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Mato Grosso do Sul
Ministério da Saúde investiga morte suspeita por metanol no Estado
Publicado em 09/10/2025 9:01 - Semana On
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O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), mantém estrutura organizada e fluxo de resposta pronto para o atendimento a possíveis casos de intoxicação por metanol. O medicamento utilizado como antídoto, o etanol farmacêutico, é adquirido e distribuído pelo Ministério da Saúde, conforme as notificações e confirmações de casos acompanhados pelos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox).
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De acordo com a coordenadora estadual de Assistência Farmacêutica da SES, Patrícia Veiga, o Estado recebeu recentemente 60 ampolas do antídoto, destinadas inicialmente a um paciente com suspeita de intoxicação, caso que foi posteriormente descartado após nova avaliação clínica. As doses permanecem armazenadas como retaguarda estratégica, com validade até março de 2026.
“O Governo do Estado atua de forma coordenada com o Ministério da Saúde e o Ciatox para garantir resposta rápida em qualquer situação de risco. Mesmo sem casos confirmados até o momento, estamos preparados para atender imediatamente, com estrutura técnica e fluxo de solicitação ativo 24 horas por dia”, destacou Patrícia.
Fluxo ágil garante envio imediato do antídoto aos hospitais
O protocolo de atendimento segue um fluxo específico por paciente. A partir da notificação de um caso suspeito pelo hospital ao Ciatox, o centro aciona a Assistência Farmacêutica Estadual, que formaliza a solicitação do antídoto junto ao Ministério da Saúde.
A entrega é feita diretamente ao hospital solicitante, de acordo com o peso e a condição clínica do paciente, sendo que, em média, 30 ampolas são utilizadas por paciente adulto.
O Ministério da Saúde mantém estrutura logística nacional para envio emergencial do medicamento, com prazo máximo de 12 horas para entrega aos estados, via transporte aéreo.
“O mais importante é que o atendimento seja rápido. Quanto antes o paciente com suspeita de intoxicação por metanol for diagnosticado e tratado, maiores são as chances de recuperação e menores as consequências clínicas. Essa integração entre Estado e União é fundamental para salvar vidas”, completou Patrícia.
Vigilância ativa e integração entre equipes
A superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Castilho, reforça que o Estado mantém vigilância ativa e permanente sobre possíveis ocorrências, articulando as áreas técnicas e de fiscalização sanitária para garantir resposta imediata.
“A SES trabalha em um fluxo de atendimento que permite agilidade desde a notificação até a disponibilização do antídoto. Nossa rede de vigilância está em alerta, monitorando continuamente e orientando os serviços de saúde sobre os protocolos de identificação e encaminhamento de casos suspeitos”, destaca Larissa.
Compromisso e preparo da rede estadual de saúde
A secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, ressalta que a prontidão da SES reflete o compromisso do Governo do Estado em proteger a população diante de emergências toxicológicas.
“A estrutura de resposta rápida que mantemos é resultado de planejamento e integração entre nossas áreas técnicas, a Vigilância em Saúde, o Ciatox, a Coordenação de Emergências em Saúde Pública, o LACEN, a Superintendência de Atenção à Saúde, a Assistência Farmacêutica e o Ministério da Saúde. Estamos preparados e atentos para garantir o cuidado e a segurança da população sul-mato-grossense em qualquer eventualidade”, afirmou Crhistinne.
Ministério da Saúde investiga nova morte suspeita por metanol em MS
O Ministério da Saúde confirmou ontem (8) a investigação de uma nova morte suspeita por intoxicação por metanol em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A vítima faleceu na última segunda-feira (6), no Hospital Regional da capital, e o caso foi incluído no boletim epidemiológico mais recente da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Outros quatro casos seguem sob apuração nas cidades de Campo Grande, Ladário e Rio Brilhante.
A notificação eleva o alerta para possíveis ocorrências de envenenamento químico por bebidas alcoólicas adulteradas, uma preocupação crescente no sistema de saúde pública. Até o momento, cinco casos suspeitos foram descartados no estado, incluindo a morte do jovem Matheus Santana Falcão, de 21 anos, inicialmente tratada como ligada à substância tóxica.
