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Mato Grosso do Sul
Políticas públicas do Estado para avicultura renovam setor e melhoram renda para os produtores
Publicado em 19/05/2025 10:13 - Semana On
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A confirmação de um novo caso de gripe aviária no Brasil, desta vez em criação comercial no Rio Grande do Sul, acendeu o alerta em todo o país. Em Mato Grosso do Sul, sexto maior exportador de carne de aves do Brasil, a reação foi imediata: reforço na vigilância sanitária, visitas técnicas a produtores e redobramento das medidas de biossegurança em granjas e frigoríficos. O temor, agora, é que o episódio repercuta negativamente sobre a economia estadual, altamente dependente das exportações do setor.
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Os números ajudam a dimensionar o impacto potencial. Apenas no primeiro trimestre de 2025, Mato Grosso do Sul foi responsável por 4,1% da receita nacional com exportações de carne de aves, somando US$ 2,47 bilhões. Segundo a Avimasul (Associação dos Avicultores de Mato Grosso do Sul), mais de 57,5 milhões de animais foram abatidos entre janeiro e abril — uma queda de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram abatidos 60,1 milhões.
A reação internacional foi rápida e dura. Em menos de 72 horas, mais de 10 países anunciaram suspensão temporária das importações brasileiras de carne de aves. Entre eles, a China — principal destino da produção sul-mato-grossense — e blocos estratégicos como a União Europeia. Também interromperam compras a Argentina, o Uruguai, o Chile, o México, o Canadá, a África do Sul, entre outros.
Entre janeiro e abril, a China importou 9,7 mil toneladas de carne de frango produzida em Mato Grosso do Sul — o equivalente a 16,4% de toda a produção exportada pelo Estado no período. A venda gerou US$ 22 milhões em receita, segundo boletim da Casa Rural.
“A notícia caiu como uma bomba. Estamos em vigilância constante, levando informação técnica ao campo, mas apreensivos com os impactos econômicos”, afirma Daniel Ingold, diretor-presidente da Iagro/MS (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal). Ele destaca que, apesar do impacto, o Estado já havia passado por um treinamento importante em 2023, quando foi registrado um caso isolado da doença em uma galinha doméstica. “A estrutura de resposta está mais preparada”, conclui.
Franciele Corneli, presidente da Avimasul, confirma que o setor já vinha se preparando para enfrentar uma eventual crise sanitária. “Estamos nos preparando para esse momento há muito tempo”, declarou, ressaltando que o setor está mobilizado desde a última sexta-feira (16), quando o caso foi confirmado.
Japão adota regionalização e oferece alívio parcial
Uma exceção relevante à onda de bloqueios comerciais veio do Japão, que adotou a chamada regionalização do foco. A medida permite que as restrições sejam aplicadas apenas ao Estado afetado — neste caso, o Rio Grande do Sul — e não ao país como um todo. Isso representa um respiro para o Mato Grosso do Sul, que tem no Japão seu segundo maior comprador de carne de aves.
A adoção da regionalização está em consonância com diretrizes da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), que recomenda o reconhecimento de zonas livres de doenças como forma de mitigar impactos comerciais desproporcionais. No entanto, nem todos os países seguem essa orientação — em especial grandes blocos econômicos como a União Europeia, cuja política sanitária é mais rigorosa.
Segurança alimentar: consumo interno não deve ser afetado
Apesar da repercussão internacional, autoridades sanitárias brasileiras reforçam que não há risco à saúde humana no consumo de carne de frango ou ovos devidamente inspecionados e preparados.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou nota oficial esclarecendo que a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) não é transmitida por meio da ingestão de produtos avícolas. A contaminação ocorre pelo contato direto com aves infectadas ou com superfícies contaminadas — não pelo consumo de alimentos.
“Produtos como frango assado, cozido, grelhado, ou ovos bem preparados são absolutamente seguros”, reforça o nutricionista Emerson Duarte. “A população pode continuar consumindo carne de frango e ovos com total segurança, desde que sejam adquiridos de fontes confiáveis e preparados adequadamente”, complementa.
A avaliação é corroborada por estudos da OMS (Organização Mundial da Saúde), segundo os quais os casos de transmissão da gripe aviária para humanos permanecem extremamente raros e estão geralmente relacionados a contato direto com aves infectadas — não ao consumo de alimentos.
Gripe aviária no mundo: contexto e riscos
A gripe aviária, causada pelo vírus Influenza tipo A, afeta principalmente aves, mas pode ser transmitida a mamíferos em condições específicas. Desde 2020, surtos da doença foram registrados em mais de 70 países. Em 2023, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), mais de 140 milhões de aves foram abatidas em função da doença.
