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Mato Grosso do Sul
Estado não registra casos confirmados da doença desde 2019; enfermidade rara pode evoluir rapidamente
Publicado em 13/05/2026 9:15 - Semana On
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A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) confirmou na terça-feira (12) a investigação de um caso suspeito de hantavirose no Estado. O paciente havia dado entrada inicialmente com diagnóstico de leptospirose, mas, diante da semelhança clínica entre algumas doenças infecciosas, os protocolos epidemiológicos determinaram a realização de exames complementares para outras enfermidades, entre elas a hantavirose. O prazo para conclusão da investigação pode chegar a 60 dias. Até o momento, a SES não divulgou informações sobre sexo, idade ou estado clínico do paciente.
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Embora rara, a hantavirose é considerada uma das zoonoses mais perigosas monitoradas pela vigilância epidemiológica brasileira. Dados oficiais da SES mostram que Mato Grosso do Sul não registra casos confirmados da doença desde 2019. Nos últimos 11 anos, o Estado contabilizou 107 notificações suspeitas, mas apenas sete acabaram confirmadas laboratorialmente.
A doença é provocada por vírus transmitidos principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes e saliva de pequenos roedores silvestres infectados. Em situações menos frequentes, marsupiais — como gambás e cuícas — e morcegos também podem estar associados à circulação viral.
Apesar de registros ocorrerem em diferentes regiões do país, os maiores índices de casos confirmados concentram-se no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. A incidência também costuma ser maior em áreas rurais, sobretudo entre trabalhadores ligados à agricultura e pessoas expostas à limpeza de silos, depósitos, galpões e outros ambientes fechados onde possa haver infestação de roedores.
Um dos principais desafios envolvendo a hantavirose está justamente na dificuldade do diagnóstico inicial. Os primeiros sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com diversas outras doenças infecciosas. Segundo a SES, os pacientes podem apresentar febre, dores musculares intensas, dor lombar, desconforto abdominal, fadiga acentuada, cefaleia e alterações gastrointestinais, incluindo náuseas, vômitos e diarreia. Essa fase inicial pode durar de um a seis dias, chegando, em alguns casos, a até duas semanas antes de uma aparente melhora clínica temporária.
O problema é que essa melhora pode anteceder justamente a fase mais grave da doença. O surgimento de tosse seca é considerado um importante sinal de alerta, pois pode indicar evolução para comprometimento cardiopulmonar severo. Nesses casos, o paciente pode desenvolver aumento da frequência cardíaca, dificuldade respiratória progressiva e queda na oxigenação sanguínea.
A evolução clínica costuma ser rápida e agressiva. Em quadros graves, ocorre acúmulo de líquido nos pulmões, redução abrupta da pressão arterial e comprometimento circulatório, exigindo atendimento emergencial e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Alguns pacientes também podem apresentar comprometimento renal, geralmente de intensidade leve a moderada. É justamente nessa etapa crítica que se concentra o maior risco de óbito.
O diagnóstico definitivo depende de exames realizados em laboratórios de referência, principalmente testes sorológicos disponibilizados pelo Ministério da Saúde. O fluxo de investigação segue uma cadeia específica de vigilância epidemiológica: o paciente é inicialmente notificado como caso suspeito, os dados são inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), e equipes municipais realizam investigação clínica, epidemiológica e laboratorial. A Gerência de Zoonoses da SES acompanha o caso até o encerramento oficial da investigação.
Atualmente, não existem medicamentos antivirais específicos para tratar infecções causadas por hantavírus, tanto na rede pública quanto na privada. Por isso, pacientes com suspeita de síndrome cardiopulmonar por hantavírus devem ser encaminhados imediatamente para tratamento intensivo. A abordagem médica consiste em suporte clínico para controle das complicações, podendo incluir suporte respiratório, oxigenação, hemodiálise e medidas para evitar quadros de choque circulatório.
Diante do risco associado à doença, as autoridades sanitárias reforçam medidas preventivas voltadas principalmente ao controle de roedores. O Ministério da Saúde recomenda evitar acúmulo de lixo, restos de alimentos, entulhos e materiais que possam servir de abrigo para esses animais. Também orienta que grãos, rações e alimentos sejam armazenados em recipientes fechados e protegidos contra roedores.
Outro ponto importante envolve a higienização de ambientes fechados e potencialmente contaminados. A orientação é que esses locais permaneçam ventilados por pelo menos 30 minutos antes da limpeza. As autoridades alertam que não se deve varrer fezes secas ou poeira contaminada, para evitar a inalação de partículas virais. A recomendação é utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante à base de hipoclorito, além de equipamentos de proteção individual, como luvas, aventais e óculos de proteção, especialmente em situações de risco ocupacional.
A SES também esclareceu dúvidas relacionadas à possibilidade de transmissão entre pessoas. Na última sexta-feira (8), o Ministério da Saúde informou que o recente surto registrado em um navio não representa risco imediato para o Brasil. Segundo a pasta, o país não possui circulação conhecida do genótipo Andes — variante associada aos raros episódios de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile.
De acordo com o Ministério da Saúde, os casos humanos confirmados no Brasil em 2026 continuam relacionados exclusivamente à transmissão por roedores silvestres infectados. Até o momento, o país identificou apenas circulação de Orthohantavírus em reservatórios animais, sem evidências de transmissão entre seres humanos.
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