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Mato Grosso do Sul

O último no ninho

Filiação de Riedel ao PP insere-se nas alianças locais e nacionais para 2026

Publicado em 19/08/2025 9:32 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O PSDB se prepara para assistir à saída de seu último governador em exercício. Eduardo Riedel, à frente do governo de Mato Grosso do Sul — o último reduto tucano no país — assinará nesta terça-feira (20), em Brasília, sua filiação ao Progressistas (PP). A mudança será oficializada durante a convenção nacional do partido, no Senado Federal, onde Riedel já assumirá uma das vice-presidências da Executiva Nacional, ao lado da senadora Tereza Cristina, que comanda a sigla no estado.

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A decisão foi antecipada na segunda-feira (18), em coletiva de imprensa. Riedel já havia comunicado pessoalmente o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, durante um almoço em Campo Grande, reunindo também os três deputados federais do partido e o ex-governador Reinaldo Azambuja, atual presidente estadual da legenda. Azambuja, por sua vez, também deve deixar o PSDB: tem planos de se filiar ao PL em setembro, mirando um reforço à reeleição de Riedel em 2026.

A saída de Riedel encerra um ciclo: ele era o único governador tucano remanescente, após as desfiliações de Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE), que também abandonaram o ninho nos últimos meses.

Capilaridade e estratégia eleitoral pesaram na escolha pelo PP

Apesar de ter sido cortejado por Gilberto Kassab, presidente do PSD, Riedel optou pelo PP devido à maior capilaridade no Mato Grosso do Sul. A sigla já governa a capital, Campo Grande, com a prefeita Adriane Lopes — aliada próxima de Tereza Cristina — e conta com 16 prefeituras no estado. “Estamos muito felizes com a vinda do governador. Isso só fortalece a nossa parceria por Campo Grande”, afirmou Lopes.

O PSDB, apesar da debandada de suas principais lideranças estaduais, segue como a maior força municipal do estado, administrando 44 das 79 prefeituras. Além disso, tem presença expressiva na Assembleia Legislativa e uma base composta por cerca de 300 vereadores e dezenas de prefeitos, conforme destacou Perillo. “É uma estrutura robusta, com muita musculatura. Essa base continuará sob a liderança local, com apoio do governador e do ex-governador”, afirmou, minimizando o impacto político da saída de Riedel.

PSDB tenta reagir mirando 2026

Mesmo com o esvaziamento nas instâncias executivas, o PSDB planeja reforçar sua bancada federal no Mato Grosso do Sul em 2026. Atualmente com três deputados federais, a meta é manter esse número e, se possível, ampliar para quatro ou cinco parlamentares. “Vamos garantir apoio total aos deputados com o fundo eleitoral e suporte institucional. O caminho é esse: consolidar a reeleição dos três e buscar eleger mais um ou dois”, afirmou Perillo.

A promessa é manter a presença do partido no estado por meio de sua estrutura consolidada, ainda que sem um nome no comando do Executivo.

Alinhamento com o PSD e as costuras para 2026

Mesmo deixando de se filiar ao PSD, Riedel sinalizou manter alinhamento político com o partido nacionalmente. O governador comprometeu-se a apoiar o bloco que Kassab tenta articular para a eleição presidencial de 2026. No radar do PSD estão nomes como Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (RS), mas o partido também mantém diálogo com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), possível aposta bolsonarista para a disputa ao Planalto.

A movimentação de Riedel, portanto, não é apenas local. Ela insere-se num xadrez mais amplo que começa a desenhar alianças para 2026 — ano em que o atual governador sul-mato-grossense tentará a reeleição em novo partido, com nova estrutura, mas velhas alianças.

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