21/02/2024 - Edição 525

Mato Grosso do Sul

Estratégia do Sinpol é criticada por entidades e candidatos

Publicado em 13/06/2017 12:00 -

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Mato Grosso do Sul conta hoje com 2.800 policiais civis na ativa, quando seriam necessários 4 mil. A informação é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), Giancarlo Miranda. Mesmo diante deste déficit, o sindicato entrou na sexta-feira passada (9) com uma ação na Justiça para tentar barrar o concurso público anunciado recentemente pelo Governo do Estado para a categoria.

Segundo o Sinpol-MS a decisão foi tomada devido a “preocupação com as futuras gerações de policiais civis". Para os críticos do movimento, no entanto, o motivo real seria uma tentativa de pressionar o Governo a ceder diante das reivindicações dos policiais civis, que almejam reajuste salarial. O Governo do Estado acenou para uma posição até o dia 3 de julho.

“O concurso é um passo curto, mas muito importante, no intuito de diminuir este déficit de policiais civis no Estado, mas o sindicato está usando o concurso como forma de pressionar o Governo a ceder às questões salariais”, afirmou um policial civil que pediu para ter a identidade preservada.

O Governo lançou o concurso público da Polícia Civil na última quinta-feira (8), oferecendo um total de 210 vagas, sendo 30 delas para o cargo de delegado, 100 para escrivão e 80 para investigador. O salário oferecido para delegado é de R$ 14.978,26, enquanto o vencimento para escrivão e investigador fica em R$ 3.888,26, mais abono de R$ 300. O edital foi publicado no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul (DOE-MS) de quinta e as inscrições podem ser realizadas até o dia 10 de julho, pelo site da Fapems.

Estratégia do Sinpol é criticada por candidatos e entidades

A estratégia do Sinpol-MS foi criticada pela Associação dos Delegado de Polícia (Adepol) e por candidatos que há anos se preparam para as provas. “A ação judicial proposta não tem fundamento jurídico sério, cujo objetivo é qualquer outro e não a defesa da sociedade”, diz a presidente da Associação, delegada Regina Márcia Mota.

Ela afirma ainda, que “a realização do concurso não gera impacto financeiro algum neste exercício, pois é sabido que da abertura do edital a efetiva contratação e lotação decorre ao menos um ano”. A delegada assinala que o concurso é esperado por muita gente, principalmente pelos moradores dos municípios que não contam com delegado, daí a necessidade de se fazer o concurso e garantir a lotação de 23 delegados nessas localidades.

O bacharel em direito Tiago Bandeira está se preparando há cinco anos para disputar uma vaga para delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Enquanto aguardava pelo edital do concurso, disputou em vários outros estados e em alguns foi aprovado. Mas preferiu ficar no Estado e no dia 19 de maio deste ano foi nomeado para o cargo de agente penitenciário. Para ele, o anúncio feito pelo Sinpol-MS preocupa. “Por ser um candidato experiente em concurso, com bagagem nessa área, já enfrentei concurso que foi suspenso quando estava dentro do ônibus, então isso me preocupa muito. Isso prejudica o candidato”, afirma.

Nas escolas preparatórias para concursos públicos, a opinião dos alunos é de que a pretensão do Sindicato da Polícia Civil entrar com ação pedindo a suspensão do edital não deve prosperar. “Quando o Sinpol soltou a nota gerou uma preocupação dos candidatos, mas depois eles chegaram à conclusão de que a ação não prospera, e o concurso vai ser realizado”, afirma Diego Araújo, coordenador de cursos da Libera Limes, de Campo Grande.

Nessa mesma linha de raciocínio seguem outros candidatos que, independentemente da ação do Sinpol, pretendem se empenhar ao máximo para conquistar uma das vagas oferecidas. É o que conta Onei Fernando Savioli, diretor da escola Neon Concursos, também da Capital. Segundo dele, desde a publicação do edital de concurso a procura tem sido grande. Ele diz que há alunos que há um ano estão se preparando para as provas da Polícia Civil. Essa turma tem 100 pessoas e a escola está formando mais duas turmas de 100 alunos.

“A procura aumentou sensivelmente, muitas pessoas estavam aguardando ansiosamente por esse concurso e hoje, de 80% a 90% da procura é para os cursos preparatórios para o concurso da Polícia Civil”, segundo Diego Araújo. A Libera Limes também está abrindo novas turmas para preparar os candidatos para as provas.

A pretensão do Sindicato de suspender o concurso também pode atrapalhar o sonho de centenas de pessoas que moram em outros estados. É o que diz Alberto Vicente, do Concursos no Brasil, um dos maiores portais de notícias sobre concursos do Brasil. Segundo ele, o Portal tem sido muito procurado para acesso às informações sobre as provas da polícia de Mato Grosso do Sul. Os salários, que segundo ele “são excelentes”, são um dos principais atrativos. “O brasileiro está vivendo um momento de crise econômica preocupante, ainda sem sinal de bonança, e nada mais natural do que buscar oportunidades de trabalho que lhe ofereçam mais segurança”, diz Alberto Vicente.

Nos primeiros quatro dias, mais de 15 mil pessoas haviam feito a inscrição para o concurso e o número vem crescendo.

Na contramão do Sinpol, especialistas elogiam edital

Em sua ação para tentar cancelar o concurso, o Sinpol-MS alega que, apesar de ter carta sindical de todas a carreiras da Polícia Civil, seus dirigentes teriam sido impedidos de atuar na produção do edital. Para o sindicato, isso compromete a lisura do concurso.

A forma como foi elaborado o edital do concurso, no entanto, mereceu elogios dos representantes de empresas ligadas a essa área. “Considero extremamente importante quando as organizações dos concursos se preocupam com esse tipo de ‘acessibilidade’ e oportunidade de disputar mais de uma colocação”, pontuou Alberto Vicente. Ele se refere ao item do edital, que permite que o candidato possa disputar vagas para duas funções, pois as provas serão realizadas, pela primeira vez no Estado, em horários diferentes para cargos diferentes. Mas para isso, é preciso fazer uma inscrição para cada cargo disputado.

Para Onei Savioli, ao incluir no edital todo o cronograma do concurso, o Governo do Estado dá transparência à disputa e ajuda o candidato a se programar para cada etapa do concurso, podendo programar, por exemplo, a compra de passagem e a confirmação da hospedagem. Ele disse estar animado também, com outra informação dada pelo Governo do Estado, de que a intenção é de que os concursos públicos para a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros sejam realizados em períodos mais curtos, provavelmente a cada um ou dois anos.


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