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Mato Grosso do Sul
Estado acumula 12 mortes pela doença em 2026, 63% dos óbitos registrados no país
Publicado em 21/04/2026 11:28 - Semana On
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O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul ganhou novo fôlego nas últimas semanas, com a inclusão de Batayporã, Ladário e Figueirão na lista de municípios em situação epidêmica. Com isso, chega a 18 o número de cidades que ultrapassaram o limite técnico de 300 casos prováveis por 100 mil habitantes — parâmetro que caracteriza epidemia. No Estado, já são mais de 6 mil casos prováveis da doença.
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Os dados mais recentes indicam aceleração significativa da transmissão em diferentes regiões. Em Paraíso das Águas, o crescimento foi o mais expressivo: a incidência saltou 190,3% em dez dias, com o acréscimo de 59 casos prováveis, praticamente triplicando o índice local. Em Corumbá, a elevação foi de 91,3%, com 424 novos registros, quase dobrando a taxa anterior.
Outros municípios também apresentam expansão relevante. Douradina registrou aumento de 86,4% na proporção entre casos e população, enquanto Sete Quedas e Dourados tiveram crescimento de 75% no mesmo intervalo. Na sequência, aparecem Costa Rica (55%), Amambai (40,5%) e Selvíria (33%), reforçando o padrão de disseminação rápida pelo território estadual.
Em contraste, há localidades onde o avanço ocorre de forma mais moderada, como Jardim (10,7%), Guia Lopes da Laguna (8%), Fátima do Sul (8,4%), Angélica (6%) e Vicentina (5%). Apenas Bonito (-1,4%) e Jateí (-15%) apresentaram redução na incidência entre os municípios classificados em epidemia.
As informações, extraídas do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde, consideram a evolução em relação a 10 de abril de 2026. Naquela data, o Estado contabilizava cerca de 4,2 mil casos prováveis e 16 cidades em situação epidêmica, o que evidencia a velocidade da progressão em um curto intervalo de tempo.
O cenário estadual também se destaca no contexto nacional. Mato Grosso do Sul lidera todos os principais indicadores relacionados à chikungunya. Com incidência de 206,7 casos por 100 mil habitantes — cerca de 15 vezes superior à média brasileira, de 13,8 — o Estado mantém a primeira posição no ranking desde o início do ano, à frente de Goiás, Rondônia, Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins e Rio Grande do Norte.
A concentração de mortes reforça a gravidade do quadro. Das 19 mortes confirmadas no Brasil, 12 ocorreram em Mato Grosso do Sul, o equivalente a 63% do total nacional. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), apenas uma das vítimas não integrava grupo de risco: um homem de 55 anos sem comorbidades. Entre os demais óbitos, nove eram idosos com mais de 60 anos e dois eram bebês. As mortes se concentram principalmente em Dourados (8), além de registros em Jardim (2), Bonito (1) e Fátima do Sul (1).
No país, há 29.386 casos prováveis da doença, dos quais 6.046 estão em território sul-mato-grossense — participação de 20,6% no total nacional, proporção que evidencia o peso da epidemia regional.
Embora alguns municípios tenham saído da classificação epidêmica, ainda permanecem próximos do limite. É o caso de Aquidauana, com incidência de 293,7 casos por 100 mil habitantes e 143 registros prováveis, além de Iguatemi (265 e 37), Maracaju (253,8 e 122) e Nioaque (269,6 e 36). Itaporã, que chegou a ser classificada em epidemia, registra atualmente 269,2 casos por 100 mil habitantes, com 68 notificações, após recuo na incidência.
Diante da escalada de casos, a vacinação começou a ser implementada. Itaporã foi o primeiro município a iniciar a imunização, com 3 mil doses de um lote inicial de 20 mil enviadas ao Estado. A campanha teve início em 18 de abril e, nesta etapa, é direcionada exclusivamente a pessoas entre 18 e 59 anos sem comorbidades. A meta local é alcançar 21,2% do público-alvo.
No âmbito estadual, Mato Grosso do Sul recebeu inicialmente 20 mil doses, com previsão de totalizar 46,5 mil. Parte dos imunizantes — cerca de 7 mil — foi destinada ao núcleo regional de Dourados. A distribuição ocorre de forma escalonada, respeitando a capacidade de armazenamento da rede de frio, para garantir a integridade das vacinas.
Paralelamente, medidas emergenciais vêm sendo adotadas para conter o avanço da doença. Além de Dourados — considerado o epicentro da epidemia —, os municípios de Jardim e Itaporã decretaram situação de emergência em saúde pública. Os decretos permitem, entre outras ações, a compra de insumos sem licitação e a contratação temporária de profissionais, como agentes de combate a endemias. Em Jardim, a normativa também autoriza o ingresso forçado em imóveis com focos do mosquito Aedes aegypti.
Em Dourados, onde a disseminação começou na Reserva Indígena e rapidamente alcançou áreas urbanas, a gravidade do cenário levou à decretação de estado de calamidade pública em saúde. A medida foi adotada diante da sobrecarga da rede de atendimento. O governo federal reconheceu a situação emergencial e destinou mais de R$ 27,5 milhões ao município para ações de enfrentamento. Além disso, equipes da Força Nacional do SUS atuaram na cidade por um mês, reforçando a resposta à crise sanitária.
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