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Mato Grosso do Sul

Número de mulheres assassinadas cresce em MS, aponta Atlas da Violência

Feminicídios no Estado tiveram aumento de 18,75% entre 2023 e 2024

Publicado em 27/05/2026 9:00 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Mato Grosso do Sul registrou aumento nos assassinatos de mulheres entre 2023 e 2024, contrariando a tendência nacional de redução observada no mesmo período. Os dados constam no Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

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De acordo com o levantamento, o número de mulheres vítimas de homicídio no Estado passou de 48, em 2023, para 57 em 2024 — crescimento de 18,75% em apenas um ano. Paralelamente, os casos classificados como feminicídio também avançaram. Informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) apontam que os registros subiram de 30 para 35 no período.

O cenário estadual destoa do panorama nacional. Enquanto Mato Grosso do Sul apresentou alta nos assassinatos de mulheres, o Brasil registrou redução de 6,7% nesse tipo de crime entre 2023 e 2024. Além de Mato Grosso do Sul, apenas outros seis estados tiveram crescimento nos homicídios femininos: Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima.

Apesar da elevação nas mortes de mulheres, Mato Grosso do Sul apresentou queda no total geral de homicídios. O Estado ocupou a 21ª posição no ranking nacional em 2024, com 519 assassinatos registrados ao longo do ano. O número representa redução de 11,1% em relação a 2023, desempenho superior à média nacional, que recuou 6,9%.

Os dados também revelam forte concentração das maiores taxas de homicídio em municípios do interior sul-mato-grossense. Sonora lidera o ranking estadual, com taxa de 74,2 homicídios por 100 mil habitantes. Em números absolutos, a cidade contabilizou 11 mortes em 2024 para uma população estimada em 14.822 moradores. No ranking nacional, o município aparece na 110ª posição.

Na sequência figuram Iguatemi, com taxa de 57,1 homicídios por 100 mil habitantes; Angélica e Taquarussu, ambas com 53,6; Antônio João, com 51,9; Japorã, com 47,6; Paranhos, com 45; Juti, com 42,8; Brasilândia, com 42,2; e Coronel Sapucaia, com 40,9.

Especialistas alertam, no entanto, que a análise proporcional exige cautela em cidades de pequeno porte. Em municípios com baixa população, poucos casos podem inflar significativamente as taxas. Taquarussu, por exemplo, aparece entre os índices mais elevados do Estado mesmo tendo registrado apenas dois homicídios em 2024, consequência direta do contingente populacional reduzido, estimado em 3.730 habitantes.

Quando o recorte considera números absolutos, Campo Grande concentra a maior quantidade de homicídios do Estado. A capital registrou 175 assassinatos em 2024, o maior total sul-mato-grossense. Ainda assim, a taxa proporcional ficou em 18,3 homicídios por 100 mil habitantes — abaixo da média nacional, de 20,1.

Depois da capital, os maiores volumes de homicídios foram registrados em Dourados, com 42 casos; Três Lagoas, com 23; Corumbá, com 22; Ponta Porã, com 21; e Sidrolândia, com 15 ocorrências. Embora concentrem parte expressiva dos assassinatos no Estado, esses municípios não necessariamente aparecem entre as maiores taxas proporcionais.

Ao todo, 28 cidades de Mato Grosso do Sul encerraram 2024 com índices iguais ou superiores à média nacional de homicídios, fixada em 20,1 por 100 mil habitantes. Mundo Novo aparece exatamente nesse patamar, com quatro registros no ano.

Acima da média nacional estão municípios como Sonora, Iguatemi, Angélica, Taquarussu, Antônio João, Japorã, Paranhos, Juti, Brasilândia, Coronel Sapucaia, Tacuru, Chapadão do Sul, Sete Quedas, Douradina, Sidrolândia, Itaporã, Bela Vista, Amambai, Ribas do Rio Pardo, Cassilândia, Inocência, Corumbá, Ponta Porã, Coxim, Naviraí e Jardim.

Na extremidade oposta do levantamento, 15 municípios sul-mato-grossenses não registraram homicídios ao longo de 2024. A lista inclui Água Clara, Alcinópolis, Anaurilândia, Aparecida do Taboado, Bandeirantes, Corguinho, Figueirão, Jaraguari, Jateí, Novo Horizonte do Sul, Paraíso das Águas, Rio Negro, Rochedo, Santa Rita do Pardo e Selvíria.

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