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Mato Grosso do Sul
Riedel: "Resultado de uma estratégia sólida, focada em diversificação econômica, inovação e sustentabilidade”
Publicado em 04/02/2025 8:45 - Semana On
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Mato Grosso do Sul lidera as principais projeções sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 entre os estados brasileiros. Tanto na lista do Banco do Brasil quanto da consultoria Tendências, o Estado é o primeiro colocado entre os 26 estados e o Distrito Federal. O agronegócio deve ser a principal alavacanda desse panorama.
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Divulgado na segunda-feira (3) pelo Estadão, o ranking da Tendências – que tem à frente nomes como o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, e o ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega – aponta crescimento de 4,4% para Mato Grosso do Sul, quase 1 ponto percentual à frente do segundo colocado Mato Grosso, que tem previsão de 3,7%.
Com uma safra de grãos que em 2004/25 pode alcançar o recorde de 322,25 milhões de toneladas, o Centro-Oeste deve puxar a economia nacional, após as lavouras locais serem prejudicadas pelo fenômeno climático El Niño. A média de crescimento da região deve ser de 2,8%, contra 1,8% do Sul, 1,6% do Sudeste, 2% do Nordeste e 2,7% da Região Norte.
Já no início de janeiro, o Banco do Brasil também divulgou seu relatório revisado da Resenha Regional, relaborado pelo setor de assessoramento econômico do banco e que traz as perspectivas ‘do que esperar para as regiões brasileiras em 2025?’.
Mato Grosso do Sul mais uma vez aparece na liderança do ranking, com projeção de 4,2% de crescimento, contra uma média geral de 2,2% no país. O segundo colocado é o Mato Grosso, com 4,1%, enquanto o Rio Grande do Sul aparece em terceiro, com 4,0%. A média por região é de 3,2% no Centro-Oeste, 3% no Sul, 2,7% no Norte, 1,9% no Nordeste e 1,7% no Sudeste.
Agro e celulose em alta
Dividindo o PIB total por setores, a projeção de crescimento do PIB agropecuário de Mato Grosso do Sul é de 11,7%, o maior do país, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 11,4%. A média nacional nesse setor é de 6% – ou seja, quase metade do índice sul-mato-grossense.
“Entre os estados de produção mais expressiva, contemplando as duas safras, o crescimento é esperado com mais intensidade no Mato Grosso do Sul (32,9%), Rio Grande do Sul (20,8%) e Rondônia (22,4%). Na outra direção, Mato Grosso, maior produtor nacional, deve apresentar recuo na produção (6,4%) impactado pelo recuo no rendimento médio (-6,4%), especialmente da 2ª safra”, destaca trecho da resenha ao falar sobre o volume da produção.
Outro setor que ganha expressão é a indústria de papel e celulose, que já tem R$ 105 bilhões em investimentos anunciados no Brasil até 2028, sendo mais de 70% deles destinados para o Mato Grosso do Sul – R$ 75 bilhões, conforme dados da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).
A resenha do Banco do Brasil aponta tais investimentos também como fomentadores essenciais para o crescimento econômico sul-mato-grossense, em especial no volume industrial. “Com abertura de novas fábricas, ampliação das plantas já existentes e obras de infraestrutura logística para escoamento da produção e traz boas expectativas no âmbito regional”.
Economia forte e em constante crescimento
Nos últimos seis anos o PIB dobrou em Mato Grosso do Sul, puxado pela revolução do agronegócio, agroindustrialização e pela chegada de grandes empreendimentos no setor de florestas e celulose. Com condições climáticas favoráveis, a agricultura deve se consolidar ainda mais como um dos principais motores econômicos da região.
Dentro desse cenário positivo, Mato Grosso Sul se destaca nas projeções de crescimento e, além do agronegócio, outros setores também devem impulsionar o desenvolvimento regional, como a indústria alimentícia e de serviços, que deve se beneficiar com a expansão do agro.
De acordo com a coordenadora de Estatística e Economia da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Bruna Dias, o ciclo de investimentos e a expansão da agroindústria têm gerado impactos significativos no mercado de trabalho, aumentando a ocupação e promovendo o crescimento da renda média da população.
