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Mato Grosso do Sul

Desapropriações viabilizam avanço da alça de acesso à ponte sobre o Rio Paraguai

Projeto estratégico da Rota Bioceânica promete transformar a integração regional na América Latina

Publicado em 20/01/2025 9:44 - Semana On

Divulgação Reprodução

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As máquinas já estão em operação, trabalhadores movimentam o canteiro de obras, e a construção da alça de acesso à nova ponte sobre o Rio Paraguai avança a passos largos. A estrutura, parte fundamental da Rota Bioceânica, conecta a BR-267 ao futuro marco de integração regional entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Apesar de resistências pontuais às desapropriações, o projeto de R$ 472 milhões promete revolucionar o transporte e fortalecer os laços comerciais na América Latina.

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O ritmo das obras coordenadas pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e executadas pelo consórcio liderado pela construtora Kaiapó é intenso. O acesso, com 13,1 quilômetros de extensão, contará com estrutura moderna, incluindo viadutos, seis pontes de concreto e passagens para a fauna, além de 18 bueiros.

O prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), celebra o progresso, apesar de reconhecer alguns desafios. “As pessoas entendem a importância do acesso à ponte. Tem um ou outro que não quer, que está dificultando, mas o DNIT vai desapropriar, vai fazer o que precisa ser feito”, afirmou. Cintra enfatizou que a limpeza do terreno e as bases estruturais já estão em curso, destacando o comprometimento com os prazos.

Uma obra estratégica para a América Latina

A Rota Bioceânica, na qual a ponte e seu acesso estão inseridos, representa um marco logístico para o continente. O corredor viário reduzirá em até 12 dias o tempo de transporte de cargas entre o Brasil e a China, um dos principais parceiros comerciais do país, diminuindo em 23% o percurso atual. Além disso, a rota fortalece o comércio intrarregional, uma necessidade há muito apontada por analistas econômicos.

A ponte sobre o Rio Paraguai, cuja conclusão está prevista para março de 2026, terá uma extensão total de 1.294 metros, incluindo um imponente vão estaiado de 350 metros. A construção reflete a complexidade técnica e a ambição de um projeto que promete conectar não apenas territórios, mas também economias e culturas.

Simone Tebet, ministra do Planejamento, anunciou o início das obras da alça em setembro de 2024, destacando o desafio de erguer uma estrutura suspensa em ambas as extremidades da ponte. “Esse empreendimento transcende a engenharia. É uma aposta no desenvolvimento conjunto da América Latina”, afirmou à época.

Impacto socioeconômico e ambiental

A Rota Bioceânica tem um papel central em debates sobre integração regional e sustentabilidade. A passagem para fauna ao longo da alça de acesso reflete um compromisso com a preservação ambiental, um tema cada vez mais sensível em empreendimentos de grande escala.

Por outro lado, o processo de desapropriações reacende a discussão sobre os direitos dos proprietários e o equilíbrio entre interesses individuais e coletivos. O DNIT, responsável pelas negociações, segue firme na missão de concluir o projeto dentro dos 26 meses previstos para a execução total.

Enquanto a alça de acesso avança, Porto Murtinho se projeta como um polo estratégico no mapa do comércio global. O município, situado em uma região historicamente desassistida, agora desponta como peça-chave na articulação de uma nova geopolítica latino-americana.

A ponte não é apenas uma construção física, mas um símbolo de uma América Latina mais conectada, economicamente integrada e preparada para os desafios do século XXI. Com o horizonte de 2026 à vista, o projeto Bioceânico desafia limites e mostra que, com planejamento e investimento, é possível transformar o futuro de toda uma região.

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