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Mato Grosso do Sul

Exportações de MS batem recorde histórico com US$ 10,7 bi em 2025

Citricultura injeta R$ 2,4 bi e diversifica base produtiva do Estado

Publicado em 07/01/2026 10:13 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o maior valor de exportações da sua história, alcançando US$ 10,7 bilhões em vendas externas. O resultado supera o recorde anterior, registrado em 2023, quando o Estado exportou US$ 10,6 bilhões e representa crescimento de 7,51% em relação ao ano de 2024.

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Os dados estão na Carta de Conjuntura do Comércio Exterior elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base nas informações do ComexStat, divulgadas pelo Governo Federal.

A pauta exportadora sul-mato-grossense segue concentrada em três grandes cadeias produtivas. A celulose liderou as exportações em 2025, com participação de 28,98%, consolidando-se como principal produto e com perspectiva de crescimento nos próximos anos, impulsionada pelos elevados investimentos industriais em curso.

A soja aparece na sequência, com cerca de 22% do total exportado, seguida pela carne bovina, que respondeu por aproximadamente 17%. “Essas três cadeias são hoje a base das exportações de Mato Grosso do Sul e têm enorme relevância para a geração de renda, empregos e divisas”, ressaltou o secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc.

Na avaliação do secretário, o resultado foi alcançado em um cenário internacional adverso, e a principal boa notícia foi a capacidade de daptação da economia estadual.

“Em 2025 tivemos discussões e restrições comerciais importantes impostas pelos Estados Unidos, nosso segundo principal mercado para a carne bovina, além de impactos sobre a citricultura, ferroligas, café e laranja. Isso trouxe reflexos relevantes para Mato Grosso do Sul, mas conseguimos reagir e superar esse cenário, batendo recorde de exportações. As vendas externas totalizaram US$ 10,7 bilhões em 2025″, revela Verruck, que completa.

“Conseguimos realocar produtos para outros mercados e manter o fluxo normal de produção, inclusive com ajustes na pauta, como no caso da celulose, que deixou de ser direcionada ao mercado americano”, explicou. O principal destino das exportações segue sendo a China, com 48,57% de participação, seguida pelos Estados Unidos.

Na análise por município, Três Lagoas manteve a liderança como maior exportador do Estado, concentrando 19,68% do total, impulsionada pela indústria de celulose. Ribas do Rio Pardo aparece em segundo lugar, com cerca de 11%, ultrapassando Dourados e Campo Grande, também em função da atividade florestal e industrial.

“É importante lembrar que, diferentemente da celulose, a soja tem origem bastante diluída, estando presente em mais de 60% dos municípios do Estado, o que explica essa diferença de concentração regional”, concluiu Jaime Verruck.

Logística apoia aumento das exportações

O desempenho positivo das exportações também foi sustentado pela logística de escoamento da produção. O Porto de Santos foi o principal canal de saída das mercadorias, respondendo por cerca de 38% do total exportado, com forte utilização do transporte ferroviário por meio da Malha Norte.

Paranaguá concentrou aproximadamente 33% das exportações, principalmente via transporte rodoviário de soja, enquanto São Francisco do Sul respondeu por cerca de 12%, com perfil mais voltado às proteínas animais. Já Corumbá participou com cerca de 5% do total exportado.

Nesse contexto, o secretário Jaime Verruck chama atenção para o desempenho do setor mineral. “Com a manutenção do calado do rio ao longo de 2025, foi possível ampliar a produção mineral. O Estado bateu recorde de exportação de minério de ferro, com volume superior a 8 milhões de toneladas, reforçando a importância desse segmento para a economia sul-mato-grossense”.

Importações

Já do lado das importações, o total acumulado em 2025 foi de US$ 2,8 bilhões, o que representa retração de 3,4% em relação ao ano anterior. O principal produto importado foi o gás natural, item estratégico da pauta estadual.

“Houve uma contração no volume importado de gás natural, o que inclusive impactou nossas finanças estaduais”, observou o secretário.

Na sequência, destacam-se as máquinas destinadas à indústria de papel e celulose e o cobre, reflexo da presença de uma indústria consolidada de fios de cobre no Estado.

Economia MS

Citricultura injeta R$ 2,4 bilhões e diversifica base produtiva em MS

Com investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos já prospectados, a citricultura avança de forma acelerada em Mato Grosso do Sul e se consolida como uma das principais apostas do agronegócio estadual para diversificação econômica, geração de renda e atração de novos empreendimentos.

