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Mato Grosso do Sul

Nova faixa de isenção do IR beneficia 163 mil em MS

Com novas regras já válidas para 2026, medida amplia justiça fiscal, mas exige compensações

Publicado em 02/12/2025 10:46 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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Quase 163 mil contribuintes de Mato Grosso do Sul deixarão de pagar Imposto de Renda a partir de 2026, com a ampliação da faixa de isenção para salários de até R$ 5 mil mensais. Outros 82 mil moradores do estado, com rendas entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil, também serão beneficiados com descontos progressivos. As novas regras foram sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e já entram em vigor para a declaração do próximo ano.

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A medida altera significativamente o perfil dos declarantes no estado. Segundo dados do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal (CETAD), o número de pessoas isentas saltará de 229,6 mil para 392,6 mil — um aumento de mais de 70% na base de contribuintes dispensados do imposto. A alteração na faixa de isenção era uma das promessas de campanha de Lula e se insere no esforço do governo federal para aliviar a carga tributária da classe trabalhadora.

Redistribuição e compensação

Para evitar perda de arrecadação e garantir equilíbrio fiscal, a legislação aprovada estabelece contrapartidas. O foco agora se volta para as camadas de maior renda: cerca de 140 mil brasileiros que recebem mais de R$ 600 mil por ano passarão a pagar uma alíquota adicional de até 10% sobre seus rendimentos — uma cobrança progressiva que incide sobre rendas elevadas, sem afetar quem já contribui nessa faixa ou acima dela.

Esse tipo de estratégia segue a lógica da progressividade tributária, prevista no artigo 145 da Constituição Federal, e resgata o debate sobre justiça fiscal no Brasil, historicamente marcado por isenções e brechas que favorecem os mais ricos. Como destacou o economista Sérgio Gobetti, pesquisador do Ipea, “o sistema tributário brasileiro é regressivo porque sobrecarrega o consumo e a renda do trabalho, enquanto alivia o capital”.

A nova lei corrige parcialmente essa distorção ao preservar os rendimentos de origem trabalhista de baixa renda e taxar com mais intensidade os rendimentos elevados. No entanto, a medida mantém algumas exceções: ganhos de capital, heranças, doações, aplicações isentas, poupança, aposentadorias por moléstia grave e indenizações seguem fora do alcance do novo teto de tributação.

Impacto fiscal e travas para o excesso de cobrança

A nova legislação também estabelece travas para evitar que a carga tributária total ultrapasse limites considerados razoáveis. Em especial, define que a soma dos impostos pagos por empresas e pessoas físicas não deve exceder determinados percentuais, com direito à restituição caso isso ocorra. Essa salvaguarda atinge principalmente empresas do setor financeiro, que tradicionalmente operam com margens tributárias mais elevadas.

Com essas medidas, o governo busca manter a arrecadação sem comprometer os serviços públicos e sem ampliar o déficit fiscal. O Ministério da Fazenda aposta em uma redistribuição mais justa da carga tributária, sem ampliar a base de contribuintes, mas sim tornando o sistema mais equitativo.

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