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Mato Grosso do Sul

Educação profissional muda a vida de estudantes em MS

Da faculdade ao mercado de trabalho, programa amplia número de bolsas de estudo

Publicado em 02/03/2026 9:03 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Em um cenário onde Mato Grosso do Sul alia crescimento econômico e inclusão social para melhorar a vida das pessoas, iniciativas que conectam educação e trabalho têm se mostrado pilares fundamentais para a mobilidade social das famílias do Estado.

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Dentro dessa estratégia de desenvolvimento, o PAP (Programa de Aprendizagem Profissional) atua como uma ponte entre a formação escolar e as oportunidades reais de trabalho para jovens do Ensino Médio, promovendo não apenas conhecimentos técnicos, mas também renda, experiência e perspectivas futuras.

Da escola ao emprego

Um dos exemplos dessa trajetória é o estudante Wender Gustavo Cardoso Echeverria, da EE Hércules Maymone, em Campo Grande. Ele ingressou no programa em 2024, quando cursava o 2º ano do Ensino Médio no itinerário de Marketing Digital. Após participar da formação inicial do PAP, foi encaminhado para atuar como auxiliar administrativo na empresa Guatós.

No início, o nervosismo era grande. Era o primeiro contato com o ambiente empresarial. Mas os aprendizados adquiridos no curso — desde postura profissional até comportamento em entrevistas — fizeram a diferença. Ao longo do período como jovem aprendiz, conciliou escola e trabalho, assumindo responsabilidades na organização de arquivos, documentos e na elaboração de planilhas e apresentações.

Com dedicação, veio o reconhecimento: ao concluir o Ensino Médio, Wender foi efetivado pela empresa.

“O PAP foi o início da minha vida profissional. Eu entrei sem saber muito o que fazer do futuro e encontrei uma oportunidade que mudou minha trajetória. Aprendi a me comportar em entrevistas, a agir dentro da empresa e ganhei responsabilidade. Quando fui efetivado, foi uma surpresa muito positiva. Hoje consigo ajudar mais minha família, organizar minha vida, comprar minhas coisas para estudar e ter meu lazer sem precisar pedir aos meus pais. Mudou completamente minha realidade”, relata.

Educação profissional como política pública de impacto

O Programa de Aprendizagem Profissional é uma das estratégias mais eficazes para conectar jovem ao trabalho inserido no contexto educacional. Voltado para estudantes de 14 a 24 anos que cursam o ensino médio com itinerário de formação profissional, o PAP articula teoria e prática com contrato de trabalho previsto na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Dados de edições anteriores do PAP indicam que mais de 200 contratos já foram firmados entre estudantes e empresas parceiras, com aprovação crescente dos empregadores pela qualidade dos jovens aprendizes e seus resultados nas funções exercidas.

Para o secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, o programa representa uma política pública que transforma realidades. “A Educação Profissional tem um papel estratégico no desenvolvimento do Estado. Quando oferecemos ao estudante a oportunidade de aprender e trabalhar ao mesmo tempo, estamos garantindo formação, renda e dignidade. É uma política que impacta diretamente as famílias e fortalece o futuro de Mato Grosso do Sul”, destaca.

Além disso, a iniciativa contribui para que muitos adolescentes e jovens mantenham seus estudos mesmo diante de desafios financeiros, permitindo que, através da qualificação profissional, possam ajudar suas famílias e sonhar com trajetórias ainda mais promissoras no futuro.

Impacto social e econômico

Em um contexto mais amplo, Mato Grosso do Sul vem se destacando pela combinação de forte crescimento econômico e políticas públicas de inclusão social. O estado possui uma das maiores chances de mobilidade social do país, oferecendo a estudantes e trabalhadores oportunidades para ascender socioeconomicamente.

Iniciativas como o PAP reforçam essa trajetória ao transformar a educação técnica e profissional em um instrumento de inclusão social, fortalecendo o vínculo entre formação, trabalho e dignidade humana.

