22/02/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

Governo vai Pantanal adentro com ações preventivas contra influenza aviária

Ofensiva contra gripe aviária vai além da fronteira e mira até fluxo de migração de aves

Publicado em 15/03/2023 9:11 - Semana On

Divulgação Gov MS

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O sol pantaneiro escaldante aliado à poeira típica das estradas que levam as comunidades mais longínquas são barreiras hoje superadas para as equipes do Governo de Mato Grosso do Sul que estão levando Pantanal adentro informações e abrindo um importante diálogo com os moradores desses locais, os fortalecendo como aliados do Estado na manutenção da sanidade dos animais criados em solo sul-mato-grossense, em especial contra a influenza aviária.

“Vocês tinham conhecimento disso?”, questionou o fiscal Claudio di Martino, integrante da comitiva da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), ao abrir conversa com moradores do Assentamento Taquaral, se referindo à ameaça da influenza aviária após registro recente de um caso em Cochabamba, na região andina da Bolívia.

O assentamento fica em Corumbá, a poucos quilômetros da faixa de fronteira seca com a Bolívia, sendo visto como estratégico para frear a entrada de doenças que afetam a sanidade animal no Brasil. Assim, foi ali que as ações realizadas na região pantaneira e de fronteira foram iniciadas pelos servidores da Iagro.

Durante a conversa, várias informações foram compartilhadas para identificar casos de influenza aviária, foi explicado como proceder caso perceba-se que algum animal está com caso suspeito da doença e todas as implicações que a chegada dessa zoonose pode trazer à saúde e economia.

Outros temas, como a implementação do Selo Arte – destinado aos que produzem produtos de origem animal de forma artesanal sejam atestados com uma certificação de qualidade – e o fim da vacinação contra a aftosa também foram abordados e discutidos com os moradores, que tiveram palavra aberta para fazer sugestões aos técnicos da agência sanitária.

“Ninguém esperava que a Iagro ia vir, pois nunca houve uma palestra assim para o povo daqui. Achei muito interessante. Muitas pessoas achavam que era uma coisa, agora com a Iagro vindo, a gente vê que não é o que a gente pensava. Foi bem esclarecedor e gostamos”, frisa a produtora de queijo Josefa de Fátima Lima.

Morando ali desde os cinco anos, hoje com 31 anos a assentada tem seu próprio lote onde cria gado leiteiro, que oferece a ela em média 40 litros de leite por dia, oriundos de oito cabeças. “Passei minha vida toda aqui e meu lugar é aqui, então tenho que prezar por ele. Todos temos medo que doenças venham para cá, mas acho que podemos evitar fazendo tudo certo”.

O Selo Arte é destinado àqueles que trabalham com produtos de origem animal de forma artesanal, e busca atestar a qualidade desses produtos através de uma certificação. Essa medida é de extrema importância para garantir a segurança alimentar dos consumidores e valorizar os produtores que se dedicam à produção artesanal.

A equipe também explicou sobre os procedimentos com o  fim da vacinação contra a febre aftosa, uma medida que visa a melhoria da saúde animal e que pode contribuir para a abertura de novos mercados para os produtores brasileiros. Durante a reunião, os moradores tiveram a oportunidade de participar ativamente, fazendo sugestões e trocando informações com os técnicos da agência sanitária.

Material é didático e de simples entendimento

Nada mais fácil de entender do que um gibi. E justamente é esse um dos formatos usados para cativar o público e sobre a importância de se prevenir quanto a influenza aviária.

Os materiais impressos entregues aos assentados e as explicações dos servidores ajudaram a todos na compreensão de que o fluxo migratório das aves dissemina o vírus entre elas, sendo assim importante que aves domésticas não interajam com as silvestres.

“Está na nossa porta e depende desse empenho comunitário”, frisa o diretor-adjunto e fiscal da Iagro, Cristiano de Oliveira, completando que mesmo sendo raro, é possível que haja contágio de ave para humanos em casos de contatos íntimos entre os dois. O vírus não é transmitido ao se alimentar de aves e também não há transmissão registrada de humano para humano.

As visitas aos assentamentos e a fiscalização no posto de fronteira acontece há praticamente um mês, contudo vem sendo reforçada, ganhando maior destaque agora. “Hoje vou dar parabéns a vocês por virem aqui, estarem explicando as coisas para a gente”, comenta outro assentado da Taquaral, Janilton Saraiva, acrescentando que a partir de agora vai comunicar à Iagro sobre qualquer alteração verificada nos animais.

O grupo que visitou o Assentamento Taquaral nesta quarta e segue para a fazenda Novo Horizonte nesta quinta é formado pelo diretor-adjunto da Iagro, Cristiano Moreira de Oliveira; pelo gerente de Controle e Operações, Marco Aurélio Guimarães; pelo coordenador do Núcleo de Produtos Artesanais de Origem Animal, Wilson de Moraes Rodrigues Junior; pelo fiscal Claudio Di Martino; e pela assessora de comunicação Iza Olmos Rodrigues de Lima.

Quais as orientações?

Os principais sinais da doença nos animais são dificuldade respiratória, corrimento nasal e ocular, inchaço de cabeça, andar cambaleante, torcicolo e alta mortalidade. A transmissão ocorre por contato direto com aves contaminadas, mais especificamente com secreções. Evitar o contato com as aves, manuseio de animais doentes e a manutenção da limpeza do ambiente de criação são medidas de prevenção.