Falcão morreu no dia 2 de outubro, após apresentar mal-estar gástrico, náuseas e vômito escurecido. Segundo familiares, os sintomas começaram após o consumo de bebidas alcoólicas. A bebida foi adquirida em uma loja de conveniência local, que teve produtos do mesmo lote recolhidos para análise. A Polícia Civil abriu inquérito e a Vigilância Sanitária realizou inspeções no estabelecimento. A SES descartou a presença de metanol no corpo do jovem, mas ainda realiza exames para identificar outras substâncias.
Atualmente, os casos em investigação são dois em Campo Grande, um em Ladário e outro em Rio Brilhante. Em todos, há suspeita de ligação com bebidas adulteradas — padrão semelhante ao observado em surtos anteriores de intoxicação por metanol em outras regiões do país.
Reação institucional e reforço na rede laboratorial
Diante do aumento dos registros e da dificuldade para confirmar rapidamente os diagnósticos, o Ministério da Saúde intensificou as medidas de vigilância e tratamento. Entre as ações mais recentes, está a ampliação da rede laboratorial por meio da integração do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp, que agora terá capacidade para realizar até 190 exames por dia. A Fiocruz também disponibilizou sua infraestrutura para análise toxicológica, medida que deve fortalecer a resposta diante de emergências químicas.
“O objetivo é acelerar a confirmação ou descarte dos casos suspeitos e garantir a notificação oportuna”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante reunião da sala de situação montada pelo governo federal para monitorar os casos.
Além disso, o ministério anunciou a chegada do fomepizol, antídoto específico para intoxicações por metanol, que será distribuído a centros de toxicologia em todo o país. Importado dos Estados Unidos, o medicamento age bloqueando a conversão tóxica do metanol no organismo e deve ser administrado o mais precocemente possível após a exposição.

O perigo do metanol: intoxicação silenciosa e mortal
O metanol é um solvente industrial altamente tóxico que, quando ingerido, pode levar à cegueira, falência múltipla de órgãos e morte. A ingestão, muitas vezes acidental — ou induzida por bebidas adulteradas vendidas irregularmente —, representa um risco grave à saúde pública. Em casos registrados anteriormente no Brasil, surtos ocorreram devido à adulteração de bebidas alcoólicas com a substância, geralmente para baratear a produção clandestina.
De acordo com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), os sintomas de intoxicação costumam aparecer entre 12 e 24 horas após a ingestão e incluem visão turva, vômitos, dor abdominal, confusão mental e acidose metabólica. O tratamento exige rapidez: a administração de etanol hospitalar ou fomepizol pode impedir a metabolização tóxica do metanol, salvando vidas.
Contexto nacional: São Paulo também em alerta
A ampliação da resposta do Ministério da Saúde ocorre também em meio a casos suspeitos em São Paulo, onde a mesma sala de situação vem sendo utilizada para coordenar medidas emergenciais. A estrutura montada busca não apenas lidar com o surto atual, mas formar uma rede permanente de enfrentamento a intoxicações químicas, integrando estados, municípios e instituições científicas.
Em nota técnica conjunta, o Ministério da Saúde e a AMIB reforçaram que médicos, principalmente nas redes de urgência e emergência, devem estar atentos aos sintomas e realizar a notificação imediata às autoridades sanitárias. A pasta também recomenda o encaminhamento rápido a Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para os casos mais graves.
Investigação em andamento
As autoridades continuam coletando amostras das bebidas suspeitas, bem como realizando necropsias e exames toxicológicos nos casos em investigação. O avanço dessas análises será determinante para confirmar se há um novo surto de intoxicação por metanol no país — e para conter a circulação de produtos adulterados.
Enquanto isso, especialistas alertam para a importância da rastreabilidade e da fiscalização rigorosa do comércio de bebidas alcoólicas, especialmente em pequenos estabelecimentos. Casos como o de Campo Grande expõem falhas no controle sanitário e reforçam a necessidade de ações preventivas estruturais.
“O metanol não deveria estar presente em bebidas destinadas ao consumo humano. Sua presença revela, quase sempre, fraude e negligência”, afirma o toxicologista Anthony Wong, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP.
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