Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mato Grosso do Sul

MS registra seu 33º feminicídio em neste ano

Jovem foi morta a facadas diante da filha e da mãe ontem, em Jardim

Publicado em 05/11/2025 10:00 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Aline Silva, de 26 anos, foi assassinada com múltiplas facadas na noite de terça-feira (4), na frente da própria filha e da mãe, no município de Jardim (MS), a 224 quilômetros de Campo Grande. O crime marca o 33º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2025, consolidando uma média alarmante de quatro mulheres mortas por semana no estado.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

Segundo informações do site Jardim MS News, o suspeito, que fugiu após o crime e ainda não foi localizado, queria manter um relacionamento amoroso com a vítima. Diante da recusa de Aline, ele a atacou brutalmente, desferindo mais de seis golpes de faca. A cena foi presenciada por sua filha — uma criança — e pela mãe da jovem. Após o assassinato, o homem fugiu em direção a uma área de mata próxima. Ele usava tornozeleira eletrônica e já tinha passagens pela polícia por tráfico de drogas.

O caso se soma a uma sequência de feminicídios em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Na capital, Campo Grande, apenas seis casos foram registrados em 2025. Os outros 27 ocorreram no interior do estado. A dispersão geográfica dos crimes indica que a violência contra a mulher está longe de ser um problema isolado às grandes cidades. Pelo contrário: expõe uma epidemia silenciosa e persistente que atinge mulheres em todo o território estadual.

A escalada da violência é perceptível ao comparar os dados mais recentes. De janeiro até o início de novembro deste ano, foram 33 feminicídios registrados, contra 26 no mesmo período de 2024. Ao longo de todo o ano passado, 35 mulheres foram vítimas desse tipo de crime em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). O ritmo atual indica que o número total de casos em 2025 deve superar com folga o já trágico saldo do ano anterior.

As estatísticas reforçam o caráter sistemático da violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul. Mais do que números, são histórias interrompidas brutalmente, geralmente por homens com quem as vítimas tinham vínculos afetivos ou eram alvo de perseguição e controle. O padrão é conhecido: ameaças, histórico de agressões, tentativas de dominação, perseguição — e, por fim, o assassinato.

Para a socióloga Debora Diniz, pesquisadora da Universidade de Brasília e referência em estudos sobre violência de gênero, o feminicídio “não é um crime passional, mas uma manifestação extrema de um sistema de controle sobre o corpo e a vida das mulheres”. Diniz reforça que “o feminicídio deve ser entendido como uma resposta letal ao exercício da autonomia feminina”.

Apesar das legislações existentes, como a Lei Maria da Penha (11.340/2006) e a Lei do Feminicídio (13.104/2015), a efetividade das políticas públicas de prevenção ainda é frágil. A negligência institucional, a falta de investimento em proteção e abrigos, a subnotificação de ameaças e agressões anteriores ao crime são fatores que contribuem para a perpetuação do ciclo de violência.

Casos como o de Aline não são acidentes nem exceções. São o retrato de uma sociedade que ainda falha, reiteradamente, em proteger suas mulheres. Quando uma jovem é assassinada diante da filha e da mãe por se recusar a se relacionar com um homem — e esse homem estava sob monitoramento eletrônico — o que está em xeque é a eficácia de um sistema que deveria impedir exatamente esse tipo de tragédia.

A cada mulher morta, não apenas uma vida é perdida, mas também a credibilidade de um Estado que falha em seu dever mais básico: proteger seus cidadãos.

Vítimas de feminicídio em MS em 2025

Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro;

Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro;

Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro;

Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro;

Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro;

Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março;

Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março;

Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril;

Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio;

Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio;

Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio;

Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio;

Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;

Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;

Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho;

Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho;

Rose (Costa Rica) – 27 de junho;

Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho;

Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho;

Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho;

Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto;

Letícia Ananias de Jesus (Cassilândia) – 8 de agosto;

Dahiana Ferreira Bobadilla (Assassinada no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista) — 8 de agosto;

Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto;

Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro;

Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro;

Ana Taniely Gonzaga de Lima – 13 de setembro;

Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro;

Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro;

Andrea Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro;

Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) – 21 de outubro;

Luana Cristina Ferreira Alves (Campo Grande) – 28 de outubro;

Aline Silva (Jardim) – 4 de novembro.

Saiba como buscar ajuda

Casa da Mulher Brasileira – Está localizada em Campo Grande, na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá. Atende 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana. Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal.

Telefones de Socorro É possível ligar para 153, o 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190.A Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

DAM – Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Para Reclamar – Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

Riedel e Tarcísio discutem economia verde e desenvolvimento sustentável


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *