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Mato Grosso do Sul
Em Brasília, Governos de MS e da Amazônia discutem combate aos incêndios florestais e participam de Pacto pela Transformação Ecológica
Publicado em 22/08/2024 12:41 - Rafaela Palieraqui (G1MS), Semana On – Edição Semana On
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Os incêndios no Pantanal destruíram mais de 2,031 milhões de hectares do bioma, 13,46% da área total, de acordo com dados atualizados nesta quinta-feira (22) pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ). A área é equivalente a do estado de Sergipe (2 milhões de hectares).
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em todo o território do Pantanal, foram registrados 498 focos, sendo 298 em Mato Grosso do Sul. O estado sul-mato-grossense equivalente a 59,8% do total do bioma.
A fumaça das queimadas pode ser vista em Corumbá (MS), que amanheceu encoberta nos seus 27 °C. Conforme a Climatempo, os termômetros podem bater 40 °C, seguindo de baixa umidade, nesta quinta-feira.
A temporada de incêndios no Pantanal, que historicamente começa entre o fim de julho e o início de agosto, se antecipou em 2024 – em maio – devido à longa estiagem e às mudanças climáticas. Conforme apontam especialistas, o bioma enfrenta a pior temporada de fogo desde 1951.
Animais afetados
Na última semana, três onças-pintadas foram resgatadas dos incêndios no Pantanal. Um dos felinos, Antã, foi resgatado com queimaduras de terceiro grau e comprometimento pulmonar – podendo a causa ser inalação de fumaça – na região do Passo da Lontra, no Pantanal de Miranda (MS).
Veterinários afirmam que Antã requer uma maior atenção, por estar mais debilitado. “Ele está com crepitações [som semelhante ao chiado] no pulmão que acreditamos ser causado pela inalação da fumaça de algum incêndio. É partir desses exames que vamos verificar a real situação do Antã”, explica a coordenadora do Ayty, a veterinária Aline Duarte.
Além de Antã, Miranda e Itapira foram salvas com queimaduras de segundo grau e lesões pelo corpo. Miranda foi levada para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, em Campo Grande e, Itapira para o instituto NEX, em Goiás.
Outras espécies
Desde o início da temporada de incêndios no Pantanal, em maio — que começou mais cedo do que o habitual devido ao tempo seco e às mudanças climáticas —foram resgatados mais de 564 animais silvestres afetados pelo fogo. O número de animais mortos ainda não foi calculado.
Um estudo realizado por 30 pesquisadores de órgãos públicos, universidades e ONGs estimou que, em 2020, ao menos 17 milhões de animais vertebrados morreram em consequência direta das queimadas no Pantanal.
Segundo o diretor do SOS Pantanal, Gustavo Figueiroa, o cenário provocado pelo avanço do fogo muda completamente o comportamento dos animais. Um exemplo foi de uma onça e uma jaguatirica dividindo a mesma manilha, para se protegerem das chamas, no Caiman.
Em Brasília, Governos de MS e da Amazônia discutem combate aos incêndios florestais
Além do monitoramento de focos via satélite, o combate aos incêndios na Amazônia e no Pantanal é tema de constantes encontros entre representantes onde ficam os biomas atingidos pelo fogo em uma das piores estiagens das últimas décadas.
Na noite desta quarta-feira (21), os governadores Eduardo Riedel (MS), Antônio Denarium (RR), Wilson Lima (AM), Gladson Cameli (AC) e Carlos Brandão (MA) discutiram o assunto em Brasília.
“O Pantanal já sofreu bastante, temos uma previsão de baixo índice de chuva nos próximos dois meses ainda e todas as nossas forças mobilizadas com o Governo Federal também apoiando bastante o Estado neste momento”, disse Riedel.
Em Mato Grosso do Sul a área queimada pelos incêndios florestais chega a 1.495.475 hectares de janeiro deste ano até 20 de agosto (o que corresponde a 15% do Pantanal em MS). Mais de 500 bombeiros militares, policiais, integrantes das Forças Armadas, brigadistas da União e do governo estadual combatem as chamas dentro de um planejamento que começou a ser feito no início de 2024, diante das previsões climáticas anunciando a pior seca em 70 anos.
Os governadores foram recebidos no Distrito Federal por seis ministros: Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) e Laercio Portela (Comunicação).
A União anunciou que nas próximas semanas vai montar frentes de atuação em regiões amazônicas com maior número de incêndios florestais.