Para o governador Eduardo Riedel, investir em educação profissional é investir diretamente na mobilidade social. “Quando conectamos a escola ao mercado de trabalho, criamos oportunidades reais para que nossos jovens cresçam, conquistem autonomia e transformem a realidade de suas famílias. A Educação Profissional é um dos caminhos mais sólidos para promover desenvolvimento com inclusão social em Mato Grosso do Sul”, afirma.

Educação profissional no Brasil cresce mais de 68% em cinco anos

O Censo Escolar 2025, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostra evolução no número de matrículas da educação profissional e tecnológica (EPT). Os dados apontam para um salto 68,4% em cinco anos.

Em 2021, o país contabilizava 1.892.458 matrículas totais. Em 2025, esse número atingiu a marca de 3.187.976 alunos.

Os dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025 foram divulgados na quinta-feira (26), em Manaus, pelo Ministério da Educação (MEC) e o Inep.

Políticas públicas

O ritmo de crescimento da educação profissional e tecnológica (EPT) foi acelerado, principalmente a partir de 2023.

Segundo o MEC, o aumento reflete a implementação de políticas públicas que buscam tornar o ensino médio mais atrativo e diretamente conectado às necessidades do mercado de trabalho.

O ministro da Educação, Camilo Santana, aponta que o Programa Juros por Educação, criado em 2025, deve aumentar de vagas em cursos técnicos em todo o Brasil.

A iniciativa integra o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e tem o objetivo de estimular os estados a investirem na oferta de novas vagas gratuitas em cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio, inclusive na modalidade de educação de jovens e adultos (EJA), em cursos técnicos na forma subsequente e, também, na melhoria da infraestrutura das redes estaduais e na formação docente. Até o momento, 22 estados aderiram ao programa.

“A expectativa é que tenhamos o investimento de R$ 8 bilhões no Propag neste ano, o que vai possibilitar o aumento de 600 mil vagas no ensino técnico do ensino médio em 2026”, projeta o ministro da Educação, Camilo Santana.

Para o gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, Diogo Jamra, a educação profissional e tecnológica é um passo ousado e que vai exigir de todas as redes de educação estaduais estratégia, planejamento e ações para dar conta desse aumento de vagas e oferecer aos estudantes uma educação com qualidade.

“É uma janela de oportunidade nunca antes vista no país e que contribui grandemente para o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, avalia.

Distribuição de matrículas

O censo detalha também a participação de cada esfera administrativa (estadual, federal e municipal) na oferta de vagas na educação profissional e tecnológica.

As redes estaduais de ensino concentraram 81,7% das matrículas na educação profissional pública, em 2025.

A rede federal composta, por exemplo, pelos institutos federais (IF) e unidades de ensino técnico que operam vinculadas a universidades federais, responde por 15,4% das matrículas.

A rede municipal registra a menor fatia, com apenas 2,8% de atendimento.

Modalidade de ensino

Os cursos técnicos podem ser desenvolvidos de forma articulada e integrada com o ensino médio. Pode ser concomitante com o ensino médio para os estudantes que vão iniciá-lo ou já estejam cursando essa etapa de ensino.

Há, ainda, o modelo de ensino subsequente, para aqueles estudantes que concluíram o ensino médio.

A oferta pode ser tanto na mesma escola quanto em instituições de ensino distintas.

O Censo Escolar 2025 mostrou que o modelo de ensino médio articulado ao itinerário formativo técnico profissional (curso técnico junto com o ensino médio) é líder absoluto, somando 1.200.606 matrículas, em 2025.

Logo em seguida, destacam-se, no ano passado:

– curso técnico subsequente, com 832.032 alunos, que atende aqueles que já concluíram o ensino médio e buscam especialização;

– itinerário formativo articulado (qualificação profissional): registrou 517.422 matrículas;

– ensino médio na modalidade do magistério tive 32.529 matrículas.

O gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, Diogo Jamra, celebra o aumento de 57% nas matrículas da Educação Profissional e Tecnológica integrada ao ensino médio, no comparativo de 2025 com 2024.

“O crescimento foi ainda maior, de 61,04% na rede pública. Esses dados nos mostram um crescimento acelerado e de forma consistente da EPT no Brasil”, comemora.

Os cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) integrados à modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) no ensino médio somaram, em 2025, mais de 134,9 mil matrículas, o que também reforça a requalificação para públicos que estão fora da idade escolar regular.

Estados

O Censo Escolar 2025 registra que a média nacional é de 20,1% para a razão entre matrículas de cursos técnicos articulados e o total de matrículas do ensino médio regular na rede pública.

Com base nos dados censitários, o coordenador de Estatísticas Educacionais, Indicadores e Controle de qualidade do Censo da Educação Superior da Diretoria de Estatísticas do Inep (Deed), Fábio Pereira Bravin, compara o crescimento. “Saímos de uma condição diante da pandemia, de que apenas 10% das matrículas do ensino médio estavam associadas à educação profissional. Em 2025, nós dobramos o número de matrículas na modalidade, e chegamos a 20,1%”.

O Piauí lidera o ranking nacional de integração entre ensino médio e educação profissional e atinge a marca histórica de 68,8% de articulação técnica na rede pública. O estado tem um índice aproximadamente 3,4 vezes a média do Brasil.

No topo do ranking, também aparecem:

Paraíba: 34,7%;

Acre: 34,1%;

Paraná: 32,9%;

Espírito Santo: 32,5%.

Na outra ponta da tabela, o Amazonas (5,2%) e o Distrito Federal (6,9%) apresentam os menores índices de integração técnica na rede pública.

Áreas mais procuradas

A pesquisa computa que o setor de educação profissional técnica de nível médio no Brasil revela uma concentração significativa em áreas ligadas ao mercado corporativo e à saúde.

Os quatro principais eixos tecnológicos que lideraram as matrículas no país, em 2025, foram:

– gestão e negócios: é o líder, com 28,9% das matrículas, somando 534.056 estudantes no ensino público e mais 177.015 no privado;

– ambiente e saúde: ocupa a segunda posição, com 711.071 (sendo 177.671 matrículas públicas e 326.327 na rede privada);

– informação e comunicação: o eixo conta com 424.628 alunos (348.698 alunos na rede pública e 75.930 na privada);

– controle e processos industriais: registra 292.383 estudantes (159.767 matrículas públicas e 132.616 privadas.

Dentro desses eixos, as carreiras que atraem mais estudantes para EPT são:

– administração (eixo gestão e negócios): é o curso mais procurado da lista, com um total de 395.059 alunos, sendo amplamente ofertado pela rede pública (327.924).

– enfermagem (eixo ambiente e saúde): soma 298.699 matrículas e tem forte predominância da rede privada, com 241.455 desses alunos.

– informática (eixo informação e comunicação): registra 167.134 estudantes, sendo 141.593 matrículas na rede pública;

– desenvolvimento de sistemas (eixo informação e comunicação): com 150.864 matriculados.

O gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, Diogo Jamra, ressalta que essa é uma etapa escolar extremamente importante para a formação das juventudes do Brasil, como um caminho para a inserção no mundo do trabalho de forma digna.

“A educação profissional e tecnológica não encerra a evolução educacional do estudante, pelo contrário, o impulsiona a continuar os estudos e, se tiver interesse, cursar o ensino superior”, disse.

MS Supera transforma vidas e amplia número de bolsas de estudo

Cada vez mais pessoas estão realizando o sonho de aprender uma nova profissão, fazer faculdade e cursos de educação profissional técnica, com a ajuda do MS Supera – programa do Governo do Estado que paga R$ 1.621,00 para estudantes de baixa renda.