O Brasil manteve-se livre de casos comerciais até este ano. A confirmação no Rio Grande do Sul representa a primeira ocorrência em granja produtiva, o que aciona cláusulas sanitárias em diversos contratos internacionais. A depender da duração e da extensão do surto, o impacto econômico pode ser severo — principalmente para estados exportadores como Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Economia à prova: o peso do setor no MS
A avicultura representa um dos pilares da economia sul-mato-grossense. Além da receita direta com exportações, o setor movimenta cadeias produtivas associadas como o milho (usado na ração), o transporte de carga, a logística e a indústria frigorífica.
A suspensão de importações por parte de grandes compradores pressiona frigoríficos, cooperativas e pequenos produtores, além de gerar receio em torno da manutenção de empregos e contratos. Em paralelo, há temor de queda no preço interno da carne de frango devido ao represamento da produção destinada ao exterior.
Com o caso ainda em fase de monitoramento, autoridades estaduais e federais seguem em campo, tentando conter os efeitos da crise sanitária. A esperança está na regionalização e no restabelecimento gradual das exportações com base em negociações bilaterais, laudos técnicos e inspeções sanitárias.
Enquanto isso, o setor avícola de Mato Grosso do Sul vive dias de incerteza — mas também de resposta ágil e coordenada. “Essa é uma crise que exige responsabilidade, comunicação clara e medidas firmes. Estamos atentos e trabalhando com máxima transparência”, finaliza Franciele Corneli.
Políticas públicas de MS renovam setor e melhoram renda para os produtores
Os benefícios das políticas públicas implementadas pelo Governo do Estado para alavancar a avicultura, como os incentivos de redução de ICMS de energia, remuneração pela produtividade e a oferta de crédito por parte do FCO para financiar o desenvolvimento da atividade, foram apresentados sexta-feira (16) pelo secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico, da Semadesc, Rogério Beretta. Ele foi um dos palestrantes do 4º Fórum da Avimasul, realizado durante a 59ª Expoagro em Dourados.
Produtores, especialistas e lideranças políticas se reuniram para discutir o futuro da avicultura em Mato Grosso do Sul, em meio a um cenário de crescimento e também de atenção redobrada com surgimento de um foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul. A organização foi da Associação dos Avicultores do Estado, presidida por Franciele Corneli.
Na primeira palestra, Beretta destacou as políticas públicas do Governo do Estado. “Falamos sobre a questão do incentivo da redução do ICMS de energia para os avicultores. Colocamos também a questão da liberação de recursos do FCO, que só no ano passado liberou quase R$ 300 milhões para investimentos na atividade”, salientou.
O secretário falou ainda sobre o Plano Estadual de Desenvolvimento da Avicultura (Proaves), o programa de incentivos do Governo que é um sucesso. “Essa política pública tem dado muito certo que é o programa de incentivo financeiro Frango Vida colocando a questão da abrangência do programa”, frisou.
Ele enfatizou que hoje são 270 produtores que estão acessando o benefício do Frango Vida no ano de 2024 foram 64 milhões distribuídos. “Os produtores têm atendido às exigências do programa. Quase 80% dos produtores já estão quase no nível máximo do atendimento de requisitos e seguimos em constante contato com os produtores através da Avimasul para poder continuar elaborando políticas públicas que venham atender a cadeia produtiva”, pontuou.
A nova regra do FCO implementada essa semana, que prevê que nenhum financiamento do FCO para a integrados de empresas do setor de suínos aves e peixes, poderá ser dado sem que o documento contratual da empresa integradora seja analisado e aprovado pela CADEC, também foi abordada pelo secretário-executivo.
“O CADEC é o órgão que faz as análises da viabilidade técnica do contrato integrador e integrado. Então essa é uma novidade aqui do Mato Grosso do Sul já está valendo e foi bastante e essa medida foi bastante aplaudida pelos avicultores”, sinalizou.
Oportunidades
As oportunidades e o momento que Mato Grosso do Sul está vivenciando com excelentes índices, também foram apresentados em uma segunda palestra comandada por Beretta, representando o secretário de Estado Jaime Verruck.
“Apresentamos os dados que o Mato Grosso do Sul vem tendo em relação a investimento privado, em relação a nível de capital humano, a redução de de taxa de extrema pobreza e aí mostramos também a sustentabilidade do agro sul-mato-grossense, os índices de crescimento das áreas de agricultura e pecuária”, declarou.
Beretta lembrou que este crescimento se deu basicamente em cima da substituição de área de pastagem. “Então nosso meio ambiente está muito bem mantido. Muito bem é preservado. Hoje temos 38% de vegetação nativa no Estado. Tanto que a lógica hoje é de recompensar quem preserva o meio ambiente através de pagamento de serviços ambientais, até mesmo dos programas de incentivo financeiro”, concluiu.
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