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Mato Grosso do Sul

MS reforça estratégias para reduzir riscos em partos e internações

HR de Ponta Porã realiza 1ª cirurgia por videolaparoscopia; campanha reforça saúde bucal no Estado

Publicado em 07/11/2025 11:11 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Garantir um atendimento cada vez mais seguro, humanizado e de qualidade para gestantes, puérperas, recém-nascidos e demais pacientes tem sido uma das prioridades do Governo de Mato Grosso do Sul. A SES (Secretaria de Estado de Saúde) tem intensificado as ações voltadas à segurança do paciente, promovendo a integração entre a Vigilância Sanitária, os Núcleos de Segurança dos hospitais e o NEGESP (Núcleo Estadual de Gestão e Estratégia em Segurança do Paciente).

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Entre as medidas mais recentes, está a implantação da Lista de Verificação para Parto Seguro, um protocolo obrigatório para todos os hospitais do Estado que realizam partos. O sistema, baseado nas diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde), funciona como um checklist de segurança para garantir que todos os cuidados essenciais sejam realizados desde a admissão da gestante até a alta hospitalar, reduzindo riscos e prevenindo falhas no atendimento.

Segundo a gerente de Serviços de Saúde da Vigilância Sanitária da SES, Aline Schio, a medida representa um avanço importante na padronização dos cuidados obstétricos. “O checklist de parto seguro é uma ferramenta simples, mas extremamente eficaz. Ele garante que cada etapa do atendimento seja executada com atenção e responsabilidade, evitando omissões e falhas que podem comprometer a vida da mãe e do bebê. É uma ação que reforça o compromisso da SES com a qualidade assistencial e com o fortalecimento da cultura de segurança em todo o sistema de saúde”, destacou Aline.

A resolução publicada pela SES estabelece quatro momentos obrigatórios de checagem, na entrada da paciente, antes do parto, após o nascimento e antes da alta, com prazo de 60 dias para implantação e capacitação das equipes.

HRMS é destaque nacional em segurança do paciente

O trabalho da SES vem sendo reconhecido nacionalmente. O HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) foi destaque nacional na avaliação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre práticas de segurança do paciente, sendo classificado com alta conformidade nos leitos de UTI entre os hospitais sul-mato-grossenses.

No HRMS, o Núcleo de Segurança do Paciente, criado em 2013, promove ações contínuas de monitoramento de riscos, implementação de protocolos, capacitação de profissionais e incentivo à cultura de segurança. Entre as medidas adotadas estão o checklist de cirurgia segura, o uso de pulseiras de identificação, a prevenção de quedas, o controle de alergias e medicamentos e a higienização das mãos, que pode reduzir em até 40% as infecções relacionadas à assistência.

Capacitação e cultura de prevenção desde o início da vida

Em setembro, a SES, por meio da coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária e do NEGESP, promoveu o Encontro Estadual de Qualidade da Assistência Materna-Neonatal, alusivo ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro. Com o tema “Cuidado seguro para cada recém-nascido e cada criança”, o evento reuniu gestores, profissionais e lideranças da saúde para discutir estratégias de prevenção e fortalecimento da cultura de segurança desde o início da vida.

A coordenadora do NEGESP, médica Eduarda Tebet, reforça que a segurança do paciente é um compromisso coletivo, que depende da atuação integrada de todos os níveis da rede. “A segurança do paciente começa na atenção básica e se estende até a alta hospitalar. Nosso papel é apoiar os serviços de saúde na implantação de práticas seguras, fomentar a educação permanente e monitorar indicadores que orientem as melhorias. É um trabalho que salva vidas e fortalece a confiança da população no SUS”, ressaltou Eduarda.

Avanços estruturais consolidam Mato Grosso do Sul como referência

O NEGESP estadual tem sido referência nacional ao desenvolver iniciativas como a criação do Comitê Estadual de Segurança do Paciente, a articulação de um plano de educação permanente com a Escola Técnica do SUS, e o fomento à implantação de CGBP (Casas da Gestante, Bebê e Puérpera).

Essas ações estão alinhadas às metas globais da OMS, que indicam que eventos adversos evitáveis causam cerca de 2,6 milhões de mortes por ano em hospitais de todo o mundo.

