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Mato Grosso do Sul
Novo edital da Malha Oeste reforça ferrovia como prioridade estratégica no Estado
Publicado em 04/12/2025 12:54 - Semana On
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Como resultado das ações de infraestrutura e desenvolvimento regional do Governo de Mato Grosso do Sul, aliadas ao avanço das obras de conclusão da Rota Bioceânica, a cidade sul-mato-grossense de Porto Murtinho vai receber um porto multifuncional, conforme anunciado pela delegação argentina da província de Entre Ríos que visitou na quarta-feira (3) o governador Eduardo Riedel e o secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
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No encontro, realizado na sala de reuniões da Governadoria sul-mato-grossense, foi formalizada a entrega do licenciamento ambiental e da licença de instalação para construção do porto multifuncional em Porto Murtinho, que tem um investimento previsto na ordem dos R$ 180 milhões, segundo explica Verruck. A empresa que fará o aporte é a PTP Group, devendo iniciar as obras já no próximo ano. Assim que pronto este empreendimento, o município murtinhense deve somar três portos em operação.
“A gente chama [o porto] de multiuso, então ele vai trabalhar com fertilizantes, grãos e com containers. A hidrovia é uma conexão com a Rota Bioceânica. Então, a gente tem que olhar a Rota e essa potencialidade também da hidrovia. É mais um investimento que está vindo para o Estado, em Porto Montinho, e nessa transição logística que o Mato Grosso Sul passa”, disse Verruck.
O projeto vai contribuir para transformar a região em um grande hub logístico, integrando uma gama de empreendimentos do mesmo PTP Group, maior operador no rio Paraguai. O grupo ainda conta com uma série de portos em países como Paraguai, Argentina, Uruguai, Espanha e o próprio Brasil.
“A PTP é uma empresa portuária que opera em toda a hidrovia, na Argentina e Uruguai. E agora vai fazer um investimento no Brasil. A hidrovia só funciona se nós tivermos estrutura portuária. E a gente começaria essa relação entre Mato Grosso do Sul e Entre Ríos, que vai ser uma base de entrada de produtos, e esse é o grande foco da hidrovia. Nós temos muita coisa na exportação, como minério e grãos, então a ideia é aumentar o fluxo de entradas de mercadorias também para o Brasil, se conectando à Rota Bioceânica”, complementa Verruck, que segue.
“A estruturação dessa hidrovia é positiva, e a curto prazo é mais investimento e uma estrutura portuária, de uma empresa já consolidada no âmbito da hidrovia”, finaliza.
Com foco na expansão portuária, o Governo de Mato Grosso do Sul já planejava incrementar as operações na região, tendo como principal norte a Rota Bioceânica e o diferencial da ligação rodoviária e hidroviária. “Então todo o circuito passa a ser mais competitivo, mais barato para o produtor, que vai ter a possibilidade de ter melhor preço para seus grãos e comprar os fertilizantes mais barato que com as opções atuais”, disse o CEO da PTp Group, Guillermo Misiano.

Ponte Bioceânica
A ponte binacional da Rota Bioceânica e aos acessos nos dois lados da fronteira, entre a cidade brasileira de Porto Murtinho e a paraguaia Carmelo Peralta, está com obras em execução. O empreendimento é considerado estratégico para a integração sul-americana aos mercados asiáticos, por meio dos portos do Chile, no Pacífico.
No lado brasileiro, avança também a construção do acesso que ligará a BR-267 à ponte. Essa obra federal está orçada em R$ 472 milhões. Além da alça de 13,1 km, que ligará a rodovia à ponte, também está sendo construído o contorno rodoviário em Porto Murtinho e o Centro Aduaneiro, que fará o controle do acesso entre o Brasil e o Paraguai. O prazo de conclusão é de 26 meses.
Em uma viagem para a China, por exemplo, pode-se reduzir o tempo em 23%, cerca de 12 a 17 dias a menos. Diante dessa realidade, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, reforçou a importância estratégica do empreendimento para os dois países e para toda a região.
