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Mato Grosso do Sul

MS tem situação climática extrema e incêndios florestais em todos os biomas

Proprietários rurais do Pantanal afetados pelos incêndios florestais devem ter condições especiais no FCO

Publicado em 23/08/2024 9:52 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Com situação climática extrema em Mato Grosso do Sul, os incêndios florestais continuam ativos no Pantanal e também ocorrem em outros biomas do Estado – Cerrado e Mata Atlântica. A condição atual do clima aumenta o risco queimadas, por conta das altas temperaturas com registros que chegam a 41°C em algumas regiões, além da baixa umidade relativa do ar em 10% e rajadas de vento de 50 km/h, favorecendo a propagação do fogo.

No Pantanal o combate aos incêndios, realizado pelo CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar) com apoio de outras forças de segurança e brigadistas, continua nas regiões do Nabileque, Urucum, Parque Estadual das Nascentes do Taquari, e na divisa com o Mato Grosso, e nos municípios de Miranda – Porto Esperança e Salobra –, Aquidauana – Taboco –, Coxim e Porto Murtinho. Também são monitoradas as áreas do Passo do Lontra, Serra do Amolar, Porto da Manga e Forte Coimbra.

Além dos diversos focos na região pantaneira, o Corpo de Bombeiros também atuou – ontem (21) – em incêndios que ocorreram em São Gabriel do Oeste, Costa Rica, Camapuã e Naviraí.

Mesmo com a previsão da chegada de uma frente fria ao estado, nos próximos dias, o alívio pode durar pouco. O meteorologista Vinicius Sperling, do CEMTEC (Centro de Monitoramento do Templo e do Clima), explicou que a mudança climática causada pela frente fria será temporária e não deve impactar de forma significativa no combate ao fogo.

“Tem o avanço de uma frente fria que deve começar a chegar na região de Porto Murtinho ainda hoje. A partir de amanhã (23) até segunda-feira (26), a frente fria favorece o aumento de nebulosidade e a queda de temperatura, com chance de chuva maior para a região de Porto Murtinho. Em Corumbá, provavelmente ocorra aumento de nebulosidade na região ou alguma garoa fraca. Com isso haverá melhora nos índices de umidade relativa do ar. O risco de fogo também vai cair, de alto e muito alto, para moderado em algumas regiões. A influência da frente de fria deve durar uns quatro dias e, a partir da terça-feira (27), a gente já deve registrar temperaturas alta de novo. Mas, temos um indicativo que podemos não chegar àquelas temperaturas de 40°C, por exemplo, que nós tivemos esta semana”, afirmou Sperling.

Outra questão apresentada pelo CEMTEC é em relação a fumaça provocada pelos incêndios no Pantanal – e em MS como um todo – que tem pouca influência de presença em outros estados do Brasil.

“A fumaça é de queimadas da região amazônica, além da Bolívia e do Paraguai. A contribuição das queimadas do Pantanal, na região oeste do Mato Grosso do Sul, é muito pequena para toda essa dinâmica de fumaça que a gente percebe sobre a América do Sul. Também, estamos tendo recordes de queimada no estado de São Paulo e Minas Gerais”, disse o meteorologista.

O nível de alerta para os incêndios florestais está relacionado à situação da seca que tem aumentado em todo o Estado – nos últimos meses, a seca moderada avançou para a seca grave.

“Nós sabemos que temos neste momento uma situação no Brasil de aumento significativo de incêndios florestais como acontece em Mato Grosso do Sul. Além do Pantanal, durante esta última semana nós tivemos uma ampliação dos incêndios florestais na área do Cerrado, no sul, norte e leste do Estado. Também aumentou o nível de preocupação e de ação do Governo, inclusive para setembro a gente manter o sistema de alerta”, explicou o secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

O alerta máximo em relação aos incêndios florestais, inclusive com ações de combate, continua devido as condições de seca no estado e a previsão de que no mês de setembro a situação deve persistir, e continuar sem previsão de chuva.

O governador, Eduardo Riedel, participou de uma reunião ministerial ontem (21) no Ministério da Casa Civil, em Brasília (DF), com a presença de sete ministros e cinco governadores de dos estados que abrigam a Floresta Amazônica e o Pantanal.

“O governador destacou nessa reunião, a importância da manutenção de recursos do Governo Federal e o apoio coordenado das Forças Armadas, e também do Ibama. Além disso, foi apresentado pelo Governo Federal, que o modelo de coordenação implantado no MS, inclusive da live, de comunicação, é um modelo que eles consideram adequado para ser replicado nas outras regiões brasileiras. O Mato Grosso do Sul conseguiu montar uma estrutura de governança, em todos os seus aspectos, adequada. Foi apresentado que este é o caminho, também, para fazer o combate a incêndios florestais em outras regiões do País”, disse Verruck.

Para a continuidade das ações de combate aos incêndios florestais, o Governo do Estado vai solicitar mais recursos ao MDR (Ministério do Desenvolvimento Regional) – que já enviou mais de R$ 13,4 milhões para execução de ações de resposta da Defesa Civil.

“Tivemos o decreto de emergência nos municípios do Pantanal e um primeiro recurso que foi utilizado para cestas básicas, aquisição de máquinas e equipamentos, aluguel de caminhonetes e horas de voo, e já foi utilizado. Ontem definimos conjuntamente com a Sejusp, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Semadesc, a solicitação de mais R$ 20 milhões dos mesmos itens para dar continuidade a esta operação. Vamos encaminhar ao MDR, a Defesa Civil Nacional, a solicitação adicional deste recurso para dar continuidade a ação de combate e também a nossa ação de distribuição de cesta básica e água no Pantanal”, explicou o secretário.

A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul realiza na próxima semana a primeira operação de auxílio aos ribeirinhos do Pantanal. A etapa será de 25 a 31 de agosto, com o atendimento de 230 famílias, num total de aproximadamente 1 mil pessoas. Além de alimentos e água, que serão distribuídos, o Governo do Estado também vai disponibilizar atendimento médico para a população da região do Taquari.

Onças Miranda e Antã

Outro trabalho que tem continuidade no Estado, é o atendimento veterinário das onças-pintadas Miranda e Antã, resgatadas em diferentes regiões do Pantanal. Os dois animais estão com as patas queimadas, mas se recuperam no CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, em Campo Grande (MS).

“A Miranda é uma fêmea de aproximadamente dois anos e o Antã é um macho de aproximadamente oito anos. A idade é estimada pela arcada dentária. Um animal que vem dessa área de incêndios chega debilitado, desidratado, desnutrido, e no caso deles, também com as queimaduras nas quatro patas”, explicou a médica-veterinária Aline Duarte, coordenadora do CRAS e do Hospital Veterinário Ayty.

Os animais estão em tratamento e hoje (22) vão passar por novo atendimento para fazer os curativos nas patas. A equipe trabalha para que a recuperação de ambos ocorra de maneira rápida para que sejam devolvidos a natureza. A previsão é de que Miranda se recupere em até 30 dias, já Antã tem uma situação mais delicada e poderá voltar ao bioma em até dois meses.

“A Miranda passou por um processo de check-up no sábado (17) de manhã. E o Antã passou pelo mesmo processo na segunda-feira (19). Tudo é feito com o animal sedado, aí é feita na analgesia para dor. A gente fez a pesagem, raio-x, ultrassom, coleta para exames de sangue. E nas patas, para as feridas, é feito ozônio, laser e uma pomada específica. Aí depois é colocado nesse curativo, para elas não terem acesso as patas, não ficarem lambendo e por isso elas ficam com as botinhas”, concluiu Aline.

Além das onças, os profissionais do CRAS também atendem um filhote de veado e monitora um filhote de anta, que está Bonito.

Proprietários rurais do Pantanal afetados pelos incêndios florestais devem ter condições especiais no FCO

Os proprietários rurais do Pantanal de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso cujas propriedades foram impactadas pelos incêndios florestais recentes deverão ter condições especiais na obtenção de crédito junto ao FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) para recuperação econômica e ambiental de suas áreas.

A medida, solicitada pelo governador Eduardo Riedel e reforçada pela própria Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste), foi validada em reunião online realizada na tarde de quarta-feira (21) com a participação dos representantes das administrações estaduais e do setor produtivo do Centro-Oeste, além dos órgãos federais que integram o Condel (Conselho Deliberativo do Desenvolvimento do Centro-Oeste), órgão gestor da Sudeco.

Agora, a minuta segue para aprovação final na próxima Reunião Ordinária do Condel, a ser realizada em 21 de setembro, em Brasília (DF).

“Muitos proprietários rurais do Pantanal sofreram danos significativos em suas propriedades devido aos incêndios, como queima de cercas e pastagens. Isso leva à necessidade de recomposição dessas cercas, replantio de pastagens, e aquisição de máquinas para combate a incêndios florestais”, afirma o secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), que participou da reunião que antecede o Condel.

Segundo ele, há também uma preocupação com a retenção de matrizes (animais reprodutores). “Muitos produtores, por falta de pastagem, estão se desfazendo de seus rebanhos. Isso poderia ter um impacto negativo de longo prazo na pecuária, especialmente na produção de bezerros, que é relevante para a economia local”, acrescenta o titular da Semadesc.

Para ter acesso a essa linha de crédito especial, os interessados devem comprovar que suas propriedades sofreram danos significativos devido aos incêndios florestais. O financiamento abrange investimentos em recuperação de pastagens, infraestrutura rural, compra de insumos e outras atividades necessárias para a retomada da produção.

“Os prazos e as condições de pagamento são bastante atrativos, com taxas em média de 6% ao ano, compatíveis com as condições de mercado”, lembra o secretário.

Os beneficiários podem contar com um prazo de até 12 anos para quitar o financiamento, incluindo um período de carência de até três anos. As taxas de juros para essa linha especial são subsidiadas. A variação das taxas depende do enquadramento do produtor, que pode se classificar como mini ou pequeno produtor, ou ainda como médio ou grande. Além disso, o financiamento pode cobrir até 100% do valor necessário para a recuperação das áreas afetadas, sem a exigência de contrapartida financeira por parte do beneficiário.


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