HR de Ponta Porã realiza 1ª cirurgia por videolaparoscopia

O Hospital Regional de Ponta Porã realizou, pela 1ª vez, cirurgia utilizando a técnica de videolaparoscopia, método minimamente invasivo que representa um salto de qualidade na assistência cirúrgica oferecida à população da fronteira sul de Mato Grosso do Sul. A distribuição dos equipamentos, feita pelo Governo do Estado por meio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), seguiu o processo de regionalização da saúde, com aquisições planejadas de forma estratégica para atender às necessidades específicas de cada macrorregião.

A paciente Carine de Fátima Martins, 42 anos, foi a primeira beneficiada. Diagnosticada com pedra na vesícula (colelitíase), ela vinha enfrentando fortes crises de dor, náuseas e restrições alimentares. “Eu tinha crises horríveis, para quem já teve pedra na vesícula sabe como é. A alimentação era bem limitada. Após a cirurgia, quase não sinto dor. O pós-operatório é outra coisa, nem se compara. Quero voltar à vida normal, poder me alimentar melhor”, relatou.

O procedimento, realizado na quarta-feira (29), consistiu em uma colecistectomia videolaparoscópica, técnica que substitui o corte tradicional por pequenas incisões no abdome. Por meio delas, são introduzidos instrumentos delicados e uma microcâmera que transmite imagens em tempo real, permitindo ao cirurgião atuar com precisão e segurança.

Menor trauma, menos risco e redução da dor

Segundo o cirurgião Paulo Henrique Brites de Barros, responsável pela operação, os benefícios da técnica são expressivos. “A videolaparoscopia causa menor trauma cirúrgico, reduz a dor no pós-operatório e o risco de infecção, além de proporcionar recuperação mais rápida e cicatrizes discretas. Em geral, o paciente pode receber alta em até 24 horas e retomar suas atividades em poucos dias”, explicou.

O médico destacou ainda o impacto do avanço para o hospital. “O prognóstico costuma ser excelente, especialmente em casos de colelitíase não complicada. Essa cirurgia marca um avanço importante para o hospital e para a população, demonstrando a capacidade técnica da equipe local e a evolução da assistência cirúrgica oferecida à comunidade.”

A implantação da videolaparoscopia no Hospital Regional foi possível graças ao investimento do Governo do Estado na aquisição de equipamentos e no treinamento da equipe cirúrgica. Após um período de capacitação, o hospital passou a ter condições técnicas para executar o procedimento de forma segura e autônoma. Atualmente, a unidade tem capacidade para realizar duas cirurgias videolaparoscópicas por dia, devido ao tempo necessário para a esterilização dos instrumentos — processo que leva de três a quatro horas.

Ampliação

Mas a expectativa é ampliar gradativamente o número de atendimentos. Estimativas internas indicam que cerca de 70% das cirurgias realizadas no hospital poderiam ser feitas por esse método, reduzindo o tempo de internação e liberando mais leitos para novos pacientes.

Com uma média de 20 procedimentos cirúrgicos diários, o Hospital Regional de Ponta Porã é referência regional em cirurgias gerais e de urgência. A realização da primeira videolaparoscopia é vista pela direção como um marco técnico e simbólico, resultado direto do empenho coletivo da equipe multidisciplinar.

“Foi um grande desafio, mas também uma conquista de todos. Tínhamos essa missão de colocar em operação uma estrutura de alta qualidade, que produz imagens em 4k, adquirida pelo governo do estado. A união da equipe e o comprometimento de cada profissional foram decisivos para o sucesso do procedimento”, destacou o diretor-geral do hospital, Alex Marques Cruz. “É uma tecnologia que já está disponível para população usuária do SUS”, acrescentou.

A equipe que realizou a cirurgia é composta pelo cirurgião Paulo Henrique Brites de Barros; cirurgião auxiliar, Luis Fernando Ramoa Gonzalez; anestesista Luis Gustavo Solis Mendonça; enfermeiro Eduardo de Freitas; instrumentador técnico Fabrício Henrik Pantoja Castelo; circulante técnica Aline Patrícia Vidal Godoi; pivô técnica Gabriela Cueva Recalde; e responsável técnica, enfermeira Tabta Caroline Luna Santana.

O Hospital Regional de Ponta Porã Dr. José de Simone Netto é referência em saúde pública para mais de 200 mil habitantes da região sul de Mato Grosso do Sul. A unidade é gerenciada pelo Instituto Social Mais Saúde desde agosto deste ano. O hospital possui 117 leitos e realiza serviços de urgência e emergência, internações, cirurgias e atendimento ambulatorial nas especialidades de clínica médica, ginecologia-obstétrica, pediatria e ortopedia, além de dispor de amplo suporte diagnóstico com exames de imagem e de laboratório.