A principal obra da estrada que ligará o Brasil ao Chile já tem 80% dos trabalhos concluídos. Mais de 400 trabalhadores atuam no canteiro de obras, que deve ser finalizado até o primeiro semestre de 2026. Construída entre Porto Murtinho e a paraguaia Carmelo Peralta, a ponte é executada por consórcio binacional, com investimento de R$ 575,5 milhões (US$ 93 milhões), financiado pela administração paraguaia da Itaipu.
Em Porto Murtinho, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém ainda investimentos robustos de cerca de R$ 80 milhões da atual gestão em obras de infraestrutura, saúde e educação.
“Nós temos duas vertentes de desenvolvimento, a Rota Bioceânica e o rio Paraguai. E esses grandes empresários argentinos estão vendo isso, e olhando que o Mato Grosso é muito importante nesse cenário nacional juntamente com este novo corredor”, afirmou o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra.

Novo edital da Malha Oeste reforça ferrovia como prioridade estratégica no Estado
A Ferrovia Malha Oeste voltou ao centro da agenda nacional de infraestrutura. Incluída pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT no calendário de concessões de 2026, com abertura de edital em abril e leilão previsto para julho, a ferrovia que corta 600 quilômetros de Mato Grosso do Sul ganha um novo fôlego após uma década de impasses regulatórios e tentativas frustradas de repactuação.
O avanço integra a primeira Política Nacional de Concessões Ferroviárias e uma carteira inédita de projetos logísticos, que prevê quase R$ 290 bilhões em investimentos em ferrovias e rodovias no próximo ano.
A retomada da Malha Oeste marca um dos movimentos mais significativos do novo ciclo logístico anunciado pelo governo federal em 25 de novembro. Considerada vital para a competitividade de Mato Grosso do Sul, a ferrovia conecta Corumbá (MS) a Mairinque (SP) e tem estimativa de R$ 35,7 bilhões em obras, além de R$ 53,5 bilhões durante a operação.
Para o secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia de Inovação (Semadesc), a definição do cronograma representa “um avanço estratégico para o futuro logístico de Mato Grosso do Sul”, após anos de tratativas, interrupções e impasses no Tribunal de Contas da União.
Segundo o secretário, a definição do cronograma nacional coloca a Malha Oeste como prioridade. “Nos últimos dez anos, o Governo do Estado trabalhou intensamente para garantir a retomada da concessão da ferrovia. Houve avanços, retrocessos, propostas não aceitas pelo TCU e interrupções. Agora, finalmente, temos um novo caminho. Com o anúncio do Ministério dos Transportes, a Malha Oeste aparece como a segunda ferrovia do cronograma de concessões, com leilão previsto já para julho do próximo ano, e isso é extremamente positivo. A logística ferroviária está no centro da estratégia de competitividade de Mato Grosso do Sul”, afirmou.
A nova Política Nacional de Concessões Ferroviárias, construída pela ANTT e pelo Ministério dos Transportes, inaugura uma diretriz de Estado para o setor. O conjunto de ações moderniza regras, fortalece a segurança jurídica, aprimora a governança e adota modelos inovadores de financiamento, condições essenciais para destravar projetos estruturantes como a Malha Oeste.
No total, os empreendimentos ferroviários previstos somam mais de 9 mil quilômetros de novos trilhos e até R$ 600 bilhões potencialmente movimentados ao longo da vigência dos contratos.
Para Mato Grosso do Sul, a nova concessão representa mais do que a recuperação de um ativo degradado: abre a possibilidade de transformar o corredor de exportações do Estado, ampliando a eficiência do escoamento de minérios, combustíveis, celulose e demais cargas de alto volume.
“A Malha Oeste é decisiva para nosso desenvolvimento econômico. Reduz custos, amplia alternativas logísticas e fortalece a capacidade do Estado de competir globalmente”, finalizou Jaime Verruck.
Com o novo ciclo de concessões, o governo federal também prevê a expansão de projetos rodoviários, com 13 leilões em 2026 que preveem investimentos de R$ 148 bilhões investimentos, além da ampliação de iniciativas sustentáveis e de segurança para o transporte de cargas e passageiros.
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