“O rendimento médio mensal real da população residente passou de R$ 2.561 em 2015 para R$ 3.035 em 2023, demonstrando aumento consistente da renda. Na indústria, a remuneração real média também acompanhou essa evolução, crescendo de R$ 3.025,64 em 2015 para R$ 3.547,95 em 2023”, comenta Bruna, que completa a explicação.
“Esse avanço da renda média amplia a base de consumo de produtos mais elaborados e serviços de maior valor agregado, incentivando a industrialização e a diversificação econômica. Como vetor importante de desenvolvimento econômico e social, esse processo gera impactos positivos em diversas áreas, consolidando Mato Grosso do Sul como um polo em crescimento”, conclui.
“Estes números são o resultado de uma estratégia sólida, focada em diversificação econômica, inovação e sustentabilidade. No entanto, mais importante do que liderar estatísticas é garantir que esse crescimento seja traduzido em qualidade de vida para a nossa população. Queremos um Mato Grosso do Sul onde o desenvolvimento econômico caminhe de mãos dadas com a inclusão social, criando oportunidades para todos, do trabalhador do campo ao jovem da cidade”, destacou o governador Eduardo Riedel.
Em 2024 MS criou mais de 12 mil empregos formais
Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou a criação de 12.412 empregos formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Com esse desempenho, o Estado alcançou um total de 670.377 empregos com carteira assinada, reforçando sua relevância no cenário de geração de trabalho formal.
O saldo positivo foi impulsionado, principalmente, pelos setores da indústria (+6.974 vagas), serviços (+4.206 vagas), comércio (+3.873 vagas) e agropecuária (+2.548 vagas). No entanto, a construção civil foi um ponto fora da curva, apresentando um desempenho negativo com o fechamento de 5.188 postos de trabalho ao longo do ano.
A coordenadora de Estatísticas da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a economista Bruna Dias, destacou que o desempenho da indústria foi liderado por setores estratégicos, como alimentos, biocombustíveis e celulose. “No segmento industrial, destacam-se as indústrias de transformação, especialmente a fabricação de produtos alimentícios (+3.927 empregos) e a produção de biocombustíveis (+1.047 empregos). Já na agropecuária, a produção florestal (+2.140 vagas) teve papel relevante no crescimento do setor”, afirmou.
“A posição de destaque de Mato Grosso do Sul na geração de empregos formais não é apenas uma conquista econômica, mas um reflexo do nosso compromisso com um modelo de desenvolvimento inclusivo. Para nós, não basta crescer — é fundamental que esse crescimento alcance todas as regiões e beneficie todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis. Um governo inclusivo é aquele que enxerga o emprego não como um número, mas como a oportunidade de transformar vidas, reduzir desigualdades e fortalecer a dignidade dos cidadãos. Estamos investindo em setores estratégicos, mas também em qualificação e políticas públicas que garantam que ninguém fique para trás nesse processo”, declarou o governador.
Retração em dezembro é considerada sazonal
O saldo anual positivo, entretanto, foi impactado pelo fechamento de 14.465 postos de trabalho em dezembro de 2024. No último mês do ano, foram registradas 22.731 admissões contra 37.196 desligamentos, reflexo do movimento sazonal que costuma ocorrer após o pico de contratações temporárias no final do ano.
“A redução de -14.465 empregos formais em dezembro acompanha um movimento sazonal característico desse período. Esse declínio é atribuído, principalmente, ao encerramento de contratos temporários e aos ajustes promovidos pelas empresas após o pico de atividades econômicas do fim de ano”, explicou a economista Bruna Dias.
Apesar da retração pontual em dezembro, os números consolidados do ano mostraram um saldo positivo: 411.976 admissões contra 399.564 desligamentos.
Perspectivas positivas com novos investimentos
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, traça um panorama otimista para o mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, os grandes investimentos públicos e privados previstos para os próximos anos devem sustentar a geração de empregos.
“No setor florestal e de celulose, o Estado se consolidou como um dos principais polos do Brasil, com investimentos bilionários a caminho. Já a indústria deve ser um dos principais motores da geração de empregos, com destaque para as indústrias de transformação e o setor agroindustrial”, afirmou Verruck.
A aposta do governo estadual em setores estratégicos é vista como uma oportunidade de ampliação da competitividade de Mato Grosso do Sul no mercado nacional e internacional, especialmente com o avanço de projetos ligados à exportação e ao fortalecimento das cadeias produtivas regionais.
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