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Mato Grosso do Sul

Deumeires Morais é eleita presidenta da Fetems

Educadora e militante histórica, ela assume com mais de 80% dos votos

Publicado em 03/06/2025 10:15 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Em uma eleição marcada por ampla participação e forte respaldo de base, a professora Deumeires Morais foi eleita presidenta da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) com mais de 80% dos votos válidos, em pleito realizado ontem (2). Com uma trajetória marcada por pioneirismo, enfrentamento e defesa incansável da educação pública, Deumeires assume o maior cargo da federação acompanhada pelo vice-presidente eleito, professor Onivan Correa. A posse da nova diretoria será em julho.

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Vitória da base, pela base

A eleição mobilizou os 74 sindicatos municipais filiados à Fetems, com urnas funcionando das 8h às 18h em todo o estado. A Chapa 1, encabeçada por Deumeires, consolidou sua vitória com folga, reflexo de um programa de propostas articulado com demandas históricas da categoria — e de uma militância construída dentro das salas de aula, nas ruas e nos tribunais.

“Este resultado mostra que o que ganha eleição são as pessoas que estão na luta, mostrando o trabalho que foi feito e as propostas que apresentamos durante a campanha”, declarou a nova presidenta ao agradecer a confiança da base.

Uma vida de enfrentamentos e conquistas

Aos 59 anos, Deumeires é natural de Tupi Paulista (SP) e vive em Dourados desde a década de 1980. Formada em Ciências e Matemática, com pós-graduação em Gestão Escolar, começou a lecionar em 1987. Ainda como professora contratada, protagonizou um marco na história da categoria ao conquistar, na Justiça, o direito à licença-maternidade — até então negado às temporárias.

“Não me dei por satisfeita quando me disseram que eu teria que pedir exoneração por estar grávida. Fui ao sindicato. E o sindicato lutou por mim. Eu aprendi cedo que só a união nos protege”, afirmou. Essa vivência direta da desigualdade institucional transformou-se em motor de luta sindical.

Um programa voltado para a valorização do magistério e da escola pública

A plataforma de propostas da nova gestão mira em reivindicações estruturais da educação sul-mato-grossense. Entre as prioridades estão:

– Realização de novo concurso público para professores e administrativos;

– Redução das disparidades salariais entre efetivos e convocados;

– Cumprimento integral da Lei do Piso (Lei nº 11.738/2008), incluindo jornada e plano de carreira;

– Revogação do desconto de 14% nos salários de aposentados;

– Combate à privatização da educação pública e às terceirizações;

– Aprovação de um piso nacional para os administrativos da educação.

Piso nacional do magistério: o mapa da desigualdade em MS

A eleição ocorre em um momento de forte mobilização da Fetems contra o descumprimento do Piso Nacional do Magistério em diversos municípios. No dia 30 de maio de 2025, a entidade divulgou um ranking estadual revelando que várias prefeituras ainda pagam abaixo do valor legalmente estabelecido de R$ 4.867,77 — em desrespeito à Lei nº 11.738/2008.

Mais do que números, o levantamento explicita um problema de fundo: a falta de compromisso de algumas administrações municipais com a valorização docente. A Fetems cobra não apenas o pagamento retroativo a 1º de janeiro de 2025, mas também o cumprimento do 1/3 de hora-atividade e a efetivação de carreiras que respeitem a formação e dedicação dos educadores.

O embate ganha ainda mais força quando confrontado com a Meta 17 do Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014), que determina: “Valorizar os profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente.”

Educação pública sob ataque: resistência como resposta

O contexto em que se dá essa eleição é de ofensiva crescente contra os pilares da escola pública. Cortes orçamentários, terceirizações, tentativas de implementação de modelos cívico-militares e desvalorização dos profissionais tornaram-se frequentes em várias regiões do país. Em resposta, a Fetems tem intensificado sua mobilização contra projetos de privatização da educação, reafirmando o compromisso com uma escola pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada.

Ao assumir a presidência da federação, Deumeires traz consigo não apenas uma história de resistência pessoal, mas um projeto coletivo de fortalecimento da categoria. “É essa força que trago comigo”, declarou — e não se trata de retórica. Em tempos de ataques à educação, sua eleição representa também a renovação de um pacto entre professores, sindicato e sociedade.

Entre o chão da escola e a luta sindical, um novo ciclo se abre

A vitória de Deumeires Morais marca o início de um novo capítulo na história da Fetems, com uma liderança forjada na prática cotidiana e na militância sindical. Sua eleição com mais de 80% dos votos demonstra a confiança da categoria em um projeto que não abre mão da luta por direitos, valorização profissional e defesa intransigente da escola pública.

Com um cenário nacional desafiador, sua gestão será medida não apenas por sua capacidade de negociação institucional, mas pela manutenção da mobilização e do vínculo com a base — essa sim, a verdadeira força da educação brasileira.

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