Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mato Grosso do Sul
Riedel: “Crescimento populacional previsto exigirá nova estratégia na rede hospitalar na região”
Publicado em 21/05/2025 10:39 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
Com foco na regionalização e no planejamento estratégico diante do impacto da Rota Bioceânica, o Governo de Mato Grosso do Sul está reestruturando a rede hospitalar na faixa de fronteira. O novo modelo propõe uma organização por níveis: atenção primária e estabilização de urgências mais complexas nas cidades de origem, média complexidade concentrada em cidades-polo como Ponta Porã e os atendimentos de alta complexidade direcionados a centros como Campo Grande e Dourados.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
A reorganização foi uma das pautas do Encontro Binacional promovido pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) no último mês, em Ponta Porã.
Segundo o governador Eduardo Riedel, o crescimento populacional previsto pelo projeto exigirá uma reorganização estratégica da rede hospitalar na região sul e sudoeste.
Integrante da Assessoria Técnica Médica da SES, o médico João Ricardo Tognini destaca que a intensificação do fluxo de pessoas e o crescimento populacional e econômico esperados na região sul do estado — especialmente em Porto Murtinho, por conta da ponte sobre o Rio Paraguai que ligará a cidade à Carmelo Peralta — trarão novos desafios para a saúde pública. “Além dos riscos associados à mobilidade, como acidentes e traumas, há a necessidade de ampliar o acesso à saúde preventiva e curativa em todas as complexidades”, explica Tognini.
Além das propostas de apoio à estruturação de UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) em municípios estratégicos — cuja implantação é de responsabilidade das gestões municipais — a SES está atuando de forma propositiva na consolidação de uma rede estadual estruturada em “cinturões de média complexidade”.
Esses cinturões funcionam em torno dos polos de alta complexidade (Campo Grande, Dourados e Três Lagoas), com municípios vizinhos assumindo, gradativamente, atendimentos de média complexidade, como cirurgias gerais, ortopedia, urologia e ginecologia. A estratégia garante maior capilaridade à assistência hospitalar, reduzindo deslocamentos e fortalecendo o atendimento regionalizado, de forma integrada e resolutiva. Essa organização busca:-
– Reduzir deslocamentos longos de pacientes;
– Desafogar os grandes hospitais estaduais;
– Racionalizar a ocupação de leitos, garantindo vagas para casos graves.
Em Porto Murtinho, cidade com menos de 20 mil habitantes e sem serviços hospitalares de maior complexidade, o plano envolve o fortalecimento da atenção primária. Casos regulados serão direcionados para cidades de apoio como Ponta Porã.
Já Ponta Porã, com mais de 90 mil habitantes, possui um Hospital Regional com 127 leitos e capacidade de atender demandas cirúrgicas e clínicas de média complexidade. A SES estuda a ampliação da oferta de especialidades como ortopedia e urologia, com investimentos em tecnologias como videocirurgia, e reforço na regulação estadual para evitar que casos simples ocupem leitos de alta complexidade.
Cidades de apoio e transporte aeromédico
A estratégia inclui ainda o fortalecimento de cidades de apoio, como Bela Vista, Antônio João e Jardim, que poderão absorver parte da média complexidade, compondo os cinturões assistenciais. O modelo prevê uma lógica hierarquizada de encaminhamentos, com investimento em infraestrutura hospitalar, capacitação de equipes, contratualizações otimizadas e até ampliação do transporte aeromédico, crucial diante das longas distâncias entre os municípios e os centros de referência.
Nesse sentido, o transporte aeromédico é considerado uma ferramenta estratégica para garantir atendimento rápido em situações graves. Em um estado com território extenso, áreas remotas e baixa densidade populacional, o socorro por via aérea pode ser decisivo. A ampliação desse serviço integra o esforço do Governo do Estado para garantir acesso à saúde com mais agilidade e segurança em todo o Mato Grosso do Sul.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, a regionalização hospitalar exige planejamento técnico criterioso, com estruturas alinhadas à realidade de cada região. “Não basta construir hospitais. É preciso considerar a capacidade de gestão local, o perfil populacional e a lógica de funcionamento em rede. Em muitos municípios, manter equipes completas e estrutura de alta complexidade não é viável”, afirma.
Ele destaca que o modelo adotado busca distribuir os serviços conforme o porte e as necessidades de cada cidade, garantindo uma rede articulada e eficiente. “Para isso, estamos fortalecendo desde a atenção primária aos mecanismos de regulação incluindo pontos mais complexos como transporte aeromédico. Todo esse trabalho tem o intuito de garantir que o paciente esteja no lugar certo, na hora certa, com o cuidado adequado”, finaliza.
