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Mato Grosso do Sul
Sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades
Publicado em 10/01/2025 10:23 - Semana On e Agência Brasil
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Com ações preventivas para fortalecer as estratégias de enfrentamento a Dengue, Chikungunya e Zika em Mato Grosso do Sul, a SES (Secretaria de Estado de Saúde), por meio da superintendência de Vigilância em Saúde e respectivas áreas técnicas responsáveis pelas Arboviroses no estado, participou ontem (9) da instalação do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE), do Ministério da Saúde.
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O COE tem o objetivo de auxiliar na definição de diretrizes de vigilância para ampliar a prevenção e o monitoramento das Arboviroses, orientando a execução de ações voltadas à vigilância epidemiológica, laboratorial, assistencial e ao controle de vetores.
Em Mato Grosso do Sul o COE das Arboviroses foi criado para auxiliar os 79 municípios em ações constantes de enfrentamento às Arboviroses no Estado. Ele é composto por servidores e colaboradores da SES, envolvidos na atuação em situações de emergências de saúde sejam elas de importância nacional, estadual ou municipal de enfrentamento.
Com isto, o COE pode convidar representantes de órgãos públicos e entidades privadas, especialistas e técnicos, para participarem de reuniões, com o objetivo de prestar assessoramento sobre temas específicos relacionados às Arboviroses.
Atribuições do COE das Arboviroses em MS
De acordo com a gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener, o Centro de Operações de Emergência em Saúde tem como principais atribuições o planejamento, organização, coordenação e controle das medidas a serem adotadas durante a resposta às emergências, bem como a articulação com gestores estaduais, distritais e municipais do SUS (Sistema Único de Saúde), órgãos públicos e divulgação de informações relevantes à população.
“O COE para Dengue e outras Arboviroses visa fortalecer a capacidade de resposta diante dos desafios de saúde pública, garantindo uma atuação eficaz e coordenada para proteger a saúde da população e evitar casos graves e óbitos”, explica Jéssica Klener.
Ações preventivas estratégicas com os municípios
O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, enfatiza que o trabalho conjunto entre o Estado e os municípios ao longo de 2024 foi determinante para a significativa redução no número de casos de Dengue e demais Arboviroses. Esse alinhamento estratégico não apenas trouxe resultados positivos, mas também reforçou a importância da cooperação nas ações de saúde pública.
“Para 2025, é essencial que continuemos essa colaboração, focando em duas situações específicas. Primeiramente, muitos municípios estão passando por uma nova gestão e têm novos secretários de saúde. Esses profissionais precisam estar integrados ao nosso projeto estadual, garantindo que todos estejam alinhados com as estratégias e metas estabelecidas. Em outra frente, devemos prestar atenção especial àqueles municípios que, por diversos motivos, apresentaram números maiores de casos em 2024 em comparação com o restante do Estado. Um trabalho específico e direcionado será realizado nesses locais, com o objetivo de melhorar os resultados e promover a saúde da população. Com essa abordagem colaborativa e focada, acreditamos que poderemos alcançar resultados ainda mais significativos neste ano”, ressalta o titular da SES.
Entre as ações programadas, destacam-se diversas iniciativas voltadas para o manejo clínico e o fortalecimento da vigilância em saúde nos 79 municípios. Será realizada a distribuição de medicações essenciais, como dipirona, paracetamol, sais de hidratação e soro fisiológico, visando garantir o tratamento adequado à população.
Além disso, está prevista a organização de um evento presencial que tem como objetivo o compartilhamento de conhecimentos e a capacitação dos coordenadores das áreas de vigilância, atenção primária e controle de vetores. Esta ação é fundamental para promover a integração entre os profissionais e aprimorar as práticas de saúde pública.
O suporte contínuo aos municípios também é uma prioridade, assegurando que as localidades recebam o acompanhamento necessário para a implementação das medidas de controle e prevenção. O monitoramento dos casos notificados será intensificado, com a divulgação de informações por meio de boletins e informes periódicos, mantendo a população e os profissionais de saúde informados sobre a situação epidemiológica.
A realização de web aulas será uma estratégia adicional para disseminar conhecimentos de forma acessível e dinâmica. A implementação e validação de novos softwares visa fornecer apoio à decisão e aprimorar a investigação de óbitos relacionados a Arboviroses, permitindo uma resposta mais eficaz às demandas de saúde.
“Fizemos uma webconferência com os 79 municípios com a participação dos setores de epidemiologia, das Arboviroses, controle de vetores e de educação em saúde, onde fizemos o balanço das ações em 2024 e as previsões e metas para este ano. Debatemos sobre as ações estratégicas para manter o controle do mosquito Aedes Aegypti e passamos todas as informações referentes ao controle vetorial, trabalhos de bloqueio químico, educação em saúde. Colocamos para os municípios que neste momento devemos intensificar os trabalhos para assim como no ano passado, em 2025 não tenhamos uma epidemia de dengue e outras Arboviroses”, afirma o coordenador do Controle de Vetores da SES, Mauro Lúcio Rosário.
