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Mato Grosso do Sul

Justiça torna réus investigados por receber propina da JBS em MS

Entre eles, filho de ex-governador, prefeito, deputado estadual e conselheiro do TCE

Publicado em 23/08/2025 10:22 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Sete anos após a denúncia inicial ser apresentada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou a acusação contra 21 investigados por envolvimento em um esquema de corrupção que teria movimentado R$ 67,8 milhões em propinas pagas pela JBS durante a gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB), entre 2015 e 2022.

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A decisão foi publicada no último dia 15 de agosto e abrange investigados por crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Vostok, deflagrada em 2018 pela Polícia Federal.

Entre os réus estão figuras de destaque na política e na administração pública sul-mato-grossense, como Rodrigo Souza e Silva, filho do ex-governador; o deputado estadual Zé Teixeira (PSDB); o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), Márcio Campos Monteiro; o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra Ribeiro, além de empresários e servidores ligados ao suposto esquema.

Réus no processo:

  • Antônio Celso Cortez
  • Cristiane Andréia de Carvalho dos Santos
  • Daniel Chramosta
  • Daniel de Souza Ferreira
  • Elvio Rodrigues
  • Francisco Carlos Freire de Oliveira
  • Gabriela de Azambuja Silva Miranda
  • Ivanildo da Cunha Miranda
  • João Roberto Baird
  • José Ricardo Gutti Guimaro
  • José Roberto Teixeira
  • Léo Renato Miranda
  • Márcio Campos Monteiro
  • Miltro Rodrigues Pereira
  • Nelson Cintra Ribeiro
  • Osvane Aparecido Ramos
  • Pavel Chramosta
  • Roberto de Oliveira Silva Júnior
  • Rodrigo Souza e Silva
  • Rubens Massahiro Matsuda
  • Zelito Alves Ribeiro

Ex-governador Reinaldo Azambuja segue investigado

Apesar de apontado pelo Ministério Público como o “chefe” da organização criminosa, Reinaldo Azambuja responde em processo separado. O caso dele foi desmembrado e encaminhado ao STJ, com base em entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre foro por prerrogativa de função.

A defesa do ex-governador tentou transferir o caso para a Justiça Eleitoral, sob o argumento de que os supostos crimes estariam relacionados ao financiamento de campanhas. No entanto, o pedido foi negado.

Como funcionava o esquema, segundo o MP

De acordo com a denúncia obtida pelo g1, os pagamentos da JBS teriam como objetivo obter benefícios fiscais junto ao governo estadual. A propina, conforme o Ministério Público, era posteriormente “lavada” por meio de:

  • Doações oficiais de campanha;
  • Emissão de notas fiscais frias, simulando vendas de gado;
  • Pagamentos em espécie por meio de intermediários.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, inicialmente também figuravam como investigados, mas o processo contra eles foi arquivado após acordo de delação premiada homologado pelo STF.

O que dizem os réus

  • A defesa de Rodrigo Souza e Silva, Roberto de Oliveira Silva Júnior, Elvio Rodrigues e Léo Renato Miranda afirmou confiar na absolvição de seus clientes:

“O recebimento da denúncia é uma fase natural do processo, não representa comprovação de culpa, apenas autoriza o andamento da ação penal”, declarou.

  • O advogado de José Roberto Teixeira informou que vai contestar o processo e pretende levar a decisão ao STJ, para discutir o possível desmembramento integral do caso:

“Neste momento, a nova fase não altera a situação do réu”.

  • O prefeito Nelson Cintra Ribeiro atendeu à reportagem, disse estar ocupado e que responderia posteriormente.
  • A defesa de João Roberto Baird declarou que “não tem nada a manifestar” no momento.
  • O escritório responsável por Zelito Alves Ribeiro informou que a advogada do caso está em viagem e não conseguiu contato com o cliente para autorização de pronunciamento.
  • Já a defesa de Márcio Campos Monteiro afirmou receber a denúncia com tranquilidade e que iniciará sua estratégia de defesa a partir de agora.

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