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Mato Grosso do Sul

Dourados lidera ranking de homicídios em cidades do MS

Mato Grosso do Sul registra maior número de casos de violência contra idosos no Brasil

Publicado em 20/06/2024 9:12 - Semana On

Divulgação Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Dourados, a maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, lidera o ranking de municípios com maior índice de homicídios no Estado, conforme aponta o Atlas da Violência publicado na terça-feira (18) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A pesquisa do Ipea, referente ao ano de 2022, revela que foram registradas 69 mortes, incluindo 46 homicídios e crimes ocultos. Entre os fatores apontados pelo instituto estão a proximidade de Dourados com a fronteira seca com o Paraguai e a guerra entre facções criminosas, frequente na cidade.

“O predomínio da violência vem das disputas entre PCC e CV pelo controle do tráfico de drogas na região de fronteira, ainda que outros grupos criminosos já atuem no estado, especialmente nos presídios”, explica o estudo, comparando com Ponta Porã, que não aparece no levantamento desta vez.

Embora os números do Atlas da Violência sobre homicídios em Dourados sejam de 2022, os confrontos entre facções e organizações criminosas continuam atuais. Entre fevereiro e maio deste ano, alguns crimes movimentaram a cidade.

Violência contra idosos

Mato Grosso do Sul lidera os casos de violência contra idosos a cada 100 mil habitantes, conforme a pesquisa. Com uma taxa de 209 idosos vítimas de violência naquele ano, o estado se destaca significativamente em relação aos demais. Pernambuco vem em segundo lugar com 131,6 casos, seguido por Ceará e Pará.

Entre os tipos mais comuns de violência estão agressões físicas, quedas, acidentes de transporte e outras formas de maus-tratos. Recentemente, em Campo Grande, uma idosa de 70 anos foi resgatada de condições desumanas após denúncia de cárcere privado e tortura por parte do marido. A residência estava em estado insalubre, com a vítima mantida isolada com animais, sem condições mínimas de higiene ou alimentação adequada.

Em outra ocorrência na mesma cidade, durante a Operação Virtude, um idoso de 87 anos foi resgatado de uma casa insalubre onde sofria maus-tratos cometidos pela filha e genro. A vítima, que apresentava dificuldades motoras e vivia em condições precárias de higiene, era frequentemente agredida verbalmente e privada de necessidades básicas como água e comida.

Além dos casos individuais, o Estado também enfrenta problemas estruturais, como o caso de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos em Campo Grande, que foi interditada e descredenciada após denúncias de maus-tratos. Gravações evidenciaram abusos contra residentes, incluindo idosos com demência e transtornos psiquiátricos.

Os dados do Sistema de Informação Hospitalar do SUS revelam que em 2022 houve 45 internações de idosos vítimas de agressões em Mato Grosso do Sul. A violência interpessoal, que engloba diferentes formas como física, psicológica, sexual e negligência, registrou 737 casos no estado no mesmo ano.

A pesquisa destaca um aumento alarmante da violência contra idosos no Brasil, com um crescimento de 242,3% entre 2012 e 2022. Mulheres idosas são particularmente afetadas por violência psicológica, com índices alarmantes de violência racial. A falta de dados específicos e estudos populacionais aprofundados dificulta a compreensão completa do problema.

O Estatuto do Idoso, Lei 10.741/2003, criminaliza a privação de itens essenciais e cuidados aos idosos, estabelecendo penalidades para quem coloca em risco a vida ou saúde dos mesmos. A legislação também pune aqueles que se apropriam indevidamente de recursos destinados aos idosos, com pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa.


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