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Mato Grosso do Sul
Ataques entre Israel e Irã fecham espaço aéreo e dificultam retorno de secretários brasileiros
Publicado em 16/06/2025 10:43 - Semana On
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Em meio à escalada do conflito entre Israel e Irã, que já deixou ao menos 244 mortos, três secretários do governo de Mato Grosso do Sul seguem retidos em Tel Aviv desde a madrugada de 13 de junho. A expectativa, segundo o governo estadual, é que o grupo consiga deixar o país por via terrestre, rumo à Jordânia, de onde embarcariam de volta ao Brasil. As tratativas envolvem as embaixadas brasileira e israelense e priorizam a segurança total da delegação.
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O agravamento das tensões no Oriente Médio, que desde a última semana opõem Israel e Irã em um dos episódios mais severos de confrontos diretos das últimas décadas, tem reflexos imediatos para cidadãos brasileiros. Desde a madrugada da última quinta-feira (13), três secretários do governo de Mato Grosso do Sul estão retidos em Tel Aviv, aguardando uma solução diplomática para retornar ao Brasil.
De acordo com nota oficial divulgada na manhã desta segunda-feira (16) pela assessoria de imprensa do governo sul-mato-grossense, há negociações em curso para que o grupo deixe Israel por terra, cruzando a fronteira em direção à Jordânia, de onde poderiam embarcar de volta ao país. A alternativa terrestre surge após o fechamento do espaço aéreo israelense, que permanece inacessível devido ao aumento dos bombardeios e ameaças cruzadas entre os dois países.
“O principal fator que orienta qualquer decisão é a segurança total da delegação”, reforça o comunicado. Até o momento, não há previsão exata para o retorno.
A comitiva, que está hospedada em um hotel em Tel Aviv, é composta pelo secretário-executivo de Ciência e Tecnologia, Ricardo Senna; pela subsecretária de Saúde, Christinne Maymone; e por Marcos Espíndola, do setor de tecnologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Pelas redes sociais, Ricardo Senna informou que, embora estejam em segurança, a situação se mantém tensa. “Os ataques se intensificaram, mas continuamos bem e em segurança. O hotel tem vários abrigos, os alarmes são disparados com antecedência e conseguimos nos proteger quando os ataques acontecem. Estamos discutindo com as embaixadas de Israel e do Brasil as possibilidades de sair do país por via aérea ou terrestre”, declarou.
A missão oficial da comitiva, que deveria ter ocorrido entre os dias 7 e 14 de junho, foi organizada a convite do governo de Israel, com apoio da embaixada israelense no Brasil, com o objetivo de fortalecer parcerias e promover intercâmbio de tecnologias nas áreas de saúde, ciência e desenvolvimento regional.
Escalada no conflito fecha espaço aéreo
O agravamento da crise no Oriente Médio é resultado de uma escalada iniciada após ataques mútuos entre Israel e Irã. Até a manhã desta segunda-feira, os números oficiais divulgados por ambos os governos indicavam 244 mortos — 224 no Irã e 20 em Israel —, além de dezenas de feridos.
Imagens de radares de tráfego aéreo revelam um cenário inédito: um “buraco” no espaço aéreo da região, com voos comerciais e diplomáticos desviando suas rotas para longe de Israel, Irã, Síria, Líbano e territórios palestinos.
A atual crise tem potencial de alterar os equilíbrios geopolíticos do Oriente Médio, envolvendo não apenas os dois protagonistas diretos, mas também potências regionais e globais. Como destaca a cientista política e especialista em relações internacionais, Gunter Meyer, diretor do Centro de Pesquisa sobre o Mundo Árabe da Universidade de Mainz, na Alemanha, “quando Israel e Irã se enfrentam diretamente, há risco real de expansão do conflito para todo o Oriente Médio, algo que o mundo evita desde a década de 1970”.
Diplomacia em campo e riscos operacionais
O governo israelense sinalizou que busca viabilizar um voo específico para retirar autoridades estrangeiras, incluindo a delegação brasileira, tão logo haja segurança. No entanto, com os aeroportos fechados, cresce a viabilidade da evacuação por via terrestre — uma operação diplomática e logística de alta complexidade.
A travessia até a Jordânia, opção considerada neste momento, não é simples. Exige deslocamento de cerca de 100 quilômetros até a ponte Allenby, na Cisjordânia, seguida de trâmites de imigração tanto com autoridades israelenses quanto jordanianas. Historicamente, esse é o único ponto de passagem direta entre a Cisjordânia e a Jordânia sob controle israelense.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros e israelenses trabalham para garantir não apenas a logística, mas a segurança de todo o trajeto. A movimentação envolve risco, dado que as sirenes antiaéreas continuam sendo acionadas várias vezes ao dia em Tel Aviv, com explosões audíveis nas proximidades.
Um cenário de tensão global
O conflito Israel-Irã tem implicações que vão muito além da fronteira. Analistas de política internacional destacam que a escalada ocorre em um momento de forte realinhamento geopolítico mundial, com o enfraquecimento das estruturas multilaterais e o avanço de conflitos regionais que escapam ao controle das potências tradicionais.
“Vivemos uma era de multipolaridade desordenada, onde o colapso de mecanismos de mediação internacional permite que crises locais ganhem rapidamente escala global”, analisa o historiador Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, em entrevista à CNN em abril de 2024.
O episódio que envolve a comitiva brasileira reflete, portanto, não apenas os riscos diretos de uma guerra em andamento, mas também os desafios da diplomacia internacional em um cenário de instabilidade crescente.
Enquanto isso, no Brasil…
No Brasil, a situação acompanha com apreensão. A assessoria do governo de Mato Grosso do Sul reforça que mantém contato permanente com o Itamaraty e as autoridades israelenses, buscando a melhor solução possível para garantir o retorno da comitiva em segurança.
A experiência dos secretários, que deveria fortalecer parcerias em tecnologia, inovação e saúde, acabou transformada, involuntariamente, em um retrato vivo das fragilidades de um mundo atravessado por crises sucessivas — sanitárias, climáticas, políticas e, agora, bélicas.
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