Saúde transfronteiriça e mapeamento
O novo modelo de atendimento hospitalar da SES foi apresentado durante o Encontro de Cooperação Interfederativa em Saúde Brasil – Paraguai, realizado nos dias 28 e 29 de abril em Ponta Porã. O evento reuniu representantes de órgãos de saúde do Brasil e do Paraguai, além de organizações internacionais, para debater estratégias conjuntas de fortalecimento da atenção à saúde na linha de fronteira.
Na ocasião, foi assinado termo de cooperação entre Brasil e Paraguai dando início a um amplo mapeamento das estruturas de saúde nas cidades fronteiriças entre os dois países. A ação conta com o Governo de Mato Grosso do Sul como um dos signatários, por meio da SES (Secretaria de Estado de Saúde).
Dentre os pilares do termo está identificar capacidades hospitalares, recursos humanos e equipamentos disponíveis em regiões como Ponta Porã (MS), Mundo Novo (MS), Pedro Juan Caballero (PY), Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este (PY).
“O mapeamento nos permitirá entender, em detalhes, a realidade de cada município, utilizando o cruzamento de dados a fim de verificar onde há falta de insumos, profissionais ou leitos. Esse levantamento é essencial para direcionar investimentos e criar uma rede de saúde integrada, capaz de atender rapidamente a população fronteiriça”, destaca a secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone, que assinou representando Mato Grosso do Sul como um dos signatários do documento. A previsão é que o trabalho das equipes tenha início no prazo de 30 dias.

Governo do Estado implanta unidade experimental da Rota Bioceânica em Porto Murtinho
O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia), implantou em parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) uma unidade experimental da Rota Bioceânica em Porto Murtinho.
O projeto é voltado à pesquisa aplicada, à promoção de práticas agrícolas sustentáveis e ao intercâmbio tecnológico com instituições do Paraguai.
Instalada na Fazenda Yndiana — área cedida por um produtor rural da região —, a unidade experimental se consolida como referência em inovação agrícola e integração transfronteiriça. A apresentação oficial da iniciativa ocorreu no sábado (16), durante o Dia de Campo promovido na fazenda, localizada a cerca de 40 quilômetros do município de Porto Murtinho.
O evento reuniu autoridades, pesquisadores, produtores e instituições parceiras para discutir os primeiros resultados da unidade e traçar perspectivas para o futuro. A proposta está inserida no contexto da Rota Bioceânica, corredor de desenvolvimento que conecta o Brasil ao Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile.
Representando o Governo do Estado, o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, reforçou o compromisso com a integração científica e produtiva da região.
“É uma grata satisfação ver o primeiro ano de resultados deste projeto. A unidade experimental é um marco na estratégia estadual para o desenvolvimento sustentável ao longo da Rota Bioceânica”, afirmou.
Também participaram do evento a reitora da UFMS, Camila Celeste Brandão Ferreira Itavo, os professores Fabrício Frazilio e Marcelo Turine, o deputado estadual Paulo Corrêa, o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra, além de vereadores, secretários municipais, representantes do setor produtivo e da comunidade local.
Centro de integração e pesquisa
De acordo com o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, Porto Murtinho foi escolhido estrategicamente por estar localizado no eixo central da Rota Bioceânica. Segundo ele, o projeto tem como objetivo desenvolver o agronegócio e a agricultura familiar nas regiões fora do bioma Pantanal, como Jardim, Alto Caracol e Porto Murtinho, com foco em práticas sustentáveis.
“Nós queremos testar novas culturas, como o algodão, que já se desenvolve bem no Chaco Paraguaio, além de avaliar novas variedades de pastagens para intensificar a pecuária da região. É a ciência e a tecnologia trabalhando para identificar quais modelos agrícolas e pecuários são mais adequados para promover o desenvolvimento local”, explicou Verruck.
O secretário enfatizou ainda que o Governo do Estado entende a Rota Bioceânica não apenas como um corredor logístico, mas como vetor de desenvolvimento para as comunidades ao longo do trajeto. “Essa é a primeira grande iniciativa financiada pelo Estado para identificar as vocações agropecuárias locais, e os primeiros resultados já começam a aparecer”, destacou.
Coordenação técnica e articulação institucional
A coordenação da Unidade Experimental da Rota Bioceânica está a cargo do professor Ricardo Gava, que lidera os estudos e articulações para transformar a Fazenda Yndiana em um polo de inovação produtiva. Durante o Dia de Campo, foi apresentada uma linha do tempo com as principais ações do projeto desde 2022, incluindo reuniões e visitas técnicas no Brasil e no Paraguai.
As atividades vêm fortalecendo a cooperação entre os dois países e promovendo soluções técnicas adaptadas à realidade da região de fronteira, com foco no desenvolvimento sustentável e na integração produtiva.
Deixe um comentário