Atualmente, o Estado já conta com mais de 7 milhões de mudas implantadas e a meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030, ampliando de forma significativa sua participação na produção nacional de laranja.

Embora ainda não figure entre os maiores produtores do país — ranking liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia — Mato Grosso do Sul vive um processo consistente de expansão da atividade, apoiado em disponibilidade de terras, clima favorável, logística estratégica e segurança jurídica.

Nos últimos anos, grandes grupos citrícolas nacionais passaram a direcionar investimentos robustos para o Estado. Um dos principais exemplos é o projeto da Cutrale, que já possui grande parte dos seus 5 mil hectares plantados em Sidrolândia e tem previsão de atingir até 8 milhões de caixas por safra quando os pomares entrarem em plena produção.

Além da Cutrale, outros importantes empreendimentos vêm ampliando sua presença em Mato Grosso do Sul, como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco, Grupo Junqueira Rodas, além de diversos produtores independentes que apostam na diversificação produtiva e no potencial da citricultura sul-mato-grossense.

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço da citricultura no Estado é resultado de uma estratégia estruturada, que alia investimentos privados a políticas públicas focadas em sanidade, capacitação e ambiente de negócios.

“A citricultura representa uma nova fronteira agrícola para Mato Grosso do Sul. O Estado construiu uma base sólida de segurança jurídica e sanitária, com ações firmes na defesa agropecuária, capacitação de profissionais e parceria com instituições como o Fundecitrus. Isso tem dado confiança aos investidores e criado condições para um crescimento sustentável da atividade”, destacou Verruck.

O fortalecimento da cadeia produtiva conta ainda com ações de apoio técnico e institucional da Semadesc, incluindo a ampliação da defesa agropecuária, capacitações, além da atuação integrada com municípios e o setor produtivo para garantir sanidade e produtividade aos pomares.

Reconhecimento

O potencial do Estado também é reconhecido pelos investidores. Proprietário da Fazenda Paraíso, em Três Lagoas, Eduardo Sgobi ressalta a singularidade da iniciativa governamental e a qualidade do solo sul-mato-grossense.

“Considero essa iniciativa governamental singular. Não conheço outra unidade da federação que esteja implementando algo semelhante. A qualidade do solo é impressionante. São áreas de pastagens com mais de 30 anos, sem uso intensivo de fertilizantes, o que demonstra a vitalidade e o potencial produtivo para a citricultura”, afirmou.

A empresária Sarita Junqueira Rodas, do Grupo Junqueira Rodas, também destaca o ambiente favorável encontrado no Estado. O grupo iniciou o plantio em abril de 2024 e já planeja novos projetos.

“Estamos muito motivados com os investimentos em Mato Grosso do Sul. O Estado tem colaborado de forma decisiva para que os projetos sejam construídos com solidez desde o início, evitando problemas enfrentados em outras regiões. Hoje, nossos principais desafios são energia e mão de obra, mas acreditamos que isso será superado com capacitação”, explicou.

Segundo ela, a formação de mão de obra especializada tem sido construída desde o início, com destaque para a crescente participação feminina na atividade.

“Estamos treinando pessoas do zero, inclusive trabalhadores que nunca atuaram na agropecuária. Temos muitas mulheres interessadas e já contamos com várias tratoristas em nossa propriedade”, completou.

Tendência

O movimento evidencia uma tendência clara: mesmo ainda fora do topo do ranking nacional, Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, econômicas e institucionais para se tornar um dos principais polos citrícolas do país nos próximos anos, fortalecendo a economia regional e ampliando as oportunidades no campo.

“A citricultura já engrenou em MS. E para os próximos dois a três anos, o Estado vai trabalhar ainda mais para manter a sanidade, com a tolerância zero para o greening, retenção de mão de obra indígena, e redução do ICMS que para a saída da laranja é de 2%”, salientou.

Verruck ainda lembrou que o setor tem hoje praticamente 100% da cultura irrigada. “Por isso as linhas do FCO continuarão sendo disponibilizadas para os investimentos no setor, principalmente na irrigação. Tudo isso para que futuramente, assim que o Estado tiver pelo menos 25 mil hectares de pomares em produção trazer a tão sonhada industrialização”, finalizou.

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