brasil 2050”.

“A gente separa muito bem a crítica como oposição do governo federal da boa agenda propositiva que o presidente lidera em relação ao Mato Grosso do Sul. Trabalhamos diretamente com os ministros nesses projetos”, declarou o governador.

Entre as obras prioritárias estão a construção da ponte e da pista de acesso da Rota Bioceânica, o anel viário de Três Lagoas e a chamada Rota da Celulose.

No radar da direita

Se de um lado mantém o diálogo institucional com Lula, do outro, Riedel estreita laços com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com partidos do campo conservador. O alinhamento começou ainda em 2022, quando buscava a sucessão do ex-governador tucano Reinaldo Azambuja, e ganhou força nas eleições municipais deste ano, com o apoio de Bolsonaro à candidatura do deputado Beto Pereira (PSDB) à prefeitura de Campo Grande.

O acerto incluiu, como contrapartida, a ida de Azambuja para o PL e a indicação da coronel da Polícia Militar Neidy Nunes Barbosa, do partido de Bolsonaro, para a vaga de vice na chapa.

O próprio Riedel tem defendido publicamente bandeiras associadas ao bolsonarismo, como a anistia parcial aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. No mês passado, em publicação nas redes sociais, criticou o que chamou de “excessos do atual momento” e pediu o fim dos “confrontos ideológicos”.

Flerte com várias legendas

Cortejado por PL, Progressistas (PP), PSD e Republicanos, além do próprio PSDB, o governador evita, por enquanto, bater o martelo sobre uma possível mudança de partido. Nas palavras dele, é tempo de “ouvir e conversar com todos”. A decisão deve ficar para 2026, na janela partidária de abril.

“O PSDB está em um caminho de consolidação de conversas com outros partidos que pode resultar numa força política importante. É fundamental que haja diálogo com partidos do mesmo espectro ideológico, que possam formar uma nova força política no cenário brasileiro”, afirmou.

O fracasso da tentativa de fusão entre PSDB e Podemos, que poderia ter dado fôlego à legenda tucana, reforçou a busca por alternativas.

Eleições 2026 no horizonte

Riedel também projeta o cenário para a disputa presidencial de 2026. Mesmo inelegível, Jair Bolsonaro, segundo o governador, seguirá como uma das principais referências da direita.

“Se o presidente Bolsonaro continuar inelegível, ele ainda é uma grande liderança da centro-direita. Seu apoio será extremamente relevante”, avaliou.

O governador também não descarta uma eventual candidatura da senadora Tereza Cristina (PP), sua aliada de longa data, à Presidência da República.

“A Tereza é uma candidata a presidente da República. É um nome altamente qualificado, preparadíssima, que está dando uma grande contribuição ao Brasil. Tem todas as condições de assumir qualquer candidatura majoritária nacional”, disse.

Em meio a elogios à gestão estadual, críticas à política econômica de Lula e acenos ao bolsonarismo, Riedel ensaia seus próximos passos. A equação que tenta resolver — se permanece como o último bastião tucano no poder ou se migra para uma nova sigla — poderá ter impacto não apenas no futuro político de Mato Grosso do Sul, mas também na reorganização da centro-direita no Brasil.

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