Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mato Grosso do Sul

MS integra vacinação contra a chikungunya após 648 confirmados

Estado deve receber 40 mil doses, que serão distribuídas em Dourados e Itaporã

Publicado em 24/03/2026 9:00 - Semana On

Divulgação Gov MS

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O avanço da chikungunya no sul de Mato Grosso do Sul levou o Ministério da Saúde a incluir o estado em uma estratégia emergencial de vacinação. Ao todo, 40 mil doses serão destinadas aos municípios de Dourados e Itaporã, epicentro de um surto que já soma mais de mil notificações e quatro mortes — todas entre indígenas.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK, TIKTOK E WHATSAPP

Dados do boletim epidemiológico divulgado na segunda-feira (23) indicam que Dourados concentra a maior parte dos registros: são 648 casos confirmados, 1.426 notificações e outros 576 exames ainda em análise. Em Itaporã, o cenário também acende alerta, sobretudo nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde apenas em março foram contabilizadas 100 notificações entre indígenas.

Autoridades sanitárias classificam a situação como preocupante, principalmente pela velocidade de transmissão nas comunidades indígenas e pelo avanço da doença para áreas urbanas. Em Itaporã, o Hospital Municipal observa aumento contínuo na procura por atendimento desde a segunda quinzena de fevereiro, com crescimento expressivo da demanda indígena.

Para o diretor da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), Rodrigo Stabeli, o surto exige resposta coordenada em toda a região da Grande Dourados. Segundo ele, medidas básicas de prevenção e ajustes no atendimento podem aliviar a pressão sobre a rede de saúde.

“Os profissionais nem sempre estão acostumados a lidar com a chikungunya. Se ajustarmos a forma de atendimento e reforçarmos a prevenção, conseguimos diminuir a pressão hospitalar e melhorar o cuidado com os pacientes”, afirmou.

No âmbito municipal, o secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, confirma a expansão da doença para a zona urbana, onde já são mais de 250 casos registrados. A tendência, segundo ele, é de crescimento nas próximas semanas, o que demanda preparação da rede assistencial. “Precisamos unir esforços para preparar os serviços de saúde e garantir atendimento a quem mais precisa”, disse.

Diante do agravamento do cenário, a prefeitura avalia a instalação de um hospital de campanha. Um decreto municipal em vigor também autoriza a captação de recursos federais e a adoção de medidas emergenciais.

Como resposta direta ao surto, Mato Grosso do Sul foi incluído em um projeto piloto de vacinação contra a chikungunya. O imunizante, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será aplicado em dose única em pessoas entre 18 e 59 anos.

A campanha depende da finalização do treinamento das equipes de saúde, mas a expectativa é de início nos próximos dias. A estratégia será acompanhada para avaliar sua eficácia em condições reais, podendo servir de base para expansão a outras regiões do país.

Articulação

Antes mesmo da confirmação do envio das doses, o Estado já havia estruturado uma resposta técnica para pleitear a participação na estratégia nacional, inicialmente restrita a poucos municípios brasileiros.

O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, destacou que a inclusão de Mato Grosso do Sul é resultado desse trabalho antecipado.
“Desde o início, acompanhamos o avanço da chikungunya no Estado e, diante do agravamento do cenário em Dourados, estruturamos uma resposta técnica consistente para garantir a inclusão de Mato Grosso do Sul. Essa é uma medida baseada em evidências e na necessidade de ampliar a proteção da população”, afirmou.

Estratégia piloto e articulação estadual

A vacina contra a chikungunya já foi aprovada pela Anvisa e está em fase 4 de monitoramento, etapa que avalia a efetividade em condições reais de uso.

No Brasil, o imunizante está sendo utilizado de forma controlada, dentro de uma estratégia piloto conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Butantan, já implementada em municípios selecionados de diferentes estados.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou que a inclusão do Estado foi construída de forma integrada entre as áreas técnicas da SES.
“Essa é uma construção coletiva, que envolveu as equipes de imunização, vigilância e assistência. Trabalhamos de forma coordenada para apresentar um cenário técnico consistente, que demonstrasse a necessidade e a capacidade do Estado em participar dessa estratégia”, afirmou.

Critérios técnicos e prioridade para Dourados

A definição dos municípios que recebem a vacina segue critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, como situação epidemiológica, capacidade operacional e estrutura de vigilância.

Nesse contexto, Dourados se enquadra como área prioritária, especialmente pelo impacto da doença nas comunidades indígenas.

A Coordenadora de Imunização, Ana Paula Goldfinger, explicou que Mato Grosso do Sul não estava entre os territórios inicialmente contemplados.
“Foram selecionados municípios em outros estados e, naquele momento, Mato Grosso do Sul não havia sido incluído. Por isso, elaboramos um documento técnico conjunto, envolvendo imunização e arboviroses, para demonstrar que o Estado reúne os critérios necessários para participação na estratégia”, destacou.

Segundo ela, o cenário recente foi determinante para reforçar a solicitação.
“A emergência no território indígena de Dourados, com ocorrência de óbitos por chikungunya, reforçou o pedido de inclusão com prioridade para a aldeia, considerando o risco e a necessidade de resposta rápida”, completou.

Treinamento e início da vacinação

O Ministério da Saúde já confirmou o envio de equipes para capacitação dos profissionais de saúde em Mato Grosso do Sul. A estratégia terá início pela população indígena, com treinamento específico nos territórios, voltado aos profissionais que atuam diretamente nessas comunidades.

O gerente de Imunização, Frederico Moraes, destacou a importância da preparação das equipes.
“O treinamento é fundamental para garantir a aplicação segura da vacina e o correto monitoramento dos casos, conforme os protocolos estabelecidos. A estratégia começa pela população indígena justamente pelo cenário epidemiológico mais sensível”, explicou.

Além disso, o Instituto Butantan também realizará treinamento com equipes de sala de vacina no Estado, com agenda prevista para a próxima semana, reforçando a organização da rede para o início da vacinação.

Perspectivas e ampliação

Por se tratar de uma estratégia piloto, a vacinação contra a chikungunya ainda ocorre de forma restrita e monitorada no país. A expectativa é que, a partir dos resultados obtidos, haja ampliação progressiva da oferta do imunizante no SUS.

SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON

Pantanal no centro do mundo


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *