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Mato Grosso do Sul
Deputado do PL de MS acumula punições, discurso radicalizado e ataques institucionais
Publicado em 06/05/2026 10:38 - Semana On
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Após uma sessão que se estendeu por cerca de nove horas, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou, por 13 votos a 4, a suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon por dois meses. A punição decorre da participação do parlamentar na ocupação da Mesa Diretora da Câmara, episódio em que aliados do bolsonarismo impediram o acesso do presidente da Casa, Hugo Motta, ao comando da sessão.
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A decisão representa mais um desgaste para um dos expoentes da extrema direita em Mato Grosso do Sul, conhecido por discursos agressivos, alinhamento ideológico ao bolsonarismo radical e constantes ataques a instituições democráticas. Além de Pollon, também foram julgados os deputados Zé Trovão e Marcel Van Hattem.
O parecer favorável à suspensão foi apresentado pelo relator Moses Rodrigues. O processo disciplinar tramita há sete meses e vinha sendo sucessivamente retardado por manobras da bancada bolsonarista, que tentou novamente adiar a votação na terça-feira (5).
O principal articulador da tentativa foi o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva. Durante a sessão, ele alegou questões humanitárias para pedir o adiamento do julgamento, mencionando o fato de Pollon ser autista e sofrer de pressão alta. Segundo o parlamentar, o colega poderia apresentar “pico de pressão” durante a votação.
Os argumentos, porém, foram rejeitados tanto pelo presidente do Conselho de Ética, Fábio Schiochet, quanto pela maioria dos integrantes do colegiado. A avaliação predominante foi a de que não havia justificativa para novo adiamento de um processo que já havia sido postergado diversas vezes.
Durante sua defesa, Pollon afirmou estar sendo perseguido e declarou viver sob um “regime de exceção”, retórica frequentemente utilizada por setores da extrema direita para deslegitimar decisões institucionais contrárias aos seus interesses políticos. Apesar de ter contado com a manifestação de aliados e de sua defesa técnica, o deputado reconheceu o cenário desfavorável. “Não será este revés que vai me calar”, afirmou antes da votação.
Em tom emocional, o parlamentar pediu desculpas à família pela ausência decorrente da atividade política. Disse lamentar o pouco tempo dedicado à mãe, à esposa e aos filhos. A suspensão do mandato implicará afastamento completo das atividades parlamentares por 60 dias, período em que Pollon perderá o salário de aproximadamente R$ 46 mil mensais, ficará sem acesso à verba indenizatória e deverá dispensar temporariamente os funcionários do gabinete.
O deputado também criticou a duração da sessão, iniciada por volta das 11h e concluída apenas à noite. “Essa sessão interminável é inédita”, reclamou.
A suspensão aprovada nesta terça não encerra os problemas disciplinares enfrentados pelo parlamentar. Pollon ainda responde a outro processo que pode resultar em afastamento adicional de até 90 dias. O caso envolve ataques verbais dirigidos ao presidente da Câmara durante o ato “Reaja Brasil”, realizado em Campo Grande, em 3 de agosto do ano passado.
Na ocasião, o deputado utilizou palavras de baixo calão para se referir a Hugo Motta, chamando-o de “bosta de deputado” e “porra de deputado”, além de fazer ataques pessoais relacionados à aparência física do presidente da Casa. O episódio reforçou a imagem de radicalização política associada ao parlamentar, cuja trajetória pública tem sido marcada pelo confronto institucional e pela retórica de hostilidade contra adversários políticos.
Embora costume adotar postura agressiva em manifestações públicas e redes sociais, Pollon demonstrou fragilidade durante as sessões do Conselho de Ética. Em uma das reuniões anteriores, chegou a relatar mal-estar e afirmou ter ficado próximo de sofrer um AVC. O episódio foi novamente utilizado por aliados como argumento para tentar interromper o julgamento.
Segundo Fábio Schiochet, Pollon ainda poderá recorrer da decisão junto à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Além das controvérsias institucionais, o deputado também tem ampliado o discurso de oposição a programas sociais e econômicos do governo federal. Recentemente, criticou o novo programa de renegociação de dívidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apelidado informalmente de “Desenrola 2”.
Durante pronunciamento, Pollon classificou a iniciativa como a “nova picanha” de Lula, em referência à promessa de campanha feita pelo presidente nas eleições de 2022 sobre ampliar o acesso da população à carne bovina.
“O Lula está doido para achar picanha em 2026. Isso aqui é uma tentativa de achar picanha em 2026 que ele entregou até agora”, declarou o deputado, ao afirmar que o programa “vai afundar o FGTS, vai endividar ainda mais a população e atender interesses de bancos”.
Na sequência, o parlamentar voltou a atacar a política de gestão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Segundo ele, o FGTS deveria estar integralmente disponível aos trabalhadores para quitação de dívidas. “O FGTS é um dinheiro que deveria ser do trabalhador, mas rende menos que a inflação”, afirmou.
As declarações reforçam o posicionamento ideológico de Pollon como representante da extrema direita em Mato Grosso do Sul, alinhado a uma agenda de confronto permanente, deslegitimação institucional e oposição sistemática a políticas públicas do governo federal, inclusive programas voltados à renegociação de dívidas de famílias endividadas.
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