O programa foi ampliado de 2.200 para 2.500 vagas neste ano e abre inscrições para 600 vagas (novas e remanescentes) a partir de terça-feira (3) por meio do site da Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos): www.sead.ms.gov.br. Serão 480 bolsas disponíveis para cursos de graduação e 120 para nível médio. O período de inscrições será de 3 a 11 de março.

Com a bolsa de estudos, Eurer Eduardo Ramos da Silva, 23 anos, formou-se em Direito no ano passado e é o primeiro da família a concluir o ensino superior. Esforçado, ele estudou em escolas públicas e mora em um dos bairros mais carentes de Campo Grande, o Los Angeles, na região do Anhanduizinho, mas está vendo a sua vida se transformar por meio da dedicação aos estudos.

“Tive uma grande oportunidade com o MS Supera, porém uma alta dimensão de responsabilidade e isso me fez com que eu crescesse, que eu conquistasse diversas oportunidades. Grandes portas se abriram para mim através das amizades que eu fiz, através das oportunidades que eu tive. Conheci grandes pessoas. Eu tenho uma tremenda gratidão, tenho um tremendo débito com o MS Supera, com a galera que me atendia”, conta o futuro advogado.

Ele já está trabalhando na área, enquanto se prepara para fazer o exame da OAB, e planeja abrir um escritório na área de Direito Trabalhista ainda em 2026. Formado na Unigran Capital, Eduardo Eurer é assessor de um gerente jurídico do hospital Santa Marina.

“Não foi fácil (chegar até aqui). Não foi fácil porque muitas das vezes eu tive medo de reprovações, tive várias dificuldades. Foram noites chorando, madrugadas em claro, estudando, preocupado porque eu não podia apresentar nota baixa para o programa. A oportunidade que o MS Supera oferece é essa grande porta que é para o acadêmico poder conquistar aquele sonho, aquela grande oportunidade que ele tem de se formar e ingressar na sua carreira profissional”.

Critérios

Para receber o benefício, o estudante deve:

I – comprovar Renda Individual de até 1 ½ (um e meio) salário mínimo nacional mensal, para Famílias Unipessoais, considerada a renda bruta, se for o caso;

II – comprovar Renda Familiar de até 3 (três) salários mínimos nacionais mensais, considerada a renda bruta, se for o caso;

III – estar aprovada(o) e ou matriculada(o) em curso de graduação presencial ou à distância autorizados pelo Ministério da Educação (MEC), nos termos da legislação vigente, mantidos por instituições de ensino superior pública ou privada, com pelo menos um pólo sediado no Estado de Mato Grosso do Sul, para candidatos de nível superior;

IV – estar matriculada(o) em cursos de educação profissional técnica, de nível médio, presenciais ou a distância, previsto no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos – CNCT, instituído pelo Ministério da Educação (MEC) e que possuam duração mínima de 18 (dezoito) meses ou 800 (oitocentas) horas, para candidatos de nível médio;

V – não possuir graduação de nível superior concluída;

VI – ser residente no Estado de Mato Grosso do Sul há mais de 2 (dois) anos;

VII – não ser beneficiada(o) por qualquer outro tipo de benefício remunerado ou de auxílio financeiro que tenha a mesma finalidade deste Programa;

VIII – não ter registro de reprovações superiores a 4 (quatro) disciplinas cursadas, nas datas de inscrição e de convocação para o Programa;

IX – estar inscrita(o) no Cadastro Único dos Programas Sociais do Governo Federal (CADÚNICO);

X – não possuir, simultaneamente, outro membro da família inscrito no Núcleo Familiar do Cadastro Único do Governo Federal, beneficiado por este Programa;

XI – possuir conta bancária com a Chave PIX registrada no CPF da(o) candidata(o);

XII – ser brasileira(o) nata(o) ou naturalizada(o) ou estrangeira(o) em situação regular no País.

Documentação necessária e mais informações estão disponíveis na Resolução Sead nº 164.

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