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Mato Grosso do Sul
Volume excepcional causa alagamentos, danos e decretos de emergência no interior
Publicado em 05/02/2026 12:46 - Semana On
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O mês de fevereiro mal começou e o Mato Grosso do Sul já enfrenta um cenário típico de eventos extremos. Em apenas quatro dias de chuva contínua, municípios do interior e a capital acumularam volumes que, em alguns casos, superam a média prevista para todo o mês. O resultado tem sido uma combinação de alagamentos, transbordamento de rios, prejuízos à infraestrutura e impactos diretos à população.
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Levantamentos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que as chuvas mais intensas se concentraram nas regiões centro-norte, leste e oeste do estado. O destaque negativo é São Gabriel do Oeste, onde o acumulado chegou a 417 milímetros entre os dias 1º e 4 de fevereiro — patamar muito acima do esperado para o período.
Outros municípios também registraram volumes expressivos no mesmo intervalo, como Corguinho (390 mm), Coxim (201 mm), Camapuã (187 mm) e Campo Grande, que somou 184 milímetros — o equivalente a 56% da média mensal de fevereiro em apenas quatro dias.
Padrão atmosférico explica excesso de chuva
Embora janeiro seja historicamente o mês mais chuvoso na capital sul-mato-grossense, fevereiro figura como o terceiro período com maiores acumulados. Especialistas explicam que o comportamento atual está associado à atuação combinada de sistemas típicos do verão.
Entre os principais fatores estão uma área de baixa pressão atmosférica posicionada sobre o Paraguai, o reforço do Jato de Baixos Níveis — responsável por transportar ar quente e úmido para o estado — e o alto grau de saturação do solo e da atmosfera após semanas consecutivas de instabilidade. Esse conjunto cria condições favoráveis à formação de nuvens carregadas e precipitações persistentes.
O que chama a atenção, segundo os técnicos, é a intensidade concentrada no início do mês, que já levou diversas localidades a ultrapassarem a média histórica antes mesmo da primeira semana de fevereiro.
Emergência no interior e danos estruturais
A situação é considerada crítica em Corguinho e São Gabriel do Oeste. Em Corguinho, o volume de chuva registrado nos primeiros dias do mês superou o total esperado para todo fevereiro. Diante dos estragos, o prefeito Márcio Novaes Pereira decretou situação de emergência em todo o município.
O transbordamento do rio Taboco provocou alagamentos em áreas urbanas e rurais, destruiu pontes, comprometeu estradas vicinais e afetou trechos da rodovia MS-352. Em um dos pontos mais atingidos, a força da correnteza chegou a arrastar completamente uma ponte, isolando comunidades.
Capital em alerta e monitoramento estadual
Em Campo Grande, apesar de não haver registros de transbordamento de rios, foram contabilizados alagamentos pontuais em pelo menos sete bairros, principalmente em vias de grande circulação. A resposta tem ocorrido de forma integrada entre a Defesa Civil municipal e estadual, com atendimento às ocorrências e acompanhamento das áreas classificadas como de risco.
A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul mantém monitoramento permanente em todo o estado, por meio do Departamento de Gestão de Riscos e Desastres (DGRD) e da Seção de Monitoramento e Alertas. Situação semelhante de vigilância ocorre em municípios como Aquidauana, Terenos e Coxim, onde a elevação dos níveis dos rios mantém autoridades em estado de atenção.
No caso de Aquidauana, há acompanhamento contínuo do rio homônimo, com alerta estendido a distritos como Camisão e Piraputanga, além de áreas de Dois Irmãos do Buriti.
Apoio humanitário e orientação à população
Em Corumbá, que já havia sido atingida por fortes chuvas no fim de janeiro, a Defesa Civil estadual atuou no apoio humanitário, com suporte logístico e distribuição de itens de primeira necessidade às famílias afetadas por enxurradas.
As autoridades reforçam a orientação para que moradores de áreas vulneráveis acompanhem os alertas oficiais, evitem atravessar regiões alagadas e sigam as recomendações da Defesa Civil. A previsão é de que o monitoramento siga intensificado ao longo dos próximos dias, enquanto o estado enfrenta um fevereiro que, até aqui, já entrou para as estatísticas de eventos extremos.
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