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Mato Grosso do Sul
Incêndios em 30 áreas foram provocados por ação humana, apontam PF e Ibama
Publicado em 23/07/2024 11:31 - Semana On, G1 – Edição Semana On
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Os incêndios florestais no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, retornaram com intensidade desde o fim de semana, devido a piora geral das condições climáticas, com aumento das temperaturas, baixa umidade relativa do ar, além da velocidade dos ventos, um dos principais fatores de propagação dos focos no bioma.
Atualmente são seis focos ativos de incêndios nas regiões do Rabicho, Porto da Manga, Paiaguás, Maracangalha, além de outros nos municípios de Bodoquena e Bonito. Outros pontos são monitorados na estrada Parque de Piraputanga e próximo ao município de Coxim.
As ações para controle e extinção das chamas, como parte da temporada de incêndios florestais 2024, completou 112 dias na segunda-feira (22), com trabalho realizado por terra, ar e água. Além do CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul), a atuação no Pantanal conta com o apoio de equipes da Força Nacional e Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), e ainda agendes do Ibama, ICMBio e brigadistas do PrevFogo.
“Este momento é de troca de guarnições, e a gente precisa se preocupar com tudo. Na parte de logística, devido à dificuldade de acesso no terreno, a gente providencia alimentação, água, material de higiene, para que os militares tenham condições de trabalho nos locais. Principalmente nas bases avançadas, pois as dificuldades são extremas. A gente organiza os matérias enviados aos locais onde as guarnições ficam preparadas para combater os incêndios”, explicou a tenente-coronel Tatiane Inoue, diretora de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar, responsável pelo monitoramento e ações de combate aos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul.
O início da semana foi marcado por condições climáticas extremas no Pantanal, o que eleva o risco de incêndios e a rapidez da propagação das chamas. A ausência de chuva aliada a baixa umidade relativa do ar, que ontem ficou em apenas 19%, além da temperatura com picos acima de 33°C e rajadas de vento que chegam a 24 km/h.
As operações de combate aos incêndios florestais foram intensificadas, com continuidade de serviços iniciados no fim de semana e com foco no monitoramento e rescaldo das áreas já queimadas. Com as condições climáticas adversas, o trabalho de combate tem esforço concentrando no controle das chamas em áreas remanescentes e prevenção de novas ocorrências.
Na região do Rabicho, próximo ao Rio Paraguai, o enfrentamento ao fogo é realizado a mais de 120 horas. No início da noite de ontem, as equipes recuaram para avaliar a situação, após encontrarem dificuldades de progressão na área, que foi comprometida devido à baixa visibilidade e rápida propagação das chamas.
Na estrada Parque de Piraputanga, a rápida atuação da equipe do Corpo de Bombeiros em vários princípios de incêndios, conseguiu impedir a propagação das chamas no entorno da via. Com isso a área efetivamente atingida é de apenas poucos metros quadrados.
Esta semana, o trabalho terá reforço de aproximadamente 40 bombeiros militares de Goiás, Paraná e São Paulo, que chegam ao Estado a partir de hoje (23). Também há previsão de que bombeiros dos estados da Paraíba, Sergipe, Rondônia e Pará, sejam enviados ao Mato Grosso do Sul para colaborar nas ações de combate aos incêndios no Pantanal.
Incêndios em 30 áreas foram provocados por ação humana, apontam PF e Ibama
Agentes da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificaram que ao menos 30 incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul foram provocados por ação humana só neste ano. Após ter chegado a zero, o número de focos voltaram a subir na região.
As informações foram obtidas após peritos técnicos da PF e do Ibama irem até os pontos de ignição – esses pontos são locais com temperatura mínima em que ocorrem uma combustão, e podem se tornar incêndios. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) tem 11 inquéritos abertos para apurar as autorias dos incêndios na região pantaneira.
Por meio de imagens de satélites e da perícia em campo, a PF conseguiu constatar resultados da ação humana. Os responsáveis pelos incêndios podem responder criminalmente e ter que pagar pela recuperação das áreas. Conforme a perícia técnica, os ventos ajudaram a espalhar as chamas por outras propriedades privadas.
As informações coletadas serão encaminhadas ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que deve abrir inquéritos civis de investigação.
O fogo consome o bioma há mais de três meses. Mais de 794 mil hectares foram destruídos, o que deixa um rastro de devastação ambiental e morte de animais. Para se ter uma dimensão, a área completamente destruída representa um pouco mais de 5% de todo o território pantaneiro. Os dados são do programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Dos 30 locais apurados pela PF, 12 sobrepõe áreas de fazendeiros no Pantanal, que são investigados pelo Ministério Público por serem proprietários de imóveis rurais de onde começaram focos de incêndios que afetaram o bioma.
Segundo o órgão, as causas do fogo ainda não foram identificadas e caso seja provado que houve incêndio intencional, os proprietários podem responder por crime ambiental.
A investigação primária foi feita pelo Ministério Público do Mato Grosso do Sul em um grupo criado para apoiar nas investigações sobre incêndios ilegais no Pantanal. Os promotores atuam com a ajuda de satélites que monitoram e identificam os pontos de fogo.
Um destes 12 incêndios começou após pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) perderem o controle das chamas durante uma queima científica. A instituição realizava a pesquisa justamente para entender a dinâmica do fogo no bioma.
O incêndio foi provocado durante estudo do Núcleo de Estudo do Fogo em Áreas Úmidas (NEFAU), no dia 10 de maio deste ano, na fazenda Campo Enepê, em Corumbá (MS). Conforme relatório da própria pesquisa, as chamas apresentaram “comportamento mais dinâmico” e saíram do controle.
Outro grande incêndio começou em uma fazenda que perdeu o controle do fogo durante o manejo de abelhas. Após a perícia técnica, investigadores foram à propriedade suspeita ouvir testemunhas.
A fazenda suspeita é um dos exemplos de ponto de ignição – local com temperatura mínima em que ocorre uma combustão. Um ponto de ignição pode se tornar um incêndio florestal. A Polícia Civil apurou que o fogo começou no fim da semana passada após um produtor rural tentar retirar mel de uma colmeia, manejar as abelhas com fogo e perder controle das chamas.
Provocar incêndios em matas e florestas é uma infração e crime ambiental. Além da autuação, a pessoa pode ser multada e presa, cumprindo pena de mais de cinco anos de reclusão.
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