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Mato Grosso do Sul
Dengue e leishmaniose preocupam e exigem cuidados redobrados
Publicado em 25/09/2025 1:11 - Semana On
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Em resposta à crescente circulação da Febre do Oropouche no Brasil, a SES (Secretaria de Estado de Saúde), em parceria com o Ministério da Saúde, promoveu um treinamento intensivo voltado à vigilância epidemiológica e ao controle de vetores. A ação reuniu profissionais da equipe técnica do Estado e mais três municípios convidados, com o objetivo de preparar equipes locais para uma resposta rápida e coordenada diante da arbovirose emergente.
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O evento, realizado entre os dias 16 e 18 de setembro, contou com atividades teóricas e práticas em campo e laboratório, abordando desde o cenário epidemiológico até estratégias de coleta de vetores e testagem laboratorial.
“O Treinamento de Entomologia e Vigilância da Febre do Oropouche destaca a SES como protagonista na preparação da resposta, no monitoramento e na vigilância dessa arbovirose emergente. Essa iniciativa é fundamental para a epidemiologia estadual, pois fortalece a detecção precoce, a investigação e o controle de possíveis surtos. Além disso, assegura a integração entre os serviços de saúde, promove a coordenação de ações preventivas e contribui diretamente para a proteção da população frente a esse desafio crescente”, detalha a Coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES, Danielle Galindo Martins Tebet.
Circulação do vírus
A programação contou com momentos de atualização teórica e práticas em campo e laboratório. Na abertura do evento, foram apresentados dados atualizados sobre a circulação do vírus no país e no estado, com orientações sobre vigilância de casos atípicos, como transmissão vertical, anomalias congênitas, óbitos e manifestações neurológicas.
Também foram discutidos aspectos técnicos relacionados à bioecologia e à taxonomia dos vetores silvestres, além de perspectivas para o controle vetorial. O Coordenador de Controle de Vetores da SES, Mauro Lúcio Rosário, reforçou a importância do conhecimento técnico aliado à mobilização social como forma de ampliar a vigilância em saúde no Estado. “Nosso objetivo é capacitar os 79 municípios para que estejam preparados diante da possível propagação da febre”, enfatizou.
Rede estruturada
A capacitação incluiu ainda visitas ao Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), onde as equipes avaliaram a capacidade de testagem e participaram de práticas em entomologia. “Essa capacitação proporcionou atualização dos protocolos de vigilância para Oroupuche, com ênfase na detecção precoce, notificação imediata e investigação oportuna dos casos”, resumiu a gerente de Doenças Endêmicas, Jéssica Klener Lemos dos Santos, sobre os resultados da ação. “Esse alinhamento técnico é fundamental para padronizar as ações e aprimorar a resposta frente à circulação do vírus em território nacional”, finalizou.

MS registra 8.095 casos confirmados de dengue
Mato Grosso do Sul já registrou 13.298 casos prováveis de Dengue, sendo 8.095 casos confirmados, em 2025. Estes dados foram apresentados no boletim referente à 38ª semana epidemiológica, divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) na terça-feira (23). Segundo o documento, 17 óbitos foram confirmados em decorrência da doença e outros 7 estão em investigação.
Nos últimos 14 dias, Bodoquena, Nioaque, Cassilândia, Bela Vista, Ribas do Rio Pardo e Aquidauana registraram incidência baixa de casos confirmados para a doença. Já os óbitos registrados ocorreram nos municípios de Inocência, Três Lagoas, Nova Andradina, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Iguatemi, Paranhos, Itaquiraí, Água Clara, Miranda, Aparecida do Taboado, Ribas do Rio Pardo e Campo Grande. Entre as vítimas, 6 delas possuíam algum tipo de comorbidade.
Vacinação
Ainda conforme o boletim, 188.875 doses do imunizante já foram aplicadas na população alvo. Ao todo, Mato Grosso do Sul já recebeu do Ministério da Saúde 241.030 doses do imunizante contra a dengue. O esquema vacinal é composto por duas doses com intervalo de três meses entre as doses.
A vacinação contra a dengue é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalização por dengue, dentro do quadro de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos de idade.
Chikungunya
Em relação à Chikungunya, o Estado já registrou 13.480 casos prováveis, sendo 7.348 confirmados no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). O documento também confirma 72 casos da doença em gestantes. Conforme o boletim, 16 óbitos foram confirmados em decorrência da doença nos municípios de Dois Irmãos do Buriti, Vicentina, Naviraí, Terenos, Fátima do Sul, Dourados, Sidrolândia Glória de Dourados, Maracaju e Iguatemi. Entre as vítimas, 12 delas possuíam algum tipo de comorbidade.
