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Mato Grosso do Sul
Governo alinha ações do Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo no Estado
Publicado em 25/05/2026 1:00 -
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A possibilidade de formação de um El Niño no segundo semestre de 2026 já colocou Mato Grosso do Sul em estado de atenção, ainda que os órgãos meteorológicos não confirmem, por enquanto, um evento extremo. O alerta não está necessariamente ligado à intensidade do fenômeno climático, mas ao momento em que ele deve atuar: justamente durante a fase mais vulnerável do ano para queimadas no Estado.
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Uma Nota Técnica divulgada em abril por INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) e Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) aponta probabilidade superior a 80% de configuração do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanência até o início de 2027.
Apesar da preocupação crescente, os próprios órgãos técnicos evitam classificar o evento como um “super El Niño”. O documento afirma que a intensidade ainda não está claramente definida, embora os modelos indiquem condições favoráveis para, ao menos, um episódio moderado. Na prática, a tendência de formação do fenômeno é considerada elevada, mas ainda sem elementos suficientes para cravar um cenário extremo.
O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e interfere no comportamento das chuvas e das temperaturas em diversas regiões do planeta. No Brasil, os reflexos mais conhecidos costumam incluir aumento das chuvas no Sul, redução de precipitações no Norte e Nordeste e temperaturas acima da média em grande parte do território nacional.
No caso de Mato Grosso do Sul, porém, os efeitos não seguem uma relação tão direta. A própria Nota Técnica destaca que o Centro-Oeste apresenta correlação menos consistente com os ciclos de El Niño e La Niña em comparação com outras regiões brasileiras. Isso significa que o impacto climático local não pode ser reduzido à ideia simplificada de que o fenômeno necessariamente “seca” o Estado.
Ainda assim, os prognósticos apontam um elemento de risco relevante: a tendência de temperaturas acima da média durante o fim do inverno, a primavera e o verão em toda a região Centro-Oeste. Esse aumento do calor favorece a queda da umidade relativa do ar justamente no período mais crítico para incêndios florestais.
O ponto mais sensível para Mato Grosso do Sul está na transição entre a estiagem e a retomada das chuvas. Nessa janela climática, a vegetação já se encontra ressecada, a umidade costuma atingir níveis baixos e os ventos ajudam a espalhar focos de incêndio. Em áreas como Pantanal e Cerrado, essa combinação frequentemente pesa mais do que a própria classificação técnica do fenômeno climático.
A análise meteorológica ainda revela uma aparente contradição. Em episódios mais fortes de El Niño, observações históricas indicam maior regularidade de chuvas no verão e no outono em Mato Grosso do Sul e parte de Goiás. Isso pode representar algum alívio posterior, mas não elimina os riscos anteriores. Antes da estabilização das precipitações, o Estado pode atravessar meses marcados por calor intenso e ar seco — exatamente durante a temporada mais delicada para propagação do fogo.
Diante desse cenário, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul já iniciou a preparação operacional para o segundo semestre. O planejamento inclui reforço de efetivo, ampliação de bases avançadas, monitoramento e aquisição de equipamentos, em um esforço para evitar a repetição das crises registradas em anos recentes, especialmente no Pantanal.
Segundo a corporação, o PEMIF (Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo) prevê mobilização de até 170 militares exclusivamente voltados ao combate de incêndios florestais. O plano também contempla apoio de brigadas, prefeituras, órgãos ambientais e eventual acionamento da Força Nacional. Estão previstas até 11 bases avançadas em regiões remotas, incluindo a área do Amolar, no Pantanal sul-mato-grossense.
O histórico recente ajuda a explicar a preocupação antecipada das autoridades. Em 2020, considerado o pior ano de queimadas no Pantanal, aproximadamente 3,9 milhões de hectares foram destruídos pelo fogo no bioma, sendo 1,8 milhão apenas em Mato Grosso do Sul, segundo dados do LASA (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Quatro anos depois, o Estado voltou a enfrentar uma temporada severa. Em 2024, cerca de 1,9 milhão de hectares queimaram em Mato Grosso do Sul, dos quais aproximadamente 1,7 milhão estavam no Pantanal, conforme balanço do Governo do Estado e do Corpo de Bombeiros.
