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Mato Grosso do Sul
Pronto-socorro veterinário móvel atenderá animais silvestres vítimas de incêndios no Pantanal
Publicado em 17/10/2025 12:53 - Semana On
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O governo de Mato Grosso do Sul decretou situação de emergência por 180 dias devido à escalada dos incêndios florestais que assolam tanto áreas protegidas quanto regiões não demarcadas do estado. A medida, publicada no Diário Oficial na quinta-feira (16), busca agilizar a resposta às queimadas que vêm comprometendo a qualidade do ar e ameaçando diretamente populações, fauna e flora locais. O decreto autoriza desde a mobilização de todos os órgãos estaduais até o uso de propriedades privadas para ações emergenciais, com posterior indenização em caso de danos.
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A decisão se apoia em análises técnicas do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (CEMTEC) e da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC-MS), que apontam para um cenário crítico de propagação de incêndios, impulsionado pela estiagem prolongada e pelas altas temperaturas típicas do período de seca na região Centro-Oeste. A autorização inclui ainda a dispensa de licitação para compra de bens e contratação de serviços essenciais ao combate à emergência, em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Inicialmente, 21 municípios estão contemplados no plano emergencial: Alcinópolis, Anastácio, Aparecida do Taboado, Aquidauana, Bela Vista, Bodoquena, Campo Grande, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Jardim, Maracaju, Miranda, Naviraí, Nova Andradina, Porto Murtinho, Rio Verde, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia e Três Lagoas. A lista poderá ser ampliada conforme novos focos forem identificados. Os recursos captados junto à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) só poderão ser utilizados nos municípios oficialmente incluídos no decreto.
Além de medidas administrativas, o decreto também prevê a convocação de voluntários e o lançamento de campanhas de arrecadação para atendimento à população afetada. Em caso de risco iminente, autoridades estão autorizadas a entrar em residências para prestar socorro e evacuar áreas, o que ressalta a gravidade da situação.
Contexto de agravamento ambiental
A crise em Mato Grosso do Sul ocorre em meio a um aumento significativo dos focos de calor em todo o Centro-Oeste, especialmente no Pantanal, bioma que abrange parte do território sul-mato-grossense. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que o número de queimadas no Pantanal em 2024 já supera o registrado no mesmo período de 2020 — ano considerado catastrófico para o bioma. Até meados de outubro, o INPE já havia registrado mais de 4.000 focos de incêndio no Pantanal, sendo a maioria concentrada em Mato Grosso do Sul.
A destruição provocada pelo fogo não se restringe à vegetação. Segundo o Instituto Centro de Vida (ICV), os incêndios no Pantanal provocam impacto direto sobre a biodiversidade e geram prejuízos econômicos à atividade turística, agropecuária e à saúde pública. O aumento da poluição do ar decorrente da fumaça atinge diretamente centros urbanos como Campo Grande e Corumbá, ampliando o número de atendimentos por problemas respiratórios.
Especialistas alertam que, embora o clima seco contribua para a propagação das chamas, a maior parte dos incêndios é resultado direto da ação humana, seja por negligência ou uso deliberado do fogo para manejo de áreas rurais. “Mais de 90% das queimadas no Brasil têm origem antrópica”, destaca a pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em entrevista ao El País Brasil.
Políticas públicas sob pressão
Diante do agravamento da situação, cresce a pressão sobre o poder público para a adoção de políticas permanentes de prevenção e controle ambiental. Em anos anteriores, especialistas já criticavam a falta de investimentos consistentes em brigadas estaduais e em programas de educação ambiental. Em 2023, um relatório do Observatório do Clima apontou que a estrutura de fiscalização ambiental nos estados da Amazônia e do Pantanal vinha sendo enfraquecida por cortes orçamentários e desarticulação institucional.
No caso de Mato Grosso do Sul, o decreto de emergência surge como resposta tardia, porém necessária. O desafio, agora, será garantir que as ações mobilizadas não fiquem restritas à resposta imediata, mas avancem para uma política ambiental estruturada e preventiva. A urgência das queimadas exige medidas eficazes, mas a repetição do cenário ano após ano evidencia que decretos emergenciais, sozinhos, não bastam.

MS recebe pronto-socorro veterinário móvel
Para auxiliar na reabilitação de animais vítimas de incêndios e outras catástrofes, o Mato Grosso do Sul recebeu um trailer equipado com aparelhos e utensílios necessários para fazer o socorro emergencial, como tubos de oxigênio, sedativos, anestésicos, curativos, maca e equipamentos de imobilização. O equipamento com itens tecnológicos, será usado pelo Hospital Veterinário do Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) e Gretap (Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal), e permite que o animal atendido no local seja devolvido ao seu habitat, ou então estabilizado para suportar o transporte até a unidade de tratamento intensivo em Campo Grande.
O Samu Veterinário, como é chamado, foi adquirido pelo Ibama (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), com recursos de R$ 400 mil – provenientes de compensação ambiental repassados pela Empresa Vetorial, de Corumbá -, e estará à disposição das equipes do Gretap e do CRAS para atendimento no Pantanal, que concentra a maior população de fauna do Estado. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, participou da cerimônia de entrega do SamuVet ontem (16), na Capital, e elogiou a parceria com o Governo do Estado em várias frentes de conservação ambiental.