A SES alerta que as pessoas devem evitar a automedicação. Em caso de sintomas de dengue ou Chikungunya, a recomendação é procurar uma unidade de saúde do município.
Casos de leishmaniose avançam em MS, mas cães não são vilões da doença
Mato Grosso do Sul já contabiliza 120 casos confirmados de leishmaniose tegumentar americana em 2025, com concentração em cidades como Campo Grande, Bonito e Bodoquena, segundo dados oficiais do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O número, registrado entre janeiro e setembro, reacende o alerta para o avanço da doença, especialmente em regiões turísticas e de fronteira, como Mundo Novo, que confirmou três casos autóctones — ou seja, contraídos no próprio município.
O cenário se torna ainda mais preocupante diante do surto registrado em Guaíra, no Paraná, a apenas 24 quilômetros da divisa sul-mato-grossense. A prefeita de Mundo Novo, Rosária Lucca Andrade (PSDB), afirmou que a cidade ainda não recebeu notificação oficial, mas que a Secretaria Municipal de Saúde já considera montar uma barreira de prevenção. “Nosso secretário vai entrar em contato com o secretário de Guaíra para saber como está a situação”, disse a gestora.
Apesar da urgência, especialistas alertam para um erro comum e recorrente em surtos de leishmaniose: a criminalização dos cães. Embora sejam hospedeiros da Leishmania, os cães não transmitem a doença diretamente aos humanos. O vetor da infecção é o mosquito-palha (Lutzomyia), que pica um animal ou humano contaminado e transmite o protozoário em seguida. Por isso, o combate deve focar no controle vetorial e na proteção ambiental, e não na eliminação de animais, como ainda ocorre em algumas regiões.
“A leishmaniose é uma doença vetorial. O cão é vítima, não vilão”, afirma a médica-veterinária e professora da Universidade de Brasília, Fabiana Paranhos. “E o mais importante: existe tratamento para cães. Já não há justificativa técnica ou ética para o extermínio de animais positivos”, completa.
De fato, desde 2016 o Brasil dispõe de tratamentos aprovados pelo Ministério da Agricultura para cães com leishmaniose, incluindo o uso do medicamento Milteforan, da Virbac, além de alternativas como domperidona e alopurinol, que ajudam no controle da carga parasitária e na qualidade de vida dos animais. Ainda assim, o estigma persiste.
A leishmaniose tegumentar americana — uma das duas formas da doença — atinge principalmente a pele, causando feridas de difícil cicatrização. Já a leishmaniose visceral, mais grave, pode afetar órgãos internos como fígado e baço e levar à morte se não tratada. Ambas são zoonoses, ou seja, podem ser transmitidas entre animais e humanos, sempre com o mosquito como vetor. O inseto se prolifera em ambientes úmidos e com matéria orgânica, comuns em quintais sujos, terrenos baldios e áreas de mata.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a principal estratégia de contenção é o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, tanto em humanos quanto em animais. Também são essenciais as campanhas educativas com a população, além da redução de criadouros do mosquito — tarefa que exige ação contínua do poder público, especialmente nas periferias urbanas e nas áreas de expansão desordenada.
No entanto, a responsabilização de cães por surtos de leishmaniose costuma servir como atalho político para mascarar falhas estruturais. “É mais fácil culpar o cachorro do que enfrentar o problema sanitário e ambiental que permite a proliferação do vetor”, criticou a pesquisadora Carmen Barros, da Fiocruz. A prática, além de ineficaz, pode agravar a situação, já que o abandono de cães contaminados contribui para a disseminação da doença em áreas sem controle.
O caso de Mundo Novo, fronteiriço com o Paraná e com forte fluxo populacional, exige vigilância reforçada. A proximidade com o surto em Guaíra e o histórico de casos autóctones elevam o risco de disseminação. Mas qualquer resposta efetiva precisa incluir políticas públicas baseadas em evidências científicas, não em pânico moral ou soluções simplistas.
A leishmaniose é um problema complexo, com determinantes biológicos, sociais e ambientais. Reduzir esse problema à figura do cachorro doente não apenas distorce a realidade, mas também compromete o controle da doença. Como lembra a Organização Mundial da Saúde (OMS), “a abordagem integrada, que envolve saúde humana, saúde animal e meio ambiente — o conceito de One Health — é fundamental para o enfrentamento da leishmaniose no século 21”.
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