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Mato Grosso do Sul

MS tem 15 barragens com alto risco de rompimento

Falhas estruturais e de conservação ameaçam populações e ecossistemas

Publicado em 03/07/2025 1:15 - Semana On

Divulgação Foto: Reprodução

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Um levantamento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) acende o alerta sobre a segurança de barragens em Mato Grosso do Sul: 15 delas apresentam alto risco de rompimento, segundo relatório divulgado em 2025. As estruturas, localizadas em municípios como Sidrolândia, Campo Grande e Dourados, têm falhas de conservação ou construção que colocam em risco vidas humanas, o meio ambiente e serviços essenciais. O dado chama atenção em um estado com mais de 2.600 barragens cadastradas — e levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização e a prevenção de desastres.

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De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), Mato Grosso do Sul contabiliza atualmente 2.690 barragens, das quais 223 foram incluídas apenas neste ano. Embora pouco mais da metade delas (1.397) não apresente risco significativo, 44,76% das estruturas ainda não foram classificadas, o que dificulta o planejamento preventivo por parte do poder público.

O que diferencia as 15 barragens destacadas no relatório é a constatação técnica de risco estrutural elevado — o que significa que há falhas físicas ou de manutenção que podem resultar em rompimento. Entre elas, 14 apresentam também alto ou médio potencial de causar danos, o que multiplica os impactos possíveis de um acidente. Só uma, localizada em Rio Brilhante, foi classificada como de baixo potencial de dano, apesar do alto risco estrutural.

Municípios sob alerta

A cidade de Sidrolândia lidera o ranking de risco, com três barragens sob ameaça e alto potencial de estrago. Campo Grande, capital do estado, e Dourados, o segundo maior município, aparecem com duas e uma barragens, respectivamente, também classificadas como de alto impacto potencial. Em Corumbá, localizada no Pantanal, uma estrutura sob fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM) figura na mesma categoria crítica.

Outros municípios como Rio Brilhante, Bela Vista, Água Clara, Bandeirantes e Ribas do Rio Pardo têm barragens de alto risco estrutural, com potencial de causar danos médios em caso de rompimento.

Município Número de barragens em risco Potencial de dano
Sidrolândia 3 Alto
Campo Grande 2 Alto
Dourados 1 Alto
Corumbá 1 Alto
Rio Brilhante 3 Médio (2), Baixo (1)
Bela Vista 1 Médio
Água Clara 1 Médio
Bandeirantes 1 Médio
Ribas do Rio Pardo 1 Médio

Quem fiscaliza?

A maior parte dessas barragens (14 de 15) está sob responsabilidade do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). A exceção é a barragem de Corumbá, fiscalizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o que indica a complexidade da rede de órgãos reguladores e a necessidade de articulação entre esferas estadual e federal.Quem fiscaliza?

Um problema nacional

Os alertas em Mato Grosso do Sul não são isolados. O Brasil vive uma crise crônica de segurança de barragens. Desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (2015), e da barragem da Vale em Brumadinho (2019) — tragédias que deixaram, juntas, mais de 270 mortos e danos ambientais incalculáveis —, cresceu a pressão por fiscalização mais rigorosa. A Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), instituída pela Lei nº 12.334/2010, estabelece critérios mínimos de segurança, mas enfrenta dificuldades na implementação e no monitoramento eficaz.

Um relatório da ANA de 2023 já indicava que 75% das barragens classificadas como de alto risco no país não tinham plano de segurança atualizado. A ausência de informações técnicas e de fiscalização ativa impede que ações preventivas sejam adotadas com a rapidez necessária. “O Brasil precisa urgentemente investir em monitoramento e modernização das barragens. Não se pode mais trabalhar apenas com o risco calculado, mas com a prevenção eficaz”, alertou, à época, Vinícius Benevides, especialista em gestão hídrica do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS.

Falta de transparência e prevenção

Outro problema crítico é a falta de transparência sobre as condições reais das estruturas. A classificação incompleta de mais de mil barragens em MS revela não só carência de recursos técnicos, mas também a ausência de uma política integrada de segurança e prevenção de desastres. A ANA recomenda que os dados do SNISB sejam utilizados por estados e municípios para orientar planos de contingência e evacuação, especialmente em regiões com histórico de chuvas intensas ou ocupação urbana próxima às barragens.

O relatório da ANA sobre Mato Grosso do Sul é um alerta claro: há risco real e presente de rompimentos com potencial de causar tragédias. O desafio agora é transformar esses dados em ações concretas, com fiscalização contínua, modernização de estruturas e políticas públicas transparentes. Afinal, como demonstram os desastres de Mariana e Brumadinho, quando a lama desce, não há tempo para responsabilizações tardias — há apenas perdas irreparáveis.

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