“Mato Grosso do Sul é um estado especial, temos aqui o Cerrado, Mata Atlântica e o Pantanal. O Ibama não está sozinho, temos parcerias importantes com o Imasul, com o Governo do Estado”, disse Agostinho, sobre a complexidade da biodiversidade que exige “resposta rápida” dos órgãos de proteção e controle ambiental, e lembrou o intenso trabalho de combate aos incêndios florestais desenvolvidos nos anos anteriores na região pantaneira.
O Samu Veterinário vai auxiliar no socorro estratégico de animais vítimas dessas catástrofes. “Quando o animal recebe atendimento no local, logo após o ferimento, a chance de sobrevivência aumenta muito. O período e as circunstâncias de um transporte longo até Campo Grande estressa muito o animal, o que compromete seu restabelecimento”, disse a veterinária Aline Duarte, gestora do Hospital Veterinário Ayty e coordenadora do CRAS.
O hospital já recebe este ano, entre janeiro a setembro, um total de 1.676 animais – 300 continuam em reabilitação e aproximadamente 800 foram devolvidos à natureza.
Imasul solta sete macacos-prego para retorno à vida livre no Pantanal
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), por meio do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), realizou entre os dias 14 e 16 de outubro a soltura de sete macacos-prego (Sapajus cay) na Fazenda Santa Sofia, no município de Aquidauna.
A ação marca mais uma etapa do trabalho contínuo de reintrodução de fauna silvestre conduzido pelo Estado, voltado à recuperação, monitoramento e preservação de espécies nativas do Pantanal. Os animais passaram por um extenso processo de reabilitação nas dependências do CRAS, onde foram acompanhados por uma equipe de biólogos e veterinários.
A iniciativa contou com o apoio do Refúgio Santa Sofia, onde funciona o Onçafari, parceiro nas ações de conservação e pesquisa na região pantaneira. Durante esse período, reaprenderam a buscar alimento, reconhecer sons da floresta e conviver em grupo, em um ambiente controlado que simula as condições naturais.
A soltura foi planejada para o período pós-seca, quando há maior disponibilidade de frutos e recursos alimentares, fator que aumenta as chances de adaptação e sobrevivência no habitat natural.
“O processo de reabilitação é feito de forma gradual, para minimizar o estresse e garantir que os animais estejam aptos a retomar seus comportamentos naturais. É uma etapa que requer técnica, observação e tempo”, explica Aline Duarte, gestora do CRAS.
Monitoramento e pesquisa científica
Após a soltura, os macacos-prego receberam colares de rastreamento por GPS, que permitirão o acompanhamento remoto e o estudo do comportamento do grupo em seu ambiente natural.
Os dispositivos registram deslocamentos, áreas de uso, formação de grupos e padrões de alimentação. Esses dados serão analisados por pesquisadores e técnicos do Imasul para avaliar o sucesso da reintrodução e aprimorar futuras ações de soltura.
“O monitoramento é fundamental para compreender como esses animais se comportam no retorno à natureza e para aperfeiçoar os protocolos de reabilitação”, destaca a bióloga Márcia Delmondes, integrante da equipe técnica do CRAS.
Antes da liberação, todos os indivíduos passaram por avaliações clínicas e laboratoriais completas. Os testes confirmaram resultados negativos para Anaplasma sp., Babesia sp., Clostridium perfringens e Leptospira sp., garantindo que os animais estavam em condições sanitárias seguras para o retorno à natureza.
O trabalho contou com o suporte do Hospital Ayty, unidade do Imasul equipada com centro cirúrgico, laboratório, sala de esterilização, raio-X e farmácia veterinária, que oferece atendimento integral à fauna silvestre em reabilitação no Estado.
Origem e recuperação dos animais
Os sete macacos têm origens diversas, provenientes de resgates, apreensões e entregas voluntárias. Alguns chegaram ao CRAS debilitados ou com comportamento dependente de humanos, exigindo meses de readaptação. Outros foram retirados de cativeiro doméstico e precisaram reaprender a formar grupos e responder a estímulos naturais.
Durante a reabilitação, os técnicos monitoraram o desenvolvimento físico e social de cada indivíduo, definindo o momento adequado para a soltura em grupo — condição ideal para a espécie Sapajus cay, que vive em bandos organizados e cooperativos.
A médica-veterinária Jordana Toqueto, também do CRAS, explica que o uso dos colares de rastreamento possibilita uma avaliação contínua e científica da readaptação dos primatas.
“Com os dados de GPS, conseguimos saber onde o grupo está se deslocando, se estão se alimentando adequadamente e se mantêm o comportamento natural da espécie. Esse tipo de acompanhamento é essencial para medir a efetividade do processo de reintrodução e garantir que o retorno à natureza ocorra de forma segura”, detalha Jordana.
Compromisso institucional
Para o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o trabalho simboliza o esforço contínuo do Estado em garantir a preservação da fauna nativa e o uso da ciência como ferramenta de gestão ambiental.
“O CRAS e o Hospital Ayty representam uma política pública consolidada de cuidado com os animais silvestres. O uso de tecnologias de rastreamento e o acompanhamento científico fortalecem a proteção da biodiversidade e ampliam o conhecimento sobre as espécies do Pantanal”, destacou André Borges.
O Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) é referência nacional no acolhimento, tratamento e reintrodução de fauna. Mantido pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio do Imasul, o centro recebe animais oriundos de resgates, apreensões e entregas voluntárias em todo o território sul-mato-grossense.
Sinergia entre Executivo e Judiciário amplia ações em MS e guia o desenvolvimento regional
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