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Mato Grosso do Sul

Expansão do saneamento avança em MS

Pacote de obras da Sanesul alcança 49 municípios, amplia cobertura de esgoto e reforça metas de universalização até 2033

Publicado em 28/04/2026 1:32 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A ampliação da infraestrutura de saneamento básico em Mato Grosso do Sul ganhou novo impulso em 2026, com a execução de um conjunto robusto de obras coordenadas pela Empresa de Saneamento do Estado (Sanesul), que tem direcionado investimentos estratégicos para diferentes regiões, com ênfase no interior. O movimento, embora associado ao avanço técnico e ao planejamento estatal, também evidencia um passivo histórico: a defasagem estrutural no acesso ao esgotamento sanitário em municípios fora dos grandes centros.

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Na região Sudeste, o volume de intervenções posiciona o território como uma das principais frentes de expansão da companhia. Municípios como Bataguassu recebem investimentos voltados ao reforço do sistema de abastecimento de água, com foco na segurança hídrica e na ampliação da capacidade de atendimento. Em paralelo, cidades como Nova Andradina, Anaurilândia, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul e Taquarussu concentram obras de esgotamento sanitário, consideradas essenciais para enfrentar um dos gargalos mais persistentes do desenvolvimento urbano brasileiro.

A estratégia adotada prioriza a ampliação da rede coletora e a melhoria da eficiência no tratamento de esgoto, com impactos diretos sobre a saúde pública e o meio ambiente. Trata-se de uma tentativa de alinhar crescimento urbano e infraestrutura, reduzindo a distância entre a expansão das cidades e a capacidade de atendimento dos serviços básicos — uma equação historicamente desequilibrada no interior do país.

Esse conjunto de intervenções integra um pacote mais amplo em execução no Estado, que abrange 49 municípios. Ao todo, são 36 obras destinadas à expansão do esgotamento sanitário e outras 13 voltadas ao sistema de abastecimento de água tratada. A escala dos investimentos revela o papel central do saneamento como vetor de desenvolvimento e como elemento estruturante das políticas públicas de saúde.

Nos distritos, onde a precariedade da infraestrutura é ainda mais evidente, os investimentos assumem caráter corretivo. Em Prudêncio Thomaz (Rio Brilhante), Quebra Coco (Sidrolândia) e Vista Alegre (Maracaju), serão aplicados cerca de R$ 31,7 milhões para implantação e ampliação dos sistemas de esgoto, incluindo redes coletoras, ligações domiciliares e estruturas operacionais. As intervenções buscam mitigar riscos sanitários e promover condições mínimas de dignidade em localidades historicamente negligenciadas pelas políticas de urbanização.

Na região Sul-Fronteira, a expansão segue lógica semelhante, mas associada a um componente geopolítico e econômico mais evidente. Municípios como Ponta Porã, Mundo Novo, Naviraí, Amambai e Itaquiraí recebem investimentos tanto em abastecimento de água quanto em esgotamento sanitário, consolidando um modelo integrado de infraestrutura. A presença simultânea das duas frentes indica uma tentativa de evitar a fragmentação histórica das políticas de saneamento, frequentemente marcadas por avanços desiguais entre água tratada e coleta de esgoto.

Os dados mais recentes apontam que Mato Grosso do Sul já alcançou 75,15% de cobertura de esgoto — um índice relevante no cenário nacional, mas ainda distante da universalização. O novo marco legal do saneamento estabelece 2033 como prazo-limite para atingir esse objetivo, embora o governo estadual declare intenção de antecipar a meta. Para isso, aposta na continuidade dos investimentos e na modernização das estruturas existentes, incluindo perfuração de poços, ampliação de reservatórios e atualização das estações de tratamento.

Para além dos números, o avanço das obras expõe uma dimensão estrutural mais ampla: o saneamento como elemento-chave na redução de desigualdades sociais. A ausência de redes de esgoto e de sistemas adequados de tratamento está diretamente associada à incidência de doenças de veiculação hídrica, à degradação ambiental e à limitação do desenvolvimento urbano. Nesse sentido, cada intervenção executada carrega não apenas um impacto técnico, mas um efeito social cumulativo, que redefine as condições de vida das populações atendidas.

