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Mato Grosso do Sul
Anhanguera/Uniderp e Unicesumar recebem conceito 2; universidades públicas alcançam notas mais altas
Publicado em 20/01/2026 2:07 - Semana On
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A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025 trouxe um retrato desigual da formação médica em Mato Grosso do Sul. Dados apresentados conjuntamente pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS) indicam desempenho insatisfatório em cursos de instituições privadas, enquanto universidades públicas do Estado figuram entre as mais bem avaliadas.
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Entre os cursos analisados, a Anhanguera/Uniderp, que mantém graduação em Medicina em Campo Grande, e a Unicesumar, com curso sediado em Corumbá, obtiveram conceito 2 — a menor nota da escala utilizada no exame. O resultado coloca ambas no grupo de instituições com desempenho abaixo do considerado adequado pelo sistema de avaliação federal.
O Enamed é uma modalidade específica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) voltada exclusivamente aos cursos de Medicina. Além de medir a qualidade da formação, seus resultados podem ser utilizados como critério em processos seletivos para programas de residência médica, o que amplia o impacto do desempenho institucional.
No total, 351 cursos de Medicina participaram da edição de 2025. Desses, 304 integram o Sistema Federal de Ensino, que abrange universidades federais e instituições privadas, enquanto os demais são regulados por sistemas estaduais.
Em contraste com os resultados das instituições privadas, os cursos de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), nos campi de Campo Grande e Três Lagoas, alcançaram conceito máximo, 5 — pontuação também obtida pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Já a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) registrou conceito 4, considerado satisfatório.

Possíveis sanções
Os resultados individuais dos estudantes foram divulgados em 12 de dezembro de 2025. A classificação dos candidatos segue critérios adicionais definidos no edital do Exame Nacional de Residência (Enare), cuja nota final está prevista para 21 de janeiro de 2026.
Cursos com desempenho insatisfatório podem ser alvo de processos administrativos. Segundo o MEC, as instituições terão prazo de 30 dias para apresentar defesa antes da eventual aplicação de sanções. Entre as medidas previstas estão a proibição de ampliação de vagas, a suspensão do financiamento estudantil via Fies e, em situações consideradas graves, o impedimento de ingresso de novos alunos.
As penalidades permanecem em vigor até a realização do próximo Enamed, quando as instituições têm a possibilidade de reverter o quadro por meio de nova avaliação.
Contestação judicial e reação do setor privado
No fim de semana que antecedeu a divulgação dos resultados, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) ingressou com ação judicial para tentar barrar a publicação dos dados, mas não obteve êxito.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), cerca de 89 mil estudantes participaram da avaliação, incluindo concluintes e alunos de outros períodos do curso. Entre os aproximadamente 39 mil estudantes próximos da formatura, 67% alcançaram o chamado “resultado proficiente”, indicador de desempenho satisfatório. Por outro lado, quase 13 mil não atingiram esse patamar.
Em nota oficial, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) criticou a postura do MEC, especialmente no que diz respeito à aplicação de sanções. Para a entidade, a definição das regras após a realização da prova compromete princípios como previsibilidade, transparência e segurança jurídica. A associação também alertou que a adoção de punições com base em um exame considerado “imaturo” pode ampliar a judicialização e gerar instabilidade regulatória, com reflexos diretos sobre o sistema de formação médica e a oferta de profissionais de saúde no país.
Panorama nacional
No recorte nacional, dos 304 cursos de Medicina vinculados a instituições federais públicas e privadas avaliados pelo Enamed, 204 (67,1%) obtiveram conceitos entre 3 e 5, considerados satisfatórios. Outros 99 cursos (32%) ficaram nas faixas 1 e 2, o que indica que menos de 60% de seus estudantes apresentaram desempenho adequado. Esses cursos passarão a ser acompanhados pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), do MEC, por meio de ações de supervisão.
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