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Mato Grosso do Sul
Missão de cooperação internacional foi impactada pela escalada do conflito entre Israel e Irã
Publicado em 18/06/2025 1:50 - Semana On
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Após dias de incerteza, apreensão e alterações nos planos, a comitiva do governo de Mato Grosso do Sul que estava em Israel conseguiu, nesta quarta-feira (18), deixar o país pela fronteira terrestre com a Jordânia e já iniciou o retorno ao Brasil. A viagem, que tinha como objetivo o fortalecimento da cooperação internacional nas áreas de ciência, tecnologia e saúde, acabou sendo atravessada pela escalada do conflito entre Israel e Irã, iniciado no dia 13 de junho.
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A informação foi confirmada pelo governo de Mato Grosso do Sul e pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que atuou na operação de retirada não apenas dos três servidores sul-mato-grossenses, mas também de outras autoridades brasileiras que integravam a Missão Internacional do Consórcio Brasil Central.
De acordo com o Itamaraty, o grupo recebeu autorização das Forças de Defesa de Israel para seguir até a fronteira com a Jordânia. De lá, embarcaram em voos comerciais rumo ao Brasil. A saída terrestre foi a alternativa encontrada, uma vez que os aeroportos de Israel operaram com severas restrições nos últimos dias, reflexo dos riscos de novos ataques e da tensão na região.
A representação de Mato Grosso do Sul na missão internacional era composta por:
– Ricardo Senna, secretário executivo de Ciência e Tecnologia;
– Christinne Maymone, secretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde (SES);
– Marcos Espíndola, responsável pelo setor de tecnologia da SES.
O grupo fazia parte da missão oficial do Consórcio Brasil Central — bloco interestadual que reúne os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Rondônia e Distrito Federal —, a convite do governo de Israel. A programação estava prevista para ocorrer entre os dias 7 e 14 de junho, mas o agravamento do conflito forçou o adiamento do retorno.
A tensão que surpreendeu a missão brasileira começou no último dia 13, quando Israel realizou um ataque de retaliação contra alvos no Irã, intensificando uma crise que já vinha se desenhando há meses. A ofensiva israelense foi uma resposta ao ataque com drones e mísseis lançado pelo Irã dias antes, segundo informações confirmadas pelo próprio governo israelense e por órgãos internacionais como a ONU.
De acordo com balanços preliminares divulgados por agências internacionais, como a BBC e a Al Jazeera, mais de 500 pessoas morreram desde o início dos ataques diretos entre Israel e Irã, além de centenas de feridos. A comunidade internacional reagiu com apreensão. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em nota oficial no último dia 14: “O Oriente Médio está à beira de um conflito de proporções incontroláveis. É imperativo que as partes recuem imediatamente”.
Durante o período em que permaneceram em Israel após o início dos ataques, os servidores de Mato Grosso do Sul ficaram hospedados em um hotel em Tel Aviv equipado com bunkers, medida padrão em situações de ameaça aérea no país. A cidade, centro financeiro e tecnológico de Israel, tornou-se alvo de alertas constantes e sirenes de ataque.
Christinne Maymone, em breve contato com autoridades estaduais, relatou que, apesar da tensão, o grupo estava em segurança, seguindo os protocolos de proteção estabelecidos pelas autoridades locais e pela Embaixada do Brasil.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, monitorou a situação desde o primeiro sinal de escalada. A operação de retirada da comitiva sul-mato-grossense e de outras autoridades envolveu articulação direta com as Forças de Defesa de Israel, com a Embaixada do Brasil em Tel Aviv e com apoio logístico da Embaixada do Brasil em Amã, na Jordânia.
O episódio reacende discussões sobre a segurança de missões internacionais em áreas de risco. Segundo o professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, “A escalada entre Israel e Irã não é um fato isolado. É parte de um rearranjo mais amplo no equilíbrio de forças no Oriente Médio, com repercussões globais”.
Apesar dos contratempos, a missão do Consórcio Brasil Central manteve, até onde foi possível, sua agenda de visitas técnicas e reuniões para discutir avanços nas áreas de tecnologia aplicada à segurança pública, saúde e inovação agrícola — setores em que Israel é referência mundial.
A secretária adjunta Christinne Maymone destacou, antes do agravamento do conflito, que “a troca de experiências, especialmente nas áreas de tecnologia para a saúde pública e gestão de crises, é extremamente relevante para a realidade brasileira”.
Com o retorno iniciado, a expectativa do governo de Mato Grosso do Sul é de que os servidores desembarquem em solo brasileiro até o final desta semana. A partir daí, as experiências e aprendizados acumulados durante a missão deverão ser compartilhados com órgãos públicos estaduais e municipais, ainda que sob o forte impacto da crise internacional que marcou a viagem.
A situação no Oriente Médio segue instável, e analistas internacionais alertam que o risco de um conflito de maiores proporções ainda não está descartado.
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