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Mato Grosso do Sul
Lobista ironiza valor em suposta negociação para compra de sentença no STJ
Publicado em 04/11/2024 9:02 - Semana On
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Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam um suposto esquema de compra de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em uma das conversas, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves faz pouco caso de um valor de R$ 290 mil, referindo-se à quantia como “café” em negociação com o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha, insinuando que a quantia seria insuficiente para a propina necessária.
As mensagens fazem parte de uma investigação ampla que indica uma tentativa de influenciar decisões judiciais em benefício da Mineradora Pirâmide Participações Ltda (MPP), sediada em Corumbá (MS). Segundo a PF, o lobista pressionou o advogado para obter uma decisão favorável à empresa. Em um trecho da conversa, Andreson compartilha com Felix uma captura de tela de um processo judicial e exige um retorno: “Preciso saber com urgência”. Felix responde afirmando que cobraria um posicionamento.
Suspeitas de propina e histórico de violência
O relatório da PF detalha que o tom usado por Andreson sugere uma expectativa de valores muito superiores a R$ 290 mil para influenciar o julgamento. Na sequência das mensagens, Felix contata Cláudio Simão, sócio da mineradora, para verificar se havia interesse no processo que tramitava no STJ. Simão, que foi assassinado em 2018, em Campo Grande, teria respondido afirmativamente.
Além de sua atuação no caso da MPP, Andreson Gonçalves já era investigado por mediação de propinas para obtenção de decisões judiciais no STJ, em um contexto que já expôs vulnerabilidades no sistema judiciário brasileiro. Durante a Operação Ultima Ratio, agentes apreenderam o celular de Gonçalves, considerado peça central nas investigações e apelidado de “celular-bomba” devido ao volume de informações comprometedores armazenadas.

Assassinato de advogado expõe conexões violentas
Outro ponto que chama atenção na trama investigativa é a relação entre o lobista Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 com dez tiros em frente ao próprio escritório, em Mato Grosso. Áudios entre os dois, localizados no celular de Zampieri, mostram Gonçalves cobrando pagamentos de supostas operações judiciais pendentes. Com a apreensão de um notebook de Zampieri, os investigadores tentam avançar no entendimento da rede de influência e corrupção em que Gonçalves estaria envolvido.
Consequências no Judiciário de Mato Grosso do Sul
As investigações também alcançaram o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). As evidências apontaram o envolvimento de cinco desembargadores em práticas ilegais, resultando em seu afastamento após decisão do ministro do STJ Francisco Falcão. Entre os desembargadores afastados estão Vladimir Abreu da Silva, Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Soncini Pimentel, Sérgio Fernandes Martins e Marcos José de Brito Rodrigues.
A reportagem tentou contato com o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha no dia 25 de outubro para que comentasse as denúncias. Na ocasião, ele sinalizou interesse em se manifestar, mas, até o momento, não apresentou resposta formal. A equipe de reportagem mantém o espaço aberto para qualquer manifestação futura de Felix Jayme.
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