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Mato Grosso do Sul

Governo Federal reconhece emergência em 11 cidades de MS por incêndios florestais

Medida facilita liberação de recursos federais após destruição de 30 mil hectares

Publicado em 31/10/2025 1:55 - Semana On

Divulgação Gov MS

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O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) publicou nesta sexta-feira (31), no Diário Oficial da União, o reconhecimento da situação de emergência em 11 municípios de Mato Grosso do Sul devido aos incêndios florestais. A medida federal reforça o decreto já emitido pelo governo estadual em 18 de outubro, que apontava alto risco de queimadas com base em análises meteorológicas e ambientais.

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Com a decisão, as cidades de Alcinópolis, Anastácio, Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Jardim, Maracaju, Miranda e Rio Verde de Mato Grosso passam a ter acesso facilitado a recursos da União para ações de resposta e prevenção aos incêndios. A validade do decreto é de 180 dias.

A medida chega após semanas de devastação na região do Pantanal, onde cerca de 30 mil hectares foram consumidos pelo fogo desde o fim de setembro. Um dos focos mais intensos teve origem na Serra do Amolar, após a queda de um raio em área de morraria — as chamas se espalharam rapidamente, impulsionadas pelo calor extremo e ventos fortes. Outro ponto atingido foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário. Segundo autoridades locais, os focos nesses locais já foram extintos, mas o risco permanece alto.

Estado em alerta climático e ambiental

O decreto estadual foi embasado por dados técnicos do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (CEMTEC) e da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC-MS). Ambos os órgãos apontaram risco climático elevado para novas ocorrências de incêndios, motivado pela combinação de estiagem prolongada, aumento das temperaturas e baixa umidade relativa do ar.

A medida autoriza a mobilização de todas as estruturas estaduais sob coordenação da Defesa Civil, além da convocação de voluntários, realização de campanhas de arrecadação e permissão para uso de propriedades privadas em ações emergenciais — com garantia de indenização se houver danos. Também prevê dispensa de licitação para aquisição de bens e serviços essenciais, nos moldes da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Embora o reconhecimento federal tenha listado 11 cidades, o decreto estadual inclui ainda: Aparecida do Taboado, Bela Vista, Bodoquena, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Porto Murtinho, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia e Três Lagoas.

Um problema que se repete

O Pantanal, bioma reconhecido mundialmente por sua biodiversidade única, enfrenta um ciclo cada vez mais frequente e agressivo de incêndios. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o número de focos de calor no Pantanal em setembro de 2023 foi o maior da série histórica para o mês desde 2012 — dado que indica uma tendência de agravamento, não apenas pontual.

Especialistas apontam que o fenômeno está diretamente ligado às mudanças climáticas e à ação humana. “A combinação de secas prolongadas com práticas agrícolas inadequadas, como o uso do fogo para manejo de pastagens, cria um ambiente altamente inflamável”, afirmou recentemente Mercedes Bustamante, ecóloga e pesquisadora da Universidade de Brasília.

Além disso, a infraestrutura precária para combate a incêndios florestais na região contribui para a escalada das queimadas. A dificuldade de acesso às áreas afetadas, a escassez de brigadistas e o subfinanciamento de órgãos ambientais têm sido alvos de críticas por parte de entidades ambientalistas e da sociedade civil.

Medida tardia?

O reconhecimento federal da emergência chega tardiamente, segundo ambientalistas e gestores locais, considerando que os focos mais intensos já haviam sido controlados semanas antes. Ainda assim, o decreto pode destravar recursos fundamentais para ações de prevenção e contenção, especialmente diante da previsão de continuidade do clima seco nas próximas semanas.

“É uma medida importante, mas insuficiente se não vier acompanhada de políticas públicas permanentes de prevenção, fiscalização e educação ambiental”, avalia Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima.

A conta do desmonte ambiental

Nos últimos anos, cortes orçamentários e enfraquecimento de órgãos de fiscalização ambiental deixaram um rastro de fragilidade na resposta a desastres ecológicos. Embora o atual governo tenha sinalizado esforços para reverter esse cenário, os reflexos do desmonte ainda são sentidos na ponta — especialmente em regiões como o Pantanal e a Amazônia.

A emergência decretada em Mato Grosso do Sul é, portanto, mais do que uma formalidade administrativa. É um alerta de que os incêndios florestais deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a integrar o calendário trágico do país — em boa parte, alimentados pela negligência histórica com o meio ambiente.

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