Campanha reforça a importância da integração entre saúde bucal e saúde geral

A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul), por meio da Coordenadoria de Saúde Bucal, reforça o compromisso com a promoção da saúde bucal como parte essencial da saúde integral da população. A boca é considerada a porta de entrada do organismo e pode refletir o estado geral de saúde. Alterações bucais podem indicar doenças como diabetes, enfermidades cardiovasculares e até câncer.

De acordo com a coordenadora de Saúde Bucal da SES, Giovana Buzinaro, a atenção odontológica deve ser entendida como parte inseparável do cuidado com o corpo. “A saúde bucal está diretamente relacionada à saúde geral do indivíduo. Um desequilíbrio na cavidade oral pode contribuir para o agravamento de doenças como diabetes e problemas cardíacos. Por isso, investir em prevenção é promover saúde integral e bem-estar para toda a população”, explica.

A relação entre a saúde da boca e o equilíbrio do organismo é comprovada por diversos estudos. Segundo o cardiologista Christiano Pereira, doenças como gengivite e periodontite podem agravar condições sistêmicas e aumentar o risco de complicações graves. “As bactérias presentes na cavidade bucal podem alcançar a corrente sanguínea e afetar órgãos como o coração, rins e pulmões. Elas intensificam processos inflamatórios, aumentam o risco de infarto e AVC, dificultam o controle do diabetes e podem até contribuir para o parto prematuro”, explica o médico.

Ainda segundo o especialista, pacientes com doenças crônicas devem redobrar os cuidados com a higiene oral. “Manter uma boa saúde bucal ajuda a proteger o corpo, e controlar as doenças sistêmicas também é uma forma de proteger a boca”, completa Christiano.

Ações e investimentos da SES em saúde bucal

Para ampliar o acesso e fortalecer a atenção odontológica em todo o Estado, a SES desenvolve uma série de iniciativas estratégicas voltadas à qualificação profissional, ampliação da rede de atendimento e fortalecimento da prevenção.

Entre as principais ações, está o Curso Prático de Biópsia e Citologia Esfoliativa para Diagnóstico Precoce do Câncer Bucal, realizado em diversas regiões de saúde, que capacita cirurgiões-dentistas na detecção precoce da doença.

A SES também ampliou o acesso à atenção odontológica, com atendimentos regulares e integrados à rede. Para isso, o Estado investiu em Unidades Odontológicas Móveis (UOM), voltadas ao atendimento em locais de difícil acesso, como assentamentos rurais e unidades prisionais.

Outras iniciativas incluem o Curso de Aperfeiçoamento para Atendimento de Pacientes com Necessidades Especiais (PNE), visitas técnicas em parceria com o CRO-MS, e o fornecimento de equipamentos odontológicos para a Escola Técnica do SUS, fortalecendo a formação de técnicos e auxiliares.

Para incentivar hábitos preventivos, foram distribuídos kits de higiene bucal em comunidades com baixos índices de desenvolvimento humano (IDH). “Nosso foco é garantir que o cuidado chegue a todos, principalmente àqueles que mais precisam. A prevenção é o caminho mais eficaz para manter a saúde bucal e evitar complicações mais graves”, reforça Giovana.

Fortalecimento da rede e promoção da equidade

A SES lembra que a maioria dos problemas bucais pode ser evitada com hábitos simples, como escovação após as refeições, uso diário do fio dental e visitas regulares ao dentista. Outras práticas importantes incluem a limpeza da língua, hidratação adequada e atenção a alterações na mucosa oral, como feridas, sangramentos ou manchas.

Entre os desafios da atenção odontológica no SUS estão as desigualdades regionais no acesso e as limitações de infraestrutura. Para a secretária adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, o trabalho conjunto entre Estado e municípios é essencial para superar esses obstáculos. “Estamos avançando na consolidação de uma rede resolutiva, com foco na integralidade e na humanização do cuidado. Cuidar da saúde bucal é cuidar da saúde das pessoas como um todo, é investir em prevenção, qualidade de vida e redução das desigualdades em saúde”, destacou Crhistinne.

A SES também mantém o cofinanciamento das Equipes de Saúde da Família com Saúde Bucal e dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), assegurando o fortalecimento da rede de atenção e o acesso a serviços especializados em todas as regiões de Mato Grosso do Sul.

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