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Mato Grosso do Sul
Riedel apresenta ao mundo modelo de desenvolvimento que alia descarbonização, justiça social e crescimento econômico
Publicado em 14/11/2025 10:02 - Semana On
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No coração de Belém, sob o calor úmido da floresta amazônica e os ventos simbólicos da COP30, Mato Grosso do Sul fincou seu nome entre os protagonistas da transição ecológica brasileira. O governador Eduardo Riedel, ao lado de sua equipe, não apenas discursou: apresentou evidências, resultados e uma visão de futuro articulada por políticas públicas concretas. Com a ambição de ser carbono neutro até 2030, o Estado demonstrou que preservar e crescer não é mais utopia — é, antes, um imperativo civilizatório, político e ético.
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A presença do Estado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas não foi protocolar. Foi estratégica. Em um momento em que o mundo exige dos governos respostas à emergência climática e coerência entre discurso e prática, Mato Grosso do Sul mostrou que já percorre, com passos firmes, o caminho da sustentabilidade, fazendo do meio ambiente um ativo econômico e da justiça climática uma política de Estado.
Da preservação à política pública
O modelo defendido por Riedel tem como pilares a segurança alimentar, a transição energética, a inclusão social e a sustentabilidade — todos sustentados por dados concretos. O Estado apresenta 94% de sua matriz energética composta por fontes renováveis e registra a maior redução de emissões agropecuárias do país: 51% entre 2006 e 2022. O Pantanal, bioma emblemático e alvo de preocupação global, está 84% preservado, enquanto Cerrado e Mata Atlântica também mantêm vastas extensões de cobertura nativa.
A iniciativa MS Carbono Neutro 2030, eixo estruturante de toda a gestão ambiental do Estado, não apenas alinha Mato Grosso do Sul às metas do Acordo de Paris como reposiciona sua economia dentro da lógica da bioeconomia e da precificação de carbono. O mercado estadual de carbono, previsto para ser oficialmente lançado em janeiro, incluirá mecanismos de REDD+ jurisdicional e deverá atrair recursos internacionais destinados a produtores rurais, comunidades tradicionais e municípios engajados na preservação ambiental.
Em sua fala, Riedel foi direto: “Estamos mostrando que Mato Grosso do Sul tem projetos concretos, que interessam ao Brasil e ao mundo. Estamos implementando nossas ações, transformando o meio ambiente em ativo econômico, monetizando a sua preservação e levando recursos para quem de fato protege o território.” O governador ainda destacou a coerência entre a política climática e os indicadores sociais: o Estado detém hoje a 4ª menor taxa de desemprego do país (2,9%) e a 2ª menor taxa de extrema pobreza (2%).
O selo verde europeu e a nova diplomacia climática dos estados
Durante a COP30, Mato Grosso do Sul oficializou sua adesão ao selo verde da União Europeia, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais. A certificação garante a rastreabilidade da produção estadual, assegurando aos mercados europeus que o que se consome por lá foi produzido dentro de padrões ambientais e sociais elevados. Trata-se de uma diplomacia climática descentralizada, onde os entes subnacionais tomam para si o protagonismo na governança ambiental global.
Essa lógica foi defendida pelo governador no painel “Fortalecendo o papel dos governos subnacionais na governança climática internacional”, realizado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Riedel defendeu com ênfase a descentralização do licenciamento ambiental e a modernização da legislação como elementos fundamentais para alinhar preservação e desenvolvimento. “O Brasil é um país continental, com cinco biomas de características muito distintas. Um único modelo regulatório não dá conta da diversidade”, afirmou.

Transversalidade como estratégia
A sustentabilidade em Mato Grosso do Sul não se limita à agenda ambiental. Ela atravessa setores como educação, saúde, infraestrutura e assistência social. Os resultados são tangíveis: o Estado é o segundo em capital humano e teve um dos maiores avanços em alfabetização do país. No campo da inovação, destaca-se a integração de ferramentas tecnológicas — como inteligência artificial — à gestão ambiental, antecipando soluções e promovendo respostas mais eficazes às crises climáticas.
No campo produtivo, MS figura entre os maiores produtores nacionais de etanol de milho e bioeletricidade. Seu parque industrial cresceu 66% entre 2010 e 2020, impulsionado por investimentos que já somam R$ 141 bilhões desde 2015. As florestas plantadas, por sua vez, aumentaram 516% no mesmo período. A economia circular avança com exemplos práticos: três empresas sul-mato-grossenses foram reconhecidas na COP30 por práticas de referência no reaproveitamento de resíduos e na gestão sustentável do solo.
Da proteção à valorização
O Pantanal, muitas vezes reduzido a uma imagem bucólica ou a manchetes sobre incêndios, foi reposicionado por Mato Grosso do Sul como ativo estratégico. A Lei do Pantanal e o Fundo Clima Pantanal criaram um marco legal que reconhece e remunera os atores locais — produtores, comunidades ribeirinhas e indígenas — pelo papel que exercem na preservação do bioma. A mudança de paradigma é clara: em vez de punir, o Estado premia quem protege. Em vez de marginalizar, integra.
Nesse sentido, o Pacto Pantanal se destaca como o maior programa de preservação do bioma no país, com R$ 1,4 bilhão em ações previstas até 2030. As metas incluem educação, saúde, infraestrutura e saneamento, além de ações diretas de conservação ambiental. O programa conecta políticas públicas e atores locais em torno de um mesmo propósito: garantir que a proteção ambiental seja também geradora de dignidade e futuro.
Municipalismo, participação e governança compartilhada
Outra faceta essencial da estratégia sul-mato-grossense apresentada na COP30 foi o municipalismo. Por meio do programa MS Ativo, o governo estadual reuniu os 79 prefeitos e suas bancadas legislativas para pactuar um roteiro de transição rumo ao carbono neutro. Até agora, 70 municípios já concluíram seus diagnósticos territoriais. A agenda é territorializada, participativa e estruturante — exatamente o oposto das iniciativas centralizadas e desconectadas que falharam no passado.
Essa experiência, como destacou Riedel, está aberta ao compartilhamento. “Se houver diálogo, se deixarmos a politicagem em segundo plano e olharmos para a política pública e para resultados, sem dúvida nenhuma as coisas acontecem”, concluiu.
O exemplo de um novo Brasil possível
Em um país historicamente marcado pela falsa dicotomia entre progresso e floresta, Mato Grosso do Sul oferece uma síntese virtuosa. Seu exemplo, apresentado ao mundo na COP30, demonstra que é possível crescer com responsabilidade, incluir com justiça e preservar com inteligência. Mais que uma vitrine ambiental, o Estado se consolida como um laboratório de inovação pública, onde a sustentabilidade não é adjetivo, mas substantivo de uma nova economia.
Em um mundo cada vez mais pressionado pelas mudanças climáticas, o modelo sul-mato-grossense é uma resposta concreta — e, sobretudo, esperançosa. Como disse o filósofo Edgar Morin, “a esperança não é a certeza de que tudo dará certo, mas a convicção de que vale a pena lutar pelo que é justo”. E é isso que Mato Grosso do Sul faz: planta justiça no solo fértil da sustentabilidade.
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