As projeções oceânicas reforçam o cenário de vigilância. Modelos climáticos indicam aquecimento gradual das águas na região conhecida como Niño 3.4, referência global para monitoramento do El Niño. A Nota Técnica aponta ainda que, em abril, as anomalias negativas no Pacífico equatorial perderam força e deram lugar a áreas próximas ou acima da média histórica de temperatura — comportamento compatível com o início de desenvolvimento do fenômeno.
Outro indicador observado pelos meteorologistas está abaixo da superfície do oceano. O documento registra anomalias positivas de temperatura em profundidades de até 300 metros no Pacífico equatorial, com valores superiores a 2°C em grande extensão e pontos acima de 4°C. Esse calor armazenado funciona como combustível para a consolidação do El Niño nos próximos meses.
Mesmo com os sinais consistentes, especialistas evitam tratar a previsão climática como uma definição absoluta. A própria Nota Técnica ressalta que os impactos finais dependem da interação entre diferentes sistemas atmosféricos e oceânicos, incluindo o comportamento do Atlântico Tropical. Para Mato Grosso do Sul, isso significa que o cenário climático ainda pode sofrer alterações importantes. No tabuleiro da atmosfera, o Pacífico é apenas uma das peças em movimento.
Governo alinha ações do Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo em MS
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc) alinhou neste mês as ações do Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (PEMIF) para 2026 em reunião com diversos órgãos estaduais envolvidos na prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul.
Foram discutidas estratégias integradas de prevenção e resposta aos incêndios florestais, além da análise de cenários climáticos e das medidas operacionais previstas para o período crítico de queimadas em 2026. Entre os temas abordados estiveram a previsão meteorológica voltada aos incêndios florestais, apresentada pelo CEMTEC/MS, os dados atualizados sobre queimadas no Estado, o planejamento de comunicação do Governo de Mato Grosso do Sul e propostas relacionadas às queimas prescritas e controladas.
Também entraram na pauta discussões sobre um eventual decreto de emergência ambiental em Mato Grosso do Sul e a possibilidade de declaração de situação de emergência em municípios do Estado, visando o acionamento da Defesa Civil Nacional.
Segundo o secretário executivo do CICOE/MS, tenente-coronel Leonardo Congro, com base nos dados do CEMTEC, a previsão climatológica para os próximos meses ainda é inconclusiva em relação aos efeitos do El Niño no Estado.
“Os modelos meteorológicos ainda não estão totalmente conclusivos sobre isso, mas já existe confirmada escassez hídrica, mesmo com as diversas chuvas irregulares pelo Estado. Por isso, o Estado deve iniciar os estudos para uma possível situação de emergência ambiental nos próximos meses”, destacou.
Outro tema debatido foi a minuta referente à proibição de queimas prescritas e controladas em Mato Grosso do Sul.
“A minuta deve trazer inovações neste ano, amparando os planos de manejo integrado do fogo aprovados pelo Estado. Para isso, estamos alinhando ações preventivas tanto da Polícia Militar Ambiental quanto do Corpo de Bombeiros. Além da preparação para o novo período de estiagem”, complementou Congro.
Segundo ele, o Corpo de Bombeiros prevê a instalação de 11 bases operacionais no Pantanal, com início das estruturas nas regiões do Redário, Amolar e São Lourenço.
“Essas bases serão reforçadas por militares do Corpo de Bombeiros para garantir pronta resposta em eventuais ações de combate aos incêndios florestais”, afirmou.
De acordo com o secretário-adjunto Alex Melotto, o objetivo da reunião é fortalecer a atuação preventiva do Estado diante do período de maior risco de incêndios florestais.
“Temos muito planejamento e inteligência empregados para que Mato Grosso do Sul se mantenha preparado, em alerta e pronto para qualquer eventualidade relacionada aos incêndios florestais”, concluiu.
Participaram das discussões representantes da Semadesc, do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Militar Ambiental (PMA), entre outros órgãos envolvidos na gestão do fogo e na proteção ambiental.
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