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Mato Grosso do Sul

Conheça os militares de MS indiciados pela PF na tentativa de golpe

General da reserva e coronel ligado aos Kids Pretos são apontados como peças-chave na articulação golpista após a eleição de Lula em 2022

Publicado em 25/11/2024 9:30 - Semana On

Divulgação

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A Polícia Federal (PF) indiciou, na última quinta-feira (21), 37 pessoas por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os acusados de crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, estão dois militares de Mato Grosso do Sul: o general da reserva Laércio Virgílio e o coronel Bernardo Romão Corrêa Neto, ambos com históricos que os colocam como protagonistas na conspiração.

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Aos 70 anos, o general da reserva Laércio Virgílio foi identificado como integrante de um grupo conhecido como “alta patente”, uma elite militar que, segundo a investigação, articulava os passos do golpe. Interceptações telefônicas revelaram mensagens em que Virgílio convocava ações imediatas para romper a ordem democrática.

Em um áudio enviado ao militar reformado Ailton Gonçalves Moraes Bastos, Laércio afirmava que era “momento de ação”, com tom de urgência. “Já estamos em guerra […] Temos que executar essas ações”, declarou ele, reforçando o papel estratégico que desempenhava no plano.

Laércio Virgílio, que serviu na Brigada de Paraquedistas no Rio de Janeiro e no 9º GAC em Nioaque (MS), manteve contato próximo com Ailton Bastos, outro indiciado no caso. Bastos, que chegou a ser suplente de deputado estadual pelo PL no Rio de Janeiro, está preso sob acusação de inserir dados falsos no sistema de vacinação da Covid-19 para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Coronel Bernardo Romão Corrêa Neto: o braço operacional

Enquanto Laércio Virgílio representava o núcleo de inteligência, o coronel Bernardo Romão Corrêa Neto desempenhava o papel operacional. O militar, que já comandou o 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado (10º R C Mec) em Bela Vista (MS), é apontado pela PF como responsável pela coordenação da tropa conhecida como Black Kids, a elite das Forças Armadas treinada em Operações Especiais.

Após deixar o comando em Bela Vista em janeiro de 2022, Corrêa Neto foi integrado ao pelotão de Goiás, onde teria selecionado militares preparados para atuar no golpe. Ele é descrito no relatório da PF como um dos homens de confiança do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Bolsonaro e também indiciado no caso.

A PF detalha que o coronel Corrêa Neto estava diretamente envolvido na mobilização das forças militares especializadas, conferindo a ele um papel de liderança no esquema. Sua ligação com Mauro Cid reforça o elo entre o grupo de elite das Forças Armadas e os interesses do círculo próximo ao ex-presidente.

O golpe em perspectiva

De acordo com a PF, Laércio Virgílio e Bernardo Corrêa Neto atuavam em frentes complementares dentro da conspiração. Enquanto Virgílio planejava e articulava com militares de alta patente, Corrêa Neto coordenava a execução de possíveis ações de força. O envolvimento direto de militares treinados para Operações Especiais evidencia a gravidade das intenções golpistas e o nível de organização do grupo.

Os indiciamentos reforçam a postura firme das autoridades em responsabilizar os envolvidos na tentativa de abalar a democracia brasileira. A PF segue apurando desdobramentos do caso, que podem trazer à tona novos envolvidos e detalhar ainda mais a trama.


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