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Mato Grosso do Sul

O fator Simone

Ministra anuncia candidatura ao Senado por São Paulo e mostra força na disputa

Publicado em 12/03/2026 4:08 - Semana On

Divulgação REUTERS/Adriano Machado

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB-MS), confirmou nesta quinta-feira (12) que pretende disputar uma das duas vagas ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, realizado em Campo Grande (MS), onde a ministra conversou com jornalistas.

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Segundo Tebet, a decisão implica sua saída do governo federal nas próximas semanas. Embora a data exata ainda não esteja definida, a expectativa é formalizar a desincompatibilização do cargo até o final de março.

Ao explicar a escolha de concorrer por São Paulo, a ministra destacou sua relação política e acadêmica com o estado. “São Paulo é atravessar um rio, atravessar uma ponte. Foi onde fiz meu mestrado e onde tive projeção política”, afirmou. Para Tebet, a candidatura faz parte de um projeto que considera “importante para o Brasil”.

Conversas com Lula e Alckmin

A possível candidatura vinha sendo discutida nos bastidores do governo. Tebet relatou que manteve conversas recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) sobre o cenário eleitoral de 2026.

Apesar disso, a ministra ainda não definiu se permanecerá no MDB ou se migrará para o PSB, partido de Alckmin, hipótese que vem sendo ventilada por aliados políticos.

Segundo Tebet, o convite para disputar o Senado amadureceu ao longo dos últimos meses. Ela afirmou que foi estimulada por lideranças políticas a assumir um papel mais ativo na próxima eleição nacional. Ao analisar os resultados da eleição presidencial de 2022, a ministra disse ter constatado que São Paulo foi o estado onde recebeu a maior votação proporcional.

Decisão pessoal e apoio familiar

Tebet também relatou um episódio que considera decisivo para aceitar a candidatura. Em 27 de janeiro, durante uma viagem oficial ao Panamá, teve uma conversa informal com Lula sobre política e eleições. Na ocasião, o presidente sugeriu que ela considerasse disputar o Senado por São Paulo.

O pedido formal, segundo a ministra, ocorreu em 3 de fevereiro, após conversas também com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Apesar da pressão política, Tebet disse que levou em conta fatores pessoais antes de dar a resposta final. “Eu precisava das bênçãos da minha mãe”, afirmou, explicando que a família esperava que ela retornasse ao Mato Grosso do Sul para ficar mais próxima de casa.

Pesquisas indicam viabilidade eleitoral

Levantamentos recentes apontam que Tebet poderia entrar competitiva na disputa pelo Senado em São Paulo. Pesquisa do Datafolha divulgada nesta semana mostra a ministra com 25% das intenções de voto em dois cenários simulados.

Nos dois casos, ela aparece atrás apenas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) — ambos, contudo, não devem disputar a vaga. Haddad é cotado para concorrer ao governo paulista, enquanto Alckmin tende a repetir a chapa presidencial com Lula como candidato a vice.

No levantamento, Tebet supera nomes conhecidos da política paulista, como Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede), Guilherme Derrite (PP), Guilherme Boulos (PSOL) e Ricardo Salles (Novo).

A pesquisa ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o estudo foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-06798/2026 e SP-04136/2026.

Outro levantamento, realizado pelo instituto Real Time Big Data, também indica competitividade da ministra. Em diferentes cenários testados, Tebet aparece liderando ou empatada tecnicamente na disputa pelo Senado, com percentuais entre 16% e 20%, dependendo da composição de candidatos.

Trajetória política

Nascida em Três Lagoas (MS), Simone Tebet é filha do ex-governador e ex-senador Ramez Tebet. Mestre em Direito do Estado e professora universitária, construiu sua carreira política no MDB, partido ao qual é filiada desde os anos 1990.

Foi deputada estadual em Mato Grosso do Sul e, em 2004, tornou-se a primeira mulher eleita prefeita de Três Lagoas, sendo reeleita quatro anos depois.

Em 2011 assumiu o cargo de vice-governadora de Mato Grosso do Sul, na chapa de André Puccinelli, período em que também ocupou a Secretaria Estadual de Governo.

Três anos depois, foi eleita senadora pelo estado, mandato no qual ganhou projeção nacional. Em 2019, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Também integrou a CPI da Covid em 2021.

Na eleição presidencial de 2022, Tebet foi candidata pelo MDB e terminou em terceiro lugar, com 4,9 milhões de votos (4,16%).

Do apoio a Lula ao ministério

Após o primeiro turno da eleição de 2022, Tebet declarou apoio a Lula, movimento considerado relevante para ampliar a frente política que derrotou o então presidente Jair Bolsonaro no segundo turno.

A senadora participou da equipe de transição na área de desenvolvimento social e, em dezembro daquele ano, foi anunciada como ministra do Planejamento e Orçamento no novo governo.

Inicialmente, seu nome chegou a ser cogitado para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, área com a qual dizia ter afinidade. Acabou, no entanto, assumindo a pasta responsável pela coordenação do planejamento orçamentário federal.

Agora, ao se preparar para deixar o cargo e entrar na corrida eleitoral de 2026, Tebet tenta transferir sua projeção nacional para o maior colégio eleitoral do país — movimento que poderá redesenhar o tabuleiro político paulista nos próximos anos.

MS é apontado como exemplo de planejamento para gestão pública e desenvolvimento


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