O Brasil nunca registrou nenhum caso da doença. Para comunicar a Iagro em qualquer suspeita da doença, o contato é o WhatsApp (67) 99961-9205, além da plataforma e-Sisbravet (Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergência Veterinária), via internet: https://sistemasweb4.agricultura.gov.br/sisbravet/manterNotificacao!abrirFormInternet.action.

Ofensiva vai além da fronteira e mira até fluxo de migração de aves

Diante da imensidão verde que outrora, reza a lenda, foi o Mar de Xaraés, a estrada de terra batida nos leva a um lugar incomum aos que estão nas urbes agitadas, mas de praxe para os que têm o Pantanal na veia: a Nhecolândia. Ali, há pontos que são paradas obrigatórias para aves que anualmente voam milhares de quilômetros em um ritual migratório que começa bem longe, em países como Canadá, Estados Unidos e México.

A ciência unida ao conhecimento dos pantaneiros formou um casal infalível para encontrar os locais de invernada dos animais que, ao se deslocarem entre os hemisférios norte e sul, buscam suporte de alimentação, água e descanso no Pantanal. Contudo, esse movimento natural e secular esconde o risco da transmissão da influenza aviária.

“Todo o trabalho é feito principalmente nas proximidades das lagoas em propriedades rurais, identificadas por imagens de satélites e também ouvindo a população local como pontos onde as aves silvestres se encontram, e também podem ter contato com as domésticas”, explica o médico veterinário Marco Aurélio Guimarães.

Fiscal agropecuário e gerente de Controle e Operações do Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul), Guimarães, assim como outros fiscais, tem auxílio da tecnologia para esse trabalho, usando drones para encontrar aves doentes.

Com a visão aérea, é possível identificar aves silvestres caídas ou mesmo com outros sintomas da influenza aviária. “Essas áreas são possíveis pontos de entrada da doença no Brasil, e por isso intensificamos o trabalho nesses locais, mesmo que distantes”, frisa.

Se algum caso suspeito é identificado, as aves domésticas da propriedade têm amostragens de sangue coletadas para análise em laboratório federal, com prazo de uma semana para se ter o resultado nesse período de maior vigilância – que subiu após a identificação da influenza aviária em uma granja boliviana na região dos Andes, que apesar de distante de Mato Grosso do Sul, se faz necessário a intensificação da fiscalização.

Na Curva do Leque, um Novo Horizonte

No fim da semana passada, uma das áreas fiscalizadas foi a fazenda Novo Horizonte, próxima da Curva do Leque, região da Nhecolândia. Ali, a beleza da lagoa central chama a atenção pela concentração de aves, sendo um dos locais de invernada espalhados pelo Pantanal para os animais que estão migrando do hemisfério norte para o sul.

Um dos parceiros da Iagro na vigilância animal é o médico veterinário responsável pela fazenda, Leandro de Souza Kuhn. “É uma fazenda de 7,4 mil hectares, tem leilões também, então é tudo muito corrido aqui. A Iagro é parceira ao trazer informações sobre tudo relativo ao nosso trabalho e também ao fazer a coleta e trazer resultados”, frisa, completando.

“É uma parceira que está sempre agregando e trazendo maior segurança. A gente se comunica com outros pecuaristas, trabalhadores da região. São cinco anos já aqui, e cuidar de bicho está no sangue. Sempre gostei e por isso escolhi a veterinária. Além do bem estar do animal, a gente garante que a roda da economia continue girando. O Brasil é o país do agro e estamos aqui para agregar”, conclui Leandro em rápida conversa antes do almoço.

As visitas da Iagro ali ocorrem quinzenalmente, assim como acontece em outras áreas. Das aves silvestres que estão no foco da fiscalização, estão principalmente os patos e os gansos. Contudo, todas estão na mira da agência. A orientação para a população é que se evite o contato com esses animais e que qualquer suspeita deve ser avisada às autoridades.

Os contatos para tirar dúvidas ou mesmo apontar possíveis problemas relativos à sanidade animal e vegetal são o site da Iagro, o sistema e-sisbravet, os escritórios locais da Iagro e o número da agência no WhatsApp, que é o (67) 99961-9205.

Fronteira em alerta

O monitoramento da migração de aves é apenas uma das ações do Governo de Mato Grosso do Sul para evitar a entrada da influenza aviária no Brasil pelo território sul-mato-grossense. Desde quinta-feira (9) está em funcionamento no Posto de Fiscalização Esdras, na linha de fronteira com a Bolívia, o arco de desinfecção da Iagro.

A estimativa é que diariamente 8 mil veículos de passeio cruzem a linha internacional entre Brasil e Bolívia, além de aproximadamente 800 veículos de cargas. Muitos deles vão passar pelo arco, que com esguichos faz a limpeza necessária para impedir o avanço da influenza.

Outro ponto de fiscalização é a rodovia BR-262, onde fica a unidade da PMA (Polícia Militar Ambiental) no Buraco das Piranhas. Além desses dois trabalhos, também são feitas fiscalizações volantes em diversos pontos da região fronteiriça. Os assentamentos estão inclusos nessa fiscalização, devido a fronteira seca.

Por ora, não há nenhum caso da doença no Brasil. Uma das características da influenza aviária é a alta mortalidade das aves e humanos infectados. A transmissão para humanos só ocorre se houver contato íntimo com esses animais, e não existem ainda casos de transmissão entre humanos. Contudo, uma mutação do vírus pode acontecer e a doença passar a ser transmissível de pessoa para pessoa, seguindo com alta mortalidade.


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