“Nós temos 21 municípios que concentram 50% de todos os focos de incêndios na Amazônia. E nós estamos separando em três regiões onde a gente quer instalar frentes multiagências interfederativas, ou seja, com órgãos federais e estaduais, e vamos chamar também órgãos municipais, para gente atuar sobre essas novas ignições de incêndio”, afirmou André Lima, secretário extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial no MMA.
As três áreas prioritárias são as regiões entre Porto Velho, em Rondônia, e Humaitá, no Amazonas, na abrangência da BR-319; a região de Apuí, no Amazonas, por onde passa a BR-230, que é a Rodovia Transamazônica; além da região de Novo Progresso, no oeste do Pará, abrangida pela BR-163. Nessas localidades, serão instaladas bases multiagências, envolvendo órgãos federais, entre eles o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além da Polícia Federal, polícias estaduais e outras agências estaduais.
Segundo o governo, já existem cerca de 360 frentes de incêndios em atuação no Norte do país, com mais de 1,4 mil brigadistas. De janeiro até agora, foram registrados mais de 59 mil focos de incêndio na Amazônia, o pior número desde 2010. O resultado disso é que a fumaça das queimadas atinge cidades de dez estados.
Imagens obtidas pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos mostram a concentração do monóxido de carbono sobre uma faixa que se estende do Norte do Brasil até as regiões Sul e Sudeste, passando sobre o Peru, Bolívia e Paraguai. Na última semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta sobre os cuidados necessários para a saúde nesses casos.
Governo de MS participa de Pacto pela Transformação Ecológica
Para estabelecer um novo direcionamento ao desenvolvimento do Brasil, aliado a agenda ambiental e climática, o Governo de Mato Grosso do Sul participa do Pacto pela Transformação Ecológica, que envolve os Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário.
O governador Eduardo Riedel participou na tarde de quarta-feira (21), em Brasília (DF), da formalização do Pacto, que tem como objetivo fortalecer a posição do Brasil no cenário internacional, como protagonista global nas áreas de segurança ambiental, climática e alimentar. Pela primeira os Três Poderes se uniram em torno da agenda e para definir um novo rumo de evolução brasileira.
“Avalio de maneira muito positiva, pois acaba colocando o Brasil num eixo global, o da transformação ecológica. É uma demonstração clara que, institucionalmente, Executivo, Legislativo e Judiciário, estão convergindo em uma mesma linha de posicionamento estratégico do país, que tem muito a contribuir na segurança alimentar, transição, energética e desenvolvimento sustentável. O Mato Grosso do Sul está muito bem posicionado neste sentido e o que a gente vê aqui, é o Brasil se posicionando, o que é muito positivo. Nós temos uma capacidade de desenvolver com baixa emissão de carbono, com garantias de sustentabilidade da nossa biodiversidade, agregando emprego, renda, divisas, pelo grande ativo agroambiental que nós possuímos. Estas três grandes agendas fazem parte do pacto, segurança alimentar, transição energética e desenvolvimento sustentável. Parabéns ao Brasil”, disse Riedel.
A partir de relações sustentáveis com a natureza e seus biomas, a transformação ecológica é uma mudança nos paradigmas econômicos, tecnológicos e culturais em prol do desenvolvimento, e assim possibilita a geração de riqueza e sua distribuição justa e compartilhada, com melhoria na qualidade de vida das gerações presentes e futuras.
O Pato pela Transformação Ecológica entre os Três Poderes tem como objetivos a sustentabilidade ecológica, desenvolvimento econômico e sustentável, justiça – social, ambiental e climática –, direitos das crianças e gerações futuras, resiliência a eventos climáticos extremos.
“A partir do momento que os poderes se unem em torno de uma agenda, fortalece a agenda. Quando falamos em pauta verde, a gente tem que deixar muito claro que estamos falando de desenvolvimento sustentável. Isso é emprego, renda, divisas, possibilidade de bem-estar com responsabilidade ambiental”, afirmou o governador.
Divididas em três eixos, são previstas 26 medidas que devem ser implantadas por um comitê gestor conjunto. Entre as prioridades estabelecidas, as ações têm envolvimento direto dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Para a mudança de rumos do Brasil, todos se comprometem a atuar em harmonia e de forma integrada.
A cerimônia de assinatura do pacto foi no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), com a participação dos representantes dos Três Poderes – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos presidentes Rodrigo Pacheco (Senado), Arthur Lira (Câmara dos Deputados) e Luís Roberto Barroso (Supremo Tribunal Federal – STF).
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