Também será criado o Comitê de Investigação de Óbitos por Arboviroses, que terá a importante função de analisar e investigar as mortes por essas doenças, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle mais eficazes.
Essas ações refletem um compromisso sólido com a saúde pública e a melhoria da qualidade de vida da população.
Cenário epidemiológico
Em 2024, o Brasil registrou 6,6 milhões de casos prováveis de dengue e 6 mil óbitos, segundo o painel de atualização de casos de arboviroses do Ministério da Saúde.
Até a quarta-feira (8), foram notificados 10,1 mil casos prováveis e 10 óbitos estão em investigação em 2025. Do total de casos, 50% estão concentrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais, enquanto a região Sudeste responde por 61,8% das ocorrências.
No estado de Mato Grosso do Sul, os casos de dengue em 2023 totalizaram 41.046, enquanto em 2024 foram registrados 16.229. Os casos de Chikungunya somaram 1.328 em 2023 e 919 em 2024. Estes dados foram apresentados no último boletim epidemiológico divulgado pela SES na sexta-feira (3). Segundo o documento, 32 óbitos foram confirmados em decorrência da doença e outros 17 estão em investigação.
Vacinação
Ainda conforme o boletim, 121.368 doses do imunizante já foram aplicadas para idade permitida na bula na população. Ao todo, Mato Grosso do Sul já recebeu do Ministério da Saúde 207.796 doses do imunizante contra a dengue. O esquema vacinal é composto por duas doses com intervalo de três meses entre as doses.
A vacinação contra a dengue é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalização por dengue, dentro do quadro de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos de idade.
Sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades
O sorotipo 3 da dengue registrou aumento em meio a testes positivos para a doença no Brasil – sobretudo nos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Amapá e do Paraná. A ampliação foi registrada principalmente nas últimas quatro semanas de dezembro. O cenário preocupa autoridades sanitárias brasileiras, já que o vírus não circula de forma predominante no país desde 2008 e, consequentemente, grande parte da população está suscetível.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, ao longo de todo o ano de 2024, o sorotipo da dengue que circulou de forma predominante no Brasil foi o 1, identificado em 73,4% das amostras que testaram positivo para a doença. “Estamos vendo uma mudança significativa para o sorotipo 3”, destacou a secretária de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel, durante coletiva de imprensa na quinta-feira (9).
“Quero chamar a atenção porque o sorotipo 3 não circula no Brasil desde 2008. Temos 17 anos sem esse sorotipo circulando em maior quantidade. Então, temos muitas pessoas suscetíveis, que não entraram em contato com esse sorotipo e podem ter a doença. Essa é uma variável que nós estamos colocando no nosso COE [Centro de Operações de Emergência] para um monitoramento da circulação desses vírus.”
Alta incidência
Uma projeção feita com base nos padrões registrados em 2023 e 2024 no Brasil e apresentada pela pasta revela que a maior parte dos casos de dengue esperados para 2025 devem ser contabilizados nos seguintes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Paraná. Nessas localidades, é esperada uma incidência acima do que foi registrado ao longo do ano passado.
“O que a gente pode esperar para 2025? A gente continua com o efeito do El Niño e, portanto, com altas temperaturas e com esses extremos de temperatura. Também temos o problema da seca, que faz com que as pessoas armazenem água, muitas vezes, em locais inadequados. E isso também faz com que a proliferação de mosquitos possa acontecer”, explicou a secretária de Vigilância em Saúde.
“O aumento da circulação do sorotipo 3 não entrou nessa modelagem”, disse. “Não sabemos como ele vai se espalhar. Estamos fazendo esse monitoramento”, completou Ethel. Segundo ela, nas últimas quatro semanas de 2024, 84% dos casos de dengue se concentraram nos estados de São Paulo, do Espírito Santo, de Minas Gerais, do Paraná, de Goiás e de Santa Catarina.
Zika
Dados da pasta mostram ainda que, nas últimas quatro semanas de 2024, 82% do total de casos prováveis de Zika identificados no países se concentraram no Espírito Santo, no Tocantins e no Acre.
Chikungunya
Nas últimas quatro semanas de dezembro, 3.563 casos prováveis de Chikungunya foram identificados, sendo 76,3% deles em São Paulo, em Minas Gerais, no Mato Grosso, no Espírito Santo e no Mato Grosso do Sul. “Os estados se repetem, alguns deles, para dengue, Zika e Chikungunya”, destacou a secretária.
Oropouche
“Estamos com uma concentração grande de casos no Espírito Santo, com casos importados no Rio Grande do Norte, em Goiás, no Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul, mas 90% dos casos estão concentrados no Espírito Santo, com aumento significativo das notificações. Estamos, neste momento, com uma equipe lá”, concluiu Ethel.
De acordo com a pasta, na primeira semana de 2024, 471 casos de febre do Oropouche foram identificados no país. Já na primeira semana de 2025, 98 casos da doença foram contabilizados no Brasil.
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