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Mato Grosso do Sul
Envio de equipe federal à Terra Indígena Taquaperi ocorre em meio a protestos
Publicado em 04/05/2026 9:10 - Semana On
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O assassinato do vice-cacique Guarani Kaiowá Givaldo Santos Kaiowá, de 40 anos, desencadeou uma reação imediata do governo federal e reacendeu o debate sobre a segurança nas terras indígenas do sul de Mato Grosso do Sul. Executado a tiros na noite de sexta-feira (1º), na Reserva Indígena Taquaperi, o líder deixa esposa, seis filhos e um neto.
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Diante do caso, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) mobilizou uma equipe técnica para a região, com participação de servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e apoio da Força Nacional de Segurança Pública. A missão, realizada no sábado (2), teve como foco a escuta de familiares e testemunhas, além do levantamento de medidas emergenciais para conter a escalada de violência em uma comunidade que abriga cerca de 3.800 indígenas.
O crime ocorreu às margens da rodovia MS-289, no trecho entre Coronel Sapucaia e Amambai. De acordo com relatos de moradores, dois homens em uma motocicleta procuraram pelo vice-cacique dentro da aldeia e, pouco depois, ele foi atingido por disparos na beira da estrada. Givaldo havia assumido a função em 3 de janeiro e foi morto enquanto saía para buscar o irmão.
A chegada da comitiva federal coincidiu com um protesto organizado por indígenas, que interditaram a rodovia em sinal de revolta. Os manifestantes exigiam a identificação e prisão dos responsáveis, além de denunciarem uma sequência de assassinatos de lideranças locais. Segundo o MPI, outros dois vice-caciques — Samuel Kaiowá e Lúcio Kaiowá — foram mortos em 2024, reforçando a percepção de vulnerabilidade entre as comunidades.
Durante o ato, os indígenas também apresentaram reivindicações estruturais, como a instalação de iluminação pública, câmeras de vigilância, radares e a construção de uma passarela na rodovia, considerada um ponto crítico de risco. O bloqueio foi suspenso após a presença das autoridades.
O episódio se insere em um contexto mais amplo de tensões históricas. A região sul do estado é marcada por disputas fundiárias persistentes e pela atuação de grupos criminosos, segundo o próprio ministério. Lideranças locais afirmam que Givaldo vinha cobrando respostas para outros episódios recentes, entre eles atropelamentos envolvendo indígenas na mesma rodovia. Há ainda relatos de que o vice-cacique teria apreendido drogas dentro da reserva, fator que pode ter intensificado conflitos.
Moradores criticam a lentidão das respostas institucionais e apontam que os episódios de violência não são isolados, mas parte de um padrão contínuo de violações de direitos e insegurança nas aldeias.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas destacou que mantém, desde 2023, um Gabinete de Crise voltado à situação do povo Guarani Kaiowá. A estrutura atua em três eixos: regularização territorial, garantia de direitos sociais e segurança pública. Entre as ações já implementadas em Mato Grosso do Sul, o governo federal cita projetos de geração de renda, iniciativas de preservação cultural, perfuração de poços para ampliar o acesso à água, mediação de conflitos fundiários e programas voltados à proteção das comunidades.
O ministério também manifestou solidariedade à família de Givaldo e reiterou o compromisso com a proteção dos povos indígenas, embora a efetividade dessas medidas siga sendo questionada diante da recorrência dos episódios de violência.
Dados do Censo 2022 indicam que Mato Grosso do Sul possui a terceira maior população indígena do país, com mais de 116 mil pessoas. Desse total, cerca de 43 mil pertencem ao povo Guarani Kaiowá. A presença indígena se distribui por praticamente todo o estado, com concentração de conflitos na região sul, onde a disputa por terras permanece como um dos principais vetores de instabilidade.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, enquanto a morte do vice-cacique amplia a pressão por respostas concretas e duradouras em uma região onde a violência, longe de ser episódica, revela um problema estrutural ainda não solucionado.
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Vice-cacique da Reserva Taquaperi é assassinado na mesma região de recentes ataques da polícia
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