Ao mesmo tempo, o programa evidencia a centralidade do planejamento estatal na condução de políticas estruturantes. A atuação articulada entre Sanesul, Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog) e Agesul reforça a dimensão institucional do processo, indicando que a universalização do saneamento não depende apenas de investimentos financeiros, mas de coordenação técnica e continuidade administrativa.

Nesse cenário, Mato Grosso do Sul se projeta como um dos estados que buscam transformar o saneamento em eixo estratégico de desenvolvimento. Resta observar, contudo, se a velocidade das obras será suficiente para superar décadas de déficit estrutural e garantir que o acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário deixe de ser um privilégio geográfico e passe a constituir um direito efetivamente universal.

Fluoretação da água passa a ser monitorada como ação estratégica

A ampliação da fluoretação da água em Mato Grosso do Sul entra em fase de implementação, com atuação direta da SES (Secretaria de Estado de Saúde) no monitoramento da qualidade da água e no acompanhamento dos sistemas de abastecimento nos municípios, garantindo o cumprimento dos parâmetros sanitários e a segurança da população. A medida segue cronograma definido na Resolução Conjunta nº 001/2026, publicada neste mês no Diário Oficial do Estado.

Mais do que a definição de prazos, a nova etapa transforma a fluoretação em uma ação estruturada dentro da vigilância em saúde ambiental, integrando rotinas já executadas pela SES em todo o MS. O trabalho envolve o acompanhamento constante dos sistemas de abastecimento, análise de parâmetros microbiológicos, físicos e químicos da água, além da avaliação de riscos e realização de inspeções sanitárias.

A medida também amplia o escopo de atuação da vigilância, que passa a incorporar de forma mais direta o controle da fluoretação como estratégia de prevenção em saúde coletiva, especialmente no enfrentamento à cárie dentária — uma das doenças mais prevalentes no país.

Segundo a gerente de Qualidade da Água para Consumo Humano da SES, Gabriela Faria Conzolino, a ampliação da fluoretação reforça uma política pública baseada em evidências e com impacto direto na população.

“Com eficácia amplamente comprovada, reconhecida nacional e internacionalmente como uma das estratégias mais eficazes nesse campo, a medida atua diretamente na prevenção da cárie dentária, sobretudo entre as populações mais vulneráveis, promovendo acesso universal, segurança sanitária e equidade em saúde”, complementa.

Articulação com municípios

Nos 79 municípios, a atuação da SES em relação ao controle da qualidade da água ocorre de forma articulada com as equipes locais, que recebem suporte técnico para garantir a correta aplicação dos parâmetros estabelecidos e o cumprimento das normas sanitárias. O acompanhamento inclui ainda a investigação de possíveis agravos relacionados à qualidade da água e o monitoramento contínuo dos indicadores de saúde.

No caso da resolução sobre fluoretação, as medidas abrangerão os 67 municípios atendidos pela Sanesul. Em Campo Grande, a concessionária Águas de Guariroba já implementou a medida. E nas demais 11 cidades do Estado, permanece o suporte da SES às secretarias estaduais, que possuem sistemas autônomos de abastecimento.

Resolução estabelece expansão gradual no Estado

Publicada pela AGEMS em conjunto com a SES no dia 18 deste mês, a Resolução Conjunta nº 001/2026 foi elaborada em conformidade com a Portaria GM/MS nº 888/2021, do Ministério da Saúde. Ela prevê a ampliação da fluoretação seguindo cronograma definido, com implementação progressiva.

A normativa estabelece diretrizes técnicas e prazos para garantir a universalização do acesso à água fluoretada, alinhando a regulação dos serviços de abastecimento às ações de vigilância em saúde e às políticas de prevenção adotadas no Estado.

Para o coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica da SES, Karyston Adriel Costa, a resolução marca um avanço na integração entre regulação e saúde pública, ao consolidar a fluoretação como parte das ações permanentes de vigilância.

“A fluoretação passa a ser acompanhada de forma mais qualificada dentro da vigilância em saúde, o que permite não apenas ampliar o acesso, mas garantir que essa política seja implementada com segurança e efetividade. É uma medida que atua diretamente na prevenção e na melhoria da qualidade de vida da população”, afirma.

Com a implementação do cronograma especificamente nessas cidades atendidas pela Sanesul, a SES reforça seu papel na coordenação e no acompanhamento das ações, assegurando que a ampliação da fluoretação ocorra de forma gradual, segura e alinhada às necessidades regionais.

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