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Mato Grosso do Sul
Casos crescem no interior: autoridades alertam para expansão da doença em áreas urbanas
Publicado em 11/04/2026 12:13 - Semana On
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O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul ganhou novos contornos com a confirmação de mais duas mortes, elevando para 10 o total de óbitos no estado em 2026. Os registros mais recentes ocorreram nos municípios de Fátima do Sul e Jardim, conforme boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na sexta-feira (10). Paralelamente, o número de casos prováveis já alcança 4.281, com 2.102 confirmações laboratoriais, enquanto outros quatro óbitos permanecem sob investigação.
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Em Fátima do Sul, o primeiro registro de morte pela doença envolve um homem de 82 anos, portador de diabetes e hipertensão. Ele apresentou os primeiros sintomas em 25 de fevereiro e morreu na quarta-feira (8). Já em Jardim, a segunda vítima confirmada no município é um homem de 94 anos, que também tinha comorbidades — hipertensão, diabetes e doença cardíaca. Os sintomas começaram em 4 de fevereiro, e o óbito foi registrado em 4 de março.
O cenário de agravamento levou a SES a implementar um fluxo emergencial para atendimento de pacientes em estado grave. A medida estabelece prioridade para regiões com maior incidência e reduz o tempo de resposta nos casos mais críticos. Pacientes classificados como P1.0 e P1.1 — categorias que indicam gravidade ou risco de piora clínica — devem ter encaminhamento definido em até uma hora após a solicitação. O protocolo inclui ainda o mecanismo de “vaga zero”, que autoriza a transferência imediata de pacientes em estado crítico, mesmo na ausência de leitos disponíveis.
Em Dourados, um dos principais focos da doença no estado, a situação também se agrava. Um indígena de 55 anos morreu no Hospital da Missão Caiuá após complicações decorrentes da chikungunya, tornando-se a sexta vítima registrada no município neste ano. Ele foi internado em 1º de abril e morreu dois dias depois. Além disso, outras duas mortes suspeitas seguem em investigação, incluindo a de uma menina de 10 anos que estava internada no Hospital Regional de Dourados e não residia na Reserva Indígena.
A dinâmica de انتشار da doença preocupa especialistas. Segundo o médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio, há uma mudança no padrão de გავრცელcimento da chikungunya na região. Enquanto a aldeia Jaguapiru apresenta redução nos casos agudos, a aldeia Bororó ainda registra aumento. No entanto, o dado mais relevante, segundo ele, é a progressiva expansão da doença na área urbana de Dourados.
“Há um declínio relativo de casos novos na reserva indígena, mas observamos uma elevação contínua na área urbana”, afirmou o pesquisador, indicando uma possível mudança no epicentro da transmissão.
Venâncio alerta que a tendência é de crescimento expressivo no número de casos nas próximas semanas, especialmente se não houver mobilização social. “Esse aumento já sinaliza que teremos uma elevação substancial de casos. A participação da população, com apoio às ações das autoridades sanitárias, será determinante para conter o avanço”, destacou.
O especialista também projeta impacto prolongado sobre o sistema de saúde. Embora a fase aguda febril da doença tenda a diminuir, sintomas como dores persistentes podem se estender por até dois meses e meio, mantendo alta a demanda por atendimento. Segundo ele, o padrão observado em Dourados pode se repetir em outras regiões de Mato Grosso do Sul e até em outros estados.
Dados recentes da SES reforçam o quadro de alerta: a taxa de positividade dos exames varia entre 72% e 79%, patamar considerado elevado. O estado também já registra casos graves, infecções em gestantes e mortes associadas à doença, consolidando um cenário de pressão crescente sobre a rede de saúde e exigindo resposta coordenada entre autoridades e população.
Ao todo, 16 municípios apresentam alta incidência da doença:
Até agora, Mato Grosso do Sul contabiliza 10 